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Maia e Alcolumbre, a espera mata

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre - Pedro Ladeira - 4.fev.2019/Folhapress
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre Imagem: Pedro Ladeira - 4.fev.2019/Folhapress
Mariana Belmont

Nascida em Colônia, extremo sul da cidade de São Paulo, Mariana Belmont se define como uma esticadora de pontes. Atuando com mobilização e comunicação para políticas públicas, faz parte da Rede Jornalistas das Periferias, constrói o Ocupa Política e colabora com a Uneafro Brasil.

26/03/2020 04h00

Semana passada a gente falou por aqui sobre como surge essa nova doença pelo globo, como as questões ambientais e a ação humana estão diretamente ligadas a essa pandemia que vem deixando os países quebrados, muitas pessoas mortas e muita gente com medo. Mas sobre o que é urgente? O que precisamos fazer agora para evitar mais mortes, sejam elas pelo vírus ou de fome - realidade de muitas das periferias que nascemos, crescemos, vivemos e vivem nossas famílias?

Veja, eu nunca passei fome. Eu fui uma criança pobre, criada por padrinhos super do corre para conseguir ter alimento em casa toda semana, tudo muito contado e organizado para dar conta de tanta criança, adulto e agregados. Era difícil, mas a gente nunca passou fome. Mas a realidade para muitas famílias é completamente diferente em todos os cantos deste país.

Vou usar esse espaço para a solidariedade que precisamos neste momento, ajudar quem está com fome AGORA, quem precisa comer hoje, pessoas que sempre passaram fome, mas tinham trabalhos precarizados para sobreviver, vendendo o almoço para dar o que comer para toda a família no jantar. Ou que levam seus filhos para a escola de período integral, porque não têm comida e agora estão todos em casa, sem trabalho e sem ter o que comer. Essa é a realidade da maioria das pessoas deste país, queridas famílias ricas e empresariado.

Mas também vou usar o espaço, para pedir medidas urgentes aos presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Não há tempo e possibilidade de esperar.

Desde que a notícia sobre a pandemia do coronavírus bateu forte aqui no país, muitas organizações, grupos e movimentos estão se articulando para conseguir o básico, ou seja, comida, apoio e atenções básicas para as pessoas em situação de vulnerabilidade em várias cidades pelo país. Eu listei abaixo algumas, mas com certeza devem ter muitas mais precisando do nosso apoio imediato.

As mulheres estarão potencialmente mais suscetíveis e expostas à violência doméstica durante a quarentena por conta do isolamento, da dependência financeira, do aumento da convivência em casa, pela ausência de atividades diárias, distância da rede de apoio, controle maior do agressor, privação do ir e vir e ausência de serviços públicos disponíveis. Pensando nisso, o Mapa do Acolhimento convoca voluntários para apoiar a construção de um mapeamento nacional que irá reunir o máximo de informações sobre o acesso e o funcionamento dos serviços da rede pública de enfrentamento à violência contra as mulheres, tais como delegacias, centros de referência, defensorias, hospitais de emergência. Tem interesse? Inscreva-se pelo site.
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Outra movimentação URGENTE e NECESSÁRIA é a campanha "Renda Básica que Queremos", que propõe a criação imediata de uma Renda Básica Emergencial para ajudar os mais pobres a enfrentar a depressão econômica que virá com as restrições impostas pela pandemia. As famílias brasileiras precisam de apoio para enfrentar o coronavírus. A Rede Brasileira de Renda Básica, o Nossas, a Coalizão Negra por Direitos, o Instituto Ethos, o INESC e um grupo com grande diversidade que inclui 130 organizações da sociedade civil estão organizadas e trabalhando para pressionar o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto para que a população comece a receber a Renda Básica imediatamente. Acesse: www.rendabasica.org.br.

A UNEAFRO - Apoio imediato para famílias negras e periféricas - Covid19 - o movimento apresenta um projeto detalhado de apoio a comunidades periféricas de São Paulo e Grande São Paulo. Apoie já.

Marginal - Cidade de Deus - Campanha solidária para quem mais precisa na favela! - Informações para doação (em dinheiro ou produtos): Jota Marques 21 97556-4538 ou Samantha Messiades 21 99753-9390

Pimp My Carroça, movimento que luta para tirar os catadores de materiais recicláveis da invisibilidade, está recebendo doações de água, sabão, kits de higiene e outros recursos. Entre em contato pelo e-mail: doacoes@pimpmycarroca.com

Padre Júlio Lancellotti recebe doações de material de higiene e limpeza, alimentos e roupas, presencialmente na rua Taquari, 1100, Mooca, São Paulo e doações em dinheiro para Mitra Arquidiocesana de São Paulo CNPJ 63.089.825/0001-44, Banco Bradesco, Agência 0124, Conta Corrente 0053148-0.

Recife de Luta - movimento em Pernambuco mobilizado para arrecadação de doações, seja do valor de um kit, seja o valor que for possível, é muito importante para melhorar o cenário de prevenção e sobrevivência de dezenas de famílias das periferias de Recife - Apoie aqui.

O Anderson França também fez uma lista importante e de grupos que estão se mobilizando nas periferias das cidades.

O que mais a população tem esperado do governo brasileiro é responsabilidade e trabalho sério. Nós temos hoje um sociopata irresponsável no posto de presidente da república. Um chefe de estado que gera nos brasileiros os sentimentos mais dolorosos e revoltantes. Estamos trancados neste país com um homem absolutamente lunático, que mente em rede nacional.

Cada fala inconsequente dele causa quantas mortes? Cada pessoa que ignora as recomendações e sai vivendo uma vida normal representa quantas infecções e mortes lá na frente? Quantas pessoas comprando remédios impróprios e ouvindo mentiras sobre cura?

Enquanto isso a sociedade se mobiliza para salvar quem vai começar a morrer em massa. Por isso, ajudem e apoiem as iniciativas e façam o que precisa ser feito para que a gente reconstrua um lugar mais justo para existirmos.

Mariana Belmont