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Mari Rodrigues

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Como a pesquisa Mosaico (e outras) melhoram o debate sobre o HIV?

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Imagem: iStock

Mari Rodrigues

26/06/2021 06h00

Hoje vou falar sobre um tema que ainda continua um tabu entre a população LGBT+: as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Anteriormente, cheguei a comentar que nós, jovens, mesmo com todas as informações disponíveis, falamos muito pouco sobre técnicas de prevenção contra as infecções, como se a pandemia do vírus HIV já não fosse mais uma realidade.

Técnicas de prevenção combinada, para além do uso da camisinha, são fundamentais para promover a proteção contra as ISTs. Novas pesquisas neste campo são promissoras: em pouco tempo, bastará uma injeção bimestral para garantir proteção contra as situações de risco que podem ocasionar a contaminação pelo HIV. Ou para quem já vive com o vírus, duas injeções bimestrais serão suficientes para evitar a sua transmissão a outras pessoas.

Promissor, não? Pois vou falar de algo ainda mais promissor. Está em estudo em vários países e também aqui no Brasil, uma vacina que promete criar proteção do organismo contra o vírus HIV: trata-se do estudo Mosaico, que está recrutando voluntários para participar da pesquisa. Já falei aqui que as vacinas são nossa esperança para conter as pandemias em curso no mundo. Portanto, entrei em contato com a Casa da Pesquisa do Centro de Referência e Treinamento de IST/AIDS de São Paulo para ter mais informações e passá-las à vocês.

Como funciona o estudo Mosaico? A pessoa receberá quatro doses da vacina produzida pelo laboratório Janssen, que funciona de forma semelhante à vacina contra a covid-19: é inoculado um adenovírus inofensivo, semelhante ao que causa resfriado, que encapsula uma proteína do HIV. Após isso, será verificado se a pessoa gerou anticorpos e conseguirá matar o vírus caso ele entre na corrente sanguínea.

Quem pode participar? Homens cis e pessoas trans que fazem sexo com homens cis e/ou pessoas trans, com vida sexual ativa, entre 18 e 60 anos, e que não tenham o vírus HIV, não tenham participado de outros estudos nos últimos doze meses, não tenham recebido transfusão de sangue nos últimos três meses e não tenham apresentado reações alérgicas graves.

Onde entra o Estado nisso tudo? O Brasil, como referência na prevenção e no tratamento de ISTs, em especial o HIV/AIDS, não pode baixar a guarda. Deve entender os públicos mais vulneráveis à contaminação e pensar campanhas específicas a esses grupos, fugindo dos estigmas e dos estereótipos. Deve facilitar e apoiar as vanguardas dos estudos sobre o tema, avaliando e trazendo novas tecnologias que ampliem a adesão das pessoas aos tratamentos. Deve pensar na vacina como salvação para uma pandemia que já matou tantas pessoas.

Pesquisas como a Mosaico trazem esperança para que a pandemia do HIV realmente seja um passado distante em nossas vidas, para que a vida sexual das pessoas seja mais saudável e para que possamos finalmente conversar de forma madura sobre o tema, não só entre a população LGBT+, mas na sociedade como um todo, sem preconceitos e suposições irreais.

Serviço:

Pesquisa Mosaico: www.pesquisamosaico.com.br

Telefones: (11) 5087-9903 / 97640-6299 (whatsapp)

E-mail: pesquisamosaico@crt.saude.sp.gov.br

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL