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Mari Rodrigues

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Até a Globo usou linguagem neutra, e você, o que fará?

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Imagem: iStock

Mari Rodrigues

24/07/2021 06h00

Ecoou nos meus círculos sociais esta semana uma notícia tão agradável quanto polêmica: uma narradora do SporTV, ligada às Organizações Globo, usou pronome neutro para se referir a uma pessoa não-binária da seleção canadense de futebol feminino, que participa das Olimpíadas em Tóquio. Notícia agradável porque um meio de comunicação tão importante acendeu esse debate. Polêmica porque esse debate continua carregado de desinformação.

Falar aqui na coluna sobre linguagem neutra já é chover no molhado. Escrevi tantas e tantas vezes sobre o tema que é melhor ler os textos e depois vir aqui para discutirmos. Mas nunca fui muito de falar sobre os pronomes neutros. Confesso, ainda tenho uma certa dificuldade em usá-los, mas quando a pessoa com quem me comunico assim o pede, eu os uso.

Mudanças de cultura levam muito tempo para serem assimiladas. E encontrarão resistências de todo tipo. E especialmente quando mexemos com a língua, os discursos apaixonados afloram. Discursos que exaltam o "purismo" da língua. Mais uma vez: se a língua fosse pura e imutável desse jeito, ainda falaríamos latim; ou melhor, falaríamos como o povo das cavernas.

A língua foi feita para ser mutável e se adaptar à sua realidade sociopolítica. Quem sabe quando nos livrarmos do obscurantismo que gera a rejeição ao diferente, podemos pensar de forma madura na inclusão linguística das populações não-binárias (e de outras populações marginalizadas).

Pensem, até a Globo usa linguagem neutra. E vocês aí querendo proibir por causa disso e daquilo nada a ver... Beijos de luz a todes!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL