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Mari Rodrigues

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

A literatura também pode ser um palco mais colorido

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Imagem: iStock

Mari Rodrigues

19/06/2021 06h00

Um amigo esses dias veio me falar de um exercício que precisava fazer: ler um trecho de um livro da Amara Moira e continuar de acordo com o estilo do texto. Para quem não sabe, ela escreve textos sobre sua vida na prostituição numa periferia da cidade de Campinas enquanto lida com o doutorado na Unicamp.

E isso me faz pensar: quantas pessoas LGBT+ costumamos ler em nossas rotinas? Não digo ensaios como os meus, mais voltados pra opinião, e sim literatura no sentido mais amplo: crônicas, contos, narrativas mais épicas, entre outros gêneros. Quantas pessoas LGBT+ conhecemos que fazem livros conhecidos?

Há alguns anos, lia como as pessoas ficaram consternadas com uma carta de Mário de Andrade. O que nos faz pensar se a homossexualidade de uma pessoa abala sua reputação na escritura. O papel da pessoa LGBT+ na literatura nunca foi claramente discutido. Falar sobre temas LGBT+ na literatura tampouco.

Podemos pensar em como grandes nomes do cânone literário, como Oscar Wilde, foram tratados em suas épocas. Trazendo para a realidade brasileira, podemos pensar na censura dos textos eróticos de Cassandra Rios durante o período militar.

Novas caras no mundo da escrita têm-se revelado. Umas tratando o tema LGBT+ de forma mais sutil; outras, como a própria Amara Moira, chutando o pé na porta, ao trazer realidades pouco discutidas na sociedade ou mesmo por ela sufocadas, como a prostituição.

Uma coisa que tenho pensado é como as principais universidades do país têm lidado com isso. Pouco se fala sobre literatura e gênero no meio acadêmico, apesar de algumas novas iniciativas muito bacanas. Sobre literatura e diversidade, muito menos. Quando se vê que em plena Universidade de São Paulo, espaço efervescente de discussões progressistas, ainda não temos uma matéria optativa sequer que trate das questões LGBT+ na literatura e na linguagem, temos muito ainda a evoluir.

Desta vez, vou fazer diferente: quem tiver dicas de leituras LGBT+ bacanas para trazer, comentem aí para que as pessoas que comentam semanalmente aumentem seu repertório.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL