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Bicicletas e o mundo pós pandemia

Uma pintura escrita coronavírus é vista em um muro enquanto um homem passa de bicicleta na Cidade do México - CARLOS JASSO/REUTERS
Uma pintura escrita coronavírus é vista em um muro enquanto um homem passa de bicicleta na Cidade do México Imagem: CARLOS JASSO/REUTERS
Milo Araújo

Milo Araújo é designer e diretora de arte, pedaleira, caminhadeira e agora escrevedeira. Aprendeu a andar de bike sem as mãos recentemente.

04/05/2020 04h00

Estamos há mais de 1 mês de quarentena e muito já se fala de como será o nosso retorno à "vida normal". Uma coisa é certa: teremos que evitar aglomerações desnecessárias por um bom tempo. Mas, pensando no contexto brasileiro, mais especificamente São Paulo, cidade esta na qual a maior parte das pessoas passam de 3 a 4 horas aglomeradas em metrôs, trens e ônibus, falar em evitar lugares cheios e fechados é, no mínimo, complexo.

Sabemos que existe um conservadorismo galopante no Brasil. Uma pregação forte de que o certo a se fazer é não evoluirmos e nem procurarmos formas de fazermos melhor (e para todos). Aquele orgulho de "conservar" as coisas como estão está presente. A iminência de sair de sua rotina cômoda e destrutiva causa cólicas no conservadorismo e em seus fervorosos adeptos. Porém, está difícil de negar que as mudanças se fazem cada vez mais necessárias. O debate sobre mobilidade urbana nunca mais será o mesmo depois da pandemia da Covid-19.

O continente europeu já reconheceu a importância de se incentivar o uso da bicicleta nos trajetos urbanos. Em abril, foi criado na França um fundo de 20 mil euros (R$ 120 mil) para fomentar a prática do ciclismo. Boris Johnson, primeiro ministro do Reino Unido, em reunião com prefeitos, defende a importância de incentivar transportes verdes como a bicicleta, temendo que o medo de aglomerações levem as pessoas a aumentarem o uso dos carros. A OMS também já deixou o recado: devemos dar preferência à locomoção feita com bicicletas ou a pé.

Para os defensores das dificuldades, sabemos que São Paulo é uma cidade de dimensões gigantescas, com ladeiras, trânsito intenso, etc, etc. Mas, para além de apontar as limitações, o que podemos fazer a respeito? Já passou da hora de assumirmos a bicicleta como uma das soluções dentro dos nossos inúmeros problemas de mobilidade, principalmente no contexto pós-pandêmico.

A bicicleta é um dos meios mais seguros de se mover atualmente.

Inegável dizer que facilitaria muito a vida do cidadão se as esferas do poder público pensassem políticas públicas de extensão das ciclofaixas (principalmente nas periferias), de criação de bicicletários públicos seguros e de descontos nas tarifas para quem usa bicicletas como parte nos seus trajetos, de criação de projetos que busquem descentralizar minimamente os centros de trabalho e de cultura. Muito poderia ser feito para evitar as aglomerações, ou pelo menos diminuir, sem cairmos num "boom" do uso de carros nessa cidade nossa que, antes de parar por causa da Covid-19, já estava em processo de travar por conta dos engarrafamentos.

E para aqueles que já estão usando as bikes, uma dica: usem um borrifador com água e água sanitária para limpar os pneus; higienizem as mãos antes e depois de usar as bicicletas e sempre saiam de casa de máscaras.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.