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Mari Rodrigues

Candidaturas trans exitosas incomodam os falsos "feminismos"

Erika Hilton, vereadora eleita pelo PSOL - Karime Xavier - 3.dez.19/Folhapress
Erika Hilton, vereadora eleita pelo PSOL Imagem: Karime Xavier - 3.dez.19/Folhapress
Mari Rodrigues

Estudante de Letras, Mari Rodrigues participa da Frente de Diversidade Sexual e de Gênero da USP. É apaixonada por comida do norte e por reciprocidade nas relações. Ainda está decidindo o que vai fazer com sua vida.

21/11/2020 04h00

Enfim, tivemos as eleições para prefeitos e vereadores Brasil afora. E entre as várias candidaturas eleitas, tivemos várias pessoas LGBTI+, e em especial, 30 pessoas trans, sejam independentes ou em mandatos coletivos. Apenas na cidade de São Paulo, foram quatro. Esperamos ansiosamente que essas candidaturas tragam realmente boas propostas para combater o preconceito contra as pessoas LGBTI+ em suas cidades.

Mas hoje queria falar sobre outra coisa. Certos movimentos que se dizem "feministas" chegam e começam a criticar candidatas trans eleitas, várias delas inclusive tendo sido as mais votadas em suas cidades. Caem no mesmo discurso que outras pessoas transfóbicas utilizam para invalidar pessoas trans: o critério biológico. Tornando-se "feministas" machistas. Afinal, não é o machismo que reduz mulheres a meros buracos?

O feminismo que conheço é inclusivo e é interseccional; reconhece as várias opressões a que as mulheres, independentemente de serem cis ou trans, estão submetidas pelo pensamento machista que permeia a nossa sociedade atual. Portanto, não faz nenhum sentido um "feminismo" (entre muitas aspas) que não só não respeita as interseccionalidades como também desrespeita deliberadamente outras mulheres por qualquer razão que seja.

São esses falsos "feminismos" que dão uma conotação ruim a toda a luta feminista, que tem em sua raiz o abolicionismo e a nossa liberdade de autodeterminação enquanto mulheres. Só consigo ver como "raiz" desses movimentos transfóbicos o genitalismo, o medicalismo e o preconceito escancarado.

Por sorte, esses falsos "feminismos" beligerantes são poucos e deveriam ser por nós colocados em sua posição de irrelevância. Porém, no momento em que essas forças (ainda que fracas) se unem com movimentos claramente preconceituosos e que gritam "morte", todo o movimento feminista real perde, por estarmos brigando entre nós por alguma "divergência teórica" tirada do nada, enquanto o machismo segue incólume em nossa sociedade.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.