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Mari Rodrigues

Defender o SUS também é defender a diversidade!

Mari Rodrigues

Estudante de Letras, Mari Rodrigues participa da Frente de Diversidade Sexual e de Gênero da USP. É apaixonada por comida do norte e por reciprocidade nas relações. Ainda está decidindo o que vai fazer com sua vida.

31/10/2020 04h00

Recentemente fui a uma consulta médica. Tudo tranquilo. Encontro uma amiga que não via há algum tempo, e ela me fala que está participando da equipe de uma pesquisa e me convidou a participar dela. Estava com tempo e resolvi participar. Após colher algumas amostras de sangue, passei com uma médica, com a qual falei quase uma hora, e ela me informou o estado de algumas sorologias e me encaminhou para tomar uma vacina que eu nem sabia que existia.

A consulta foi na rede pública de saúde. A pesquisa foi feita na rede pública de saúde. A vacina foi oferecida na rede pública de saúde. O que isso quer dizer? Além da economia de vários reais do meu bolso, uma sensação de acolhimento, pois em algum lugar, se está acompanhando a saúde integral de pessoas trans. Este lugar é o SUS. Será que na rede privada teríamos este acompanhamento integral de forma tão acessível? Acredito que não.

Recentemente, houve uma séria discussão sobre a entrega de unidades básicas de saúde para entidades privadas, o que significaria que elas seguiriam a lógica da saúde privada. Ou seja, passariam a operar sob uma lógica de mercado, de lucro, o que em se tratando de saúde pública, é algo temerário.

Afinal, as gigantescas indústrias farmacêuticas e de insumos médicos teriam muito mais facilidade de se instalar, com efeitos danosos sobre o já combalido orçamento do SUS, tão vilipendiado por más gestões e más índoles. Além disso, sob uma lógica de mercado, tudo que não interessa ao mercado seria descartado. Assim, determinados tratamentos de maior complexidade seriam ministrados em detrimento de outros muito básicos que às vezes seriam a solução para aquele caso.

A diversidade também é uma questão de saúde pública. Um exemplo disso é o cuidado integral com pessoas trans, tanto pelos ambulatórios especializados, quanto pelos hospitais que realizam intervenções cirúrgicas nessas pessoas; tudo isso já é ameaçado por quem acha que esse cuidado é desnecessário, e sob uma nova lógica, que só ouve o dinheiro, ele poderia desaparecer. Vale lembrar que muitas dessas pessoas só têm como acessar o SUS para fazer seus tratamentos e ter acesso a suas terapias hormonais.

Muito se fala sobre a (baixa) qualidade dos serviços oferecidos no âmbito do SUS. Muito também se fala do excesso de corrupção no orçamento do SUS. Privatizar serviços não é a solução. Votar direito, em pessoas que realmente defendem o SUS e estão preocupadas com a saúde pública, com o cuidado integral da população e com a diversidade, é a solução. O SUS, criado junto com a nossa Constituição Federal de 1988, é o direito primordial da população à saúde integral, e merece ser bem tratado e não desmontado.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.