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Mari Rodrigues

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Como foi ver o ódio na frente?

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Imagem: iStock

Mari Rodrigues

24/04/2021 06h00

Já vi manifestações de desprezo algumas vezes. Algumas sutis, outras mais contundentes. Já fui xingada, já fui deslegitimada, já até levei um soco. Mas o que vou falar para vocês hoje nunca tinha me acontecido. E foi pavoroso.

Na semana passada, participei com o pessoal da faculdade de um evento muito bacana sobre interseccionalidade de pautas de diversidade. Foi um momento para fazer várias trocas e deixar claro que não há hierarquia de opressões; todas as pessoas oprimidas sofrem por serem oprimidas.

Ninguém imaginava que seres (que vou classificar apenas de seres, por não serem dignos de pertencer à raça humana) invadiriam a conferência e passariam a entoar frases racistas e a compartilhar vídeos absurdos, com o único intuito de nos apavorar.

Rapidamente, tivemos que derrubar a ligação e fazer outra. Mas o estrago estava feito. As pessoas presentes ficaram em choque com todo o ocorrido e foi difícil voltar ao tema da apresentação. Mas superamos, em união. E a mesa finalizou com uma bela troca de experiências entre nós.

O discurso de ódio, potencializado pelo suposto anonimato da internet e (por que não dizer claramente?) legitimado por certas autoridades no poder, traz em sua falta de respeito o que há de pior do brasileiro, desde sua colonização. Fico tentando imaginar quais são os fatores que levam alguém a ser tão desocupado a ponto de mexer com quem não vai lhe fazer nada.

Aliás, qual o medo congelante (porque isso é um medo) que essas criaturas têm de não avaliar seus próprios privilégios e atacar a verdade mostrada, como se o mensageiro e não os privilégios fossem os responsáveis por manter uma estrutura de opressão? Será o medo de perder esses tais privilégios, que assimilados como direitos régios, se escancarados, só mostram o quão errados eles são?

O susto passou. A estrutura de opressão não. Mas não nos calaremos!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL