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Mariana Belmont

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Você sabe o que é passar fome?

Você já passou fome? - erhui1979/Getty Images
Você já passou fome?
Imagem: erhui1979/Getty Images

Mariana Belmont

04/02/2021 04h00

Não sei se algumas das pessoas que me leem aqui já tiveram a experiência da fome, eu não. Por mais difícil e escasso que fosse, lá em casa nunca faltou comida, então sei que não posso falar sobre esse tema a partir de mim. Por isso, antes de continuar o texto, peço licença a todas aquelas e todos aqueles que vivenciaram a fome na pele.

Logo que a pandemia se instalou no Brasil, acompanhei de perto a mobilização da Uneafro Brasil, que assim como diversas organizações de base, focou energia e trabalho para dar apoio a milhares de famílias nos territórios periféricos pelo país. As ações foram inúmeras: da distribuição de cestas básicas e kits de higiene ao monitoramento médico de pessoas com sintomas de covid-19, por meio do projeto Agentes Populares de Saúde.

Mas a pandemia não acabou...

Começamos 2021 com o agravamento da crise sanitária e econômica no país. Chegamos em fevereiro com mais de 226.383 pessoas mortas por coronavírus no país, uma média de 1000 mortes/dia.

Com o fim do auxílio emergencial, a situação se agravou ainda mais: quase 27 milhões de brasileiros voltaram à linha de pobreza extrema no país, sem conseguir garantir o sustento de suas famílias. Isso quer dizer que, hoje, temos mais pessoas na miséria do que antes da pandemia e em relação ao começo da década passada, em 2011.

Já o número de desemprego foi de 14,1% no trimestre de setembro a novembro de 2020 e atingiu 14 milhões de pessoas. Os dados foram divulgados no último dia 28 de janeiro e fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

E agora?

Na segunda-feira, 01/02, o novo Presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, recebeu uma importante demanda da sociedade: a retomada imediata da renda básica emergencial e sua vigência até o fim da pandemia. Trata-se da campanha "Auxílio Até o Fim da Pandemia", lançada no dia 02/02, por quase 300 organizações sociais, com o objetivo de pressionar os congressistas sobre a importância e a urgência de aprovar o restabelecimento rápido do benefício.

No site da campanha (https://www.auxilioateofimdapandemia.org/), as organizações convidam toda a população a assinar uma petição pela continuidade do auxílio emergencial em seu valor original: R$ 600/mês e R$ 1200/mês para mães com filhos. Assine já, clicando aqui.

Por que retomar e manter o valor original do auxílio emergencial é tão importante?

Vamos aos dados. Em abril de 2020, quando começou a ser concedido, o auxílio de R$ 600/mês equivalia a 125,44% do valor da cesta básica, sendo, portanto, suficiente para comprar todos os itens e ainda deixar uma sobra para outras despesas fundamentais, como aluguel e transporte. De outubro a novembro, com a redução do benefício à metade, esse valor passou a cobrir apenas 56,1% do valor dessa mesma cesta.

Alimentação foi o principal gasto com o auxílio emergencial. Levantamento do DataFolha indica que mais da metade do auxílio emergencial (53%) foi usado na compra de alimentos, seguido pelo pagamento de contas como água e luz (25%), outras despesas domésticas (16%) e compra de remédios (1%). Segundo a pesquisa, entre os beneficiários que têm menor renda, 61% utilizaram o dinheiro do auxílio para a compra de alimentos.

E a economia?

De acordo com os dados da Caixa, com o fim do pagamento, deixam de ser injetados na economia R$ 32,4 bilhões por mês. O impacto previsto com a suspensão do benefício é tão significativo que em sua última reunião, no final de janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, alertou para uma possibilidade de "reversão temporária" da retomada da atividade econômica em 2021, dependendo não só do cenário da pandemia, mas também do efeito do fim do auxílio emergencial na economia.

E o que você pode fazer a respeito?

Contra fatos, não há argumentos. As pessoas estão morrendo de fome e por covid-19! É obrigação do Estado proteger a população e não seguir a política do deixar morrer. E é nossa obrigação pedir, demandar e pressionar o governo. Como? Assine agora pela continuidade do auxílio emergencial.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL