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Mariana Belmont

A história é implacável, Jair Bolsonaro

Mariana Belmont

Nascida em Colônia, extremo sul da cidade de São Paulo, Mariana Belmont se define como uma esticadora de pontes. Atuando com mobilização e comunicação para políticas públicas, faz parte da Rede Jornalistas das Periferias, constrói o Ocupa Política e colabora com a Uneafro Brasil.

29/10/2020 04h00

Que o poço brasileiro de desgraça não tem fundo, sabemos. Que esse poço sem fundo na área ambiental não tem nem parede, sabemos. Conhecemos também o nosso passado, mas os nossos últimos dois anos de presente são um belo caminhão de merda, queimada, desmontes e tantas coisas.

Em 2018, Jair Bolsonaro foi eleito presidente da República com uma campanha de ameaça a ativistas, de fusão do Ministério da Agricultura com o do Meio Ambiente e recusa em demarcar terras indígenas, dentre outras promessas desastrosas do ponto de vista socioambiental.

A gestão de Jair Bolsonaro é responsável pelo aumento de 195%, só em 2020, no número de queimadas detectadas no Pantanal comparado com o mesmo período de 2019, segundo levantamento divulgado em outubro pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A Amazônia segue o mesmo caminho e já atinge recordes históricos de destruição.

Entendendo que tais ameaças não eram falas isoladas do presidente da república, mas parte de uma estratégia de consolidação de seu projeto político, um time de comunicadores independentes se uniu para acompanhar como as ações e omissões do governo federal na área socioambiental estão relacionadas entre si. A partir da pesquisa de cerca de 800 conteúdos e textos sobre o tema, foi criado o Sinal de Fumaça - Monitor Socioambiental, uma linha do tempo interativa com foco na atuação do poder público e respostas da sociedade civil nesta área.

Apenas a plataforma mais genial e necessária já criada para olharmos para a história, que apesar de parecer, nem é parece, tão longa assim.

A plataforma, bilíngue e de utilidade pública, já tem registrados os fatos e movimentos relacionados às políticas socioambientais brasileiras, e conta com um acervo de mais de 220 textos que narram os principais eventos desde outubro de 2018.

PAUSA AQUI!
Vocês também sentem depressão quando lembram de outubro de 2018?

Toda a curadoria de conteúdo é feita a partir de notícias publicadas em portais confiáveis da imprensa nacional e internacional, canais oficiais do governo na internet, sites de ONGs e movimentos sociais, além de publicações do Diário Oficial; o monitoramento é contínuo e a atualização da linha do tempo é semanal.

Ou seja, tudo!

Com objetivo de oferecer ao público uma visão geral sistemática que dê transparência à crise socioambiental no Brasil, a plataforma possibilita ao usuário personalizar a linha do tempo com a seleção de editorias, temas e personagens para aprofundar a compreensão sobre fatos e consequências em assuntos específicos.

A gente consegue olhar a plataforma e relacionar nossa vida com todo o desmonte das políticas ambientais. Não é impressionante, é assustador que mesmo com todas as evidências -, textos, artigos, grandes reflexões, leis e tudo que em muitas décadas se construiu -, nada tenha validade diante de um governo destruidor.

Ah! Importante registrar que a galera não tem a pretensão de cobrir todo o noticiário socioambiental. Sinal de Fumaça vai veicular um conteúdo selecionado a pesquisadores, jornalistas, ambientalistas, ativistas, estudantes, economistas, investidores, assessores parlamentares, organizações não governamentais, coletivos e movimentos sociais. Além dos resultados deste monitoramento, a plataforma ainda atua como eficiente espaço de preservação de memória dos fatos e combate a fake news.

A plataforma em português é https://www.sinaldefumaca.com/ e em inglês https://www.sinaldefumaca.com/en/.

Racismo Ambiental

E claro, não posso deixar de relacionar e trazer a atenção para um dos fatos que aparecem registrados na plataforma: o chamado Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST). Assinado em março de 2019, pelos governos de Donald Trump e Jair Bolsonaro, o acordo prevê que os americanos usem comercialmente a Base de Alcântara, no Maranhão. E uma das medidas para que o projeto saia do papel é a expansão territorial do Centro de Lançamentos de Alcântara (CLA) - dos atuais 8 mil hectares para 20 mil. Essa ampliação avançará sobre uma área habitada por cerca de 800 famílias quilombolas, que vivem na região desde o século 17, que pelas minhas contas aqui seria mais de 300 anos.

A história é implacável, gente. E a imagem que me chega, quando acesso a plataforma, e outros sites que desmascaram a falta de responsabilidade do presidente (não só na área ambiental), é exatamente um "sinal de fumaça".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.