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Mari Rodrigues

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Como é trabalhar num lugar que considera a diversidade?

Dimitri e Girlene, estagiários de uma grande editora nacional - Arquivo pessoal
Dimitri e Girlene, estagiários de uma grande editora nacional Imagem: Arquivo pessoal

Mari Rodrigues

17/08/2021 06h00

Pediram-me que falasse sobre trabalho. Escrevo este texto com um certo atraso exatamente por este motivo: o excesso de trabalho que me acometeu. Excesso de trabalho para uma pessoa que se autocobra excessivamente só pode causar cansaço; foi o que aconteceu algumas vezes. Anteriormente, havia escrito sobre o nosso direito a mostrar fraquezas; precisei mostrá-las neste período. A receptividade e a empatia com as minhas limitações foram boas pelo menos.

Mas voltemos ao tema do trabalho. Trabalho que está difícil para todo mundo conseguir, mas para pessoas LGBTQIA+ é ainda mais difícil de conseguir por n razões. E queria contar boas histórias, que sempre foram o mote de ECOA. Então consultei dois amigues trans, colegas da faculdade de Letras, que conseguiram se colocar nesse mercado tão competitivo, numa grande editora nacional.

Começarei falando do Dimitri, que entrou nessa empresa por indicação de uma outra pessoa trans. Ele me conta que o ambiente é bastante positivo para a diversidade e que em nenhum momento se sentiu desrespeitado por ser quem é; a empresa procura ter uma preocupação com a abordagem de questões LGBT+ e ele sempre é chamado quando é algo mais específico.

Com algum tempo já na empresa, ele indicou outra colega, a Girlene. Ela me conta a mesma coisa: o ambiente é acolhedor, as pessoas não têm vergonha de se assumirem homossexuais ou transexuais, e cada pessoa é respeitada nas suas peculiaridades. Como ela entrou há pouco tempo, ainda está pegando o serviço e espera que venham coisas boas para seu aprendizado enquanto profissional.

O que podemos ver em comum dessas duas histórias: um ambiente propício à diversidade traz uma sensação de maior alívio às pessoas diversas do padrão, que podem se preocupar em produzir ao invés de recear sofrer preconceito no próprio ambiente de trabalho. Estudos comprovam que empresas que valorizam a diversidade na composição da força de trabalho e fazem o exercício de compreender e respeitar as peculiaridades da pessoa têm um diferencial no mercado.

E repenso a minha história, os perrengues que passei e o respeito que construí na minha carreira profissional. A gente educa as pessoas que nos recebem, se elas têm o interesse de se educar; quando isso acontece, um novo paradigma de respeito se instala e podemos nos preocupar com outros assuntos muito mais importantes para a produção de valor. Considerar a diversidade da equipe de trabalho não é apenas "mimimi"; é trazer valores humanísticos que potencializam o sucesso da empresa.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL