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Mari Rodrigues

Humanidade também faz parte de independência

Mari Rodrigues

Estudante de Letras, Mari Rodrigues participa da Frente de Diversidade Sexual e de Gênero da USP. É apaixonada por comida do norte e por reciprocidade nas relações. Ainda está decidindo o que vai fazer com sua vida.

05/09/2020 04h00

Na segunda-feira que virá, relembramos o dia em que o Brasil deixou de ser uma colônia de Portugal e tornou-se uma nação independente. Infelizmente, em 2020, temos muito pouco a comemorar nesta data.

O país não vai bem: estamos assolados por uma pandemia que ninguém parece levar a sério; ainda patinamos no respeito aos povos tradicionais e às minorias; os símbolos patrióticos foram tomados de assalto por quem não tem nenhum compromisso com a coletividade, um resquício de anos de episódios horríveis em nossa História que aparentemente não queremos tornar memória, mesmo para fazermos diferente.

Poderia passar horas aqui falando sobre o que poderia ser diferente em nosso combalido país, porém isso não é o que quero tratar hoje. Tenho trabalhado bastante, e forças me faltam para reclamar. Até porque tampouco estou a fim de reclamar. Queria falar sobre a nossa independência enquanto indivíduos envoltos numa coletividade. Indivíduos bastante diferentes entre si que têm esse direito, o de ser diferentes.

Parece que quando se é muito diferente, nos vestimos de superpoderes para dar conta de tudo o que nos rodeia: toda a sorte de julgamentos e preconceitos, várias dificuldades na vida familiar, tentar não vomitar com a situação atual do país, e ainda ser forte para conseguir o que ter de comer durante todo o mês.

E eu fico me perguntando se temos que ter estes superpoderes o tempo todo. Acredito que também temos o direito de ter e de expressar as dificuldades e as fraquezas que nos tornam humanos. Podemos sentir preguiça, podemos sentir impotência, podemos pedir ajuda quando necessário e podemos simplesmente suspirar de cansaço quando cansados estivermos.

Esse é o verdadeiro sentido de independência e de autonomia: sermos fortes quando precisarmos ser fortes e podermos expressar nossas fraquezas quando precisarmos expressar nossas fraquezas. Assim teremos uma humanidade capaz de enfrentar a adversidade, e uma humanidade capaz de entender sentimentos coletivos que tanto nos faltam nos dias de hoje.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.