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Mariana Belmont

O que seria de nós sem o recomeço

Sonhar não nos impede de ser pragmáticos e de planejar - Reprodução/Mariana Belmont
Sonhar não nos impede de ser pragmáticos e de planejar Imagem: Reprodução/Mariana Belmont
Mariana Belmont

Nascida em Colônia, extremo sul da cidade de São Paulo, Mariana Belmont se define como uma esticadora de pontes. Atuando com mobilização e comunicação para políticas públicas, faz parte da Rede Jornalistas das Periferias, constrói o Ocupa Política e colabora com a Uneafro Brasil.

19/11/2020 04h00

Imersa na pós-ressaca do primeiro turno, venho até aqui reforçar que estou cansada, não aguento mais e peço que a vacina chegue e o descanso também. Tá puxado, vocês não acham?

Mas continuaremos falando de política, afinal o ano não acabou e o segundo turno, em São Paulo, nos coloca responsabilidades e escolhas urgentes, por uma cidade que tenha outras possibilidades de futuro, novos olhares e se desprenda de uma gestão que não andou e que representa o que está posto no Estado há mais de 40 anos. O velho e sem resultado: a entrega completa da capital paulista.

Em paralelo, estou feliz de dizer (e celebrar!) que, para a vereança, ganhamos um Quilombo Periférico e tantas outras parlamentares comprometidas com o povo da cidade.

No domingo, eu saí aqui de onde moro e segui em direção a casa em que nasci, no extremo sul da cidade, um bairro pequeno chamado Colônia, uma periferia rural incrível e cheia de potencialidades culturais, ambientais e com pessoas incríveis. É sempre bom lembrar dessas tantas gentes e rostos que formam e constroem esses territórios.

No caminho muito trânsito, ônibus cheios, uma Mata Atlântica roubada pelas tantas construções que estão cortando a floresta ao meio. Esse era o cenário, mas nesse caminho ainda deu para sentir o ar fresco e presenciar algumas carroças com jovens e senhores rumo à zona eleitoral. É isso, votar é dia sagrado para alguns, é quando a gente tem a oportunidade de esperançar por um quintal coletivo melhor, que são nossos territórios.

Eu tenho pensando e conversado bastante com alguns amigos sobre o fato de que precisamos sonhar com cidades melhores, mais humanas e menos desiguais. Cidades que combatam o racismo diário, que olhem para os territórios periféricos com prioridade e urgência e repensem e reconstruam o modo de viver, a partir do lugar em que a maioria das pessoas vive.

Sonhar não nos impede de ser pragmáticos e de planejar. Sonhar nos mantém vivos, além da sobrevivência, e nos abre caminhos para, sim, experimentar. E? experimentando, arriscando, ousando, podemos, sim, sair da lógica criada por homens brancos que historicamente ocuparam esses espaços de decisão.

Em 2018, no final da campanha do Douglas Belchior para deputado federal, da qual eu participei da construção, a Rozi Rabelo me mandou um áudio com a música nova do Pagode da 27. Era uma quinta-feira. Jamais vou me esquecer desse dia: estávamos todos a flor da pele, ansiosos pelo resultados da eleições. O processo eleitoral é violento para o corpo, para a alma e para o psicológico.

Bem, sobre a música. Ouvia e chorava, ao mesmo tempo em que enviava para o Douglas e Bianca. Mandei um áudio para o Ricardo Rabelo e para a Rozi, que me responderam com mais áudios emocionados. A música representava a campanha, mas principalmente o trabalho de excelência que a Uneafro Brasil faz nos territórios periféricos de São Paulo e do Rio de Janeiro. Movimento Negro e periférico que pauta e constrói políticas públicas para a população, no dia a dia e a partir do chão.

A música fala sobre ter o povo na cabeça como missão - nas ruas e nos quintais. São tantos motivos pra lutar, pra sonhar. E é isso mesmo que a gente busca: motivos para sonhar com os nossos territórios e com o nosso povo na cabeça.

É necessário voltar a respirar, remover o que não funciona, o que mata e o que devasta. Não temos mais tempo e espaço para que o conservadorismo - aquele que nem sequer percebe a cidade, siga acabando com ela. É urgente nos movimentarmos (e agirmos, ok?), para que daqui quatro anos, a gente tenha um caminho trilhado e sólido rumo a uma candidatura de mulher, negra, periférica no majoritário.

Temos hoje como candidata a vice-prefeita, uma mulher que foi a melhor prefeita que a cidade de São Paulo já teve, e com o melhor secretariado. Do outro lado, um candidato a vice-prefeito, que foi vereador conservador da bancada religiosa da Câmara Municipal, e tem no currículo uma campanha permanente contra os direitos. Eu fico com uma vice mulher e experiente. Entre o aliado do governador João Doria e apoiador do fascismo bolsonarista por conveniência, eu escolho outra história para a cidade. E vocês?

Chegou a hora, galera!
É um grande passo para nossa cidade, precisamos recomeçar e partir de outro lugar? para outro lugar.


É o Povo Na Cabeça

(Nelson Papa / Jônatas Petróleo / William Fialho)

Ôôôôô... ôôôôôô...

Ôôôôô... ôôôôôô...

Vejo despertar...

A grandeza em meu país

Tempos imortais...

A nascente desse rio

Corrente que vem, corrente que traz

Gente de bem, gente que é mais

Deságua no mar

Um mar onde um vale mais que mil...

E vai rolar...e vai mudar o azul anil

Vai dar pé...é nobre a missão

É minha nação

É o povo na cabeça

Nas ruas, nos quintais

Velhos temas tão civis

Sonhos, rituais...

As bandeiras são fuzis

Ecoam por bem

Ecoam por mal

Do triste começo

Feliz no final

Duzentos milhões...

São tantos motivos pra lutar... pra sonhar

É resistir...Pra existir, realizar...

É um só querer...um só coração

É minha nação...é o povo na cabeça.

Ôôôôô... ôôôôôô...

É o povo na cabeça...

Ôôôôô... ôôôôôô...

É o povo na cabeça...

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.