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Marina Rodrigues

Precisamos mudar nossas atitudes

Mari Rodrigues

Estudante de Letras, Marina Rodrigues participa da Frente de Diversidade Sexual e de Gênero da USP. É apaixonada por comida do norte e por reciprocidade nas relações. Ainda está decidindo o que vai fazer com sua vida.

25/07/2020 04h00

Esta foi uma semana de muitas mudanças. Novo lugar, nova mentalidade, novos desafios... Todos passamos por estes momentos decisivos em que precisamos mudar para melhorar nossas vidas. Mas por que certas coisas parecem não mudar?

É inegável que há características que nascem conosco e lutar contra elas é contraproducente. Mas há várias atitudes que nós aprendemos ao longo da vida e que, ainda que dificilmente, podemos torná-las mais benéficas a quem está do nosso lado, ou mesmo parar com elas, se causam algum dano.

Uma pessoa amiga uma vez falou sobre sua adolescência de feminista radical, e de todas as qualidades pejorativas que esta vertente envolve: um profundo desrespeito transfóbico, incoerências argumentativas, entre outras. Ela viu que no final, todo esse ódio não fazia sentido, e procurou rever seus conceitos, retratando-se de coisas ruins que falou, e hoje tem se dedicado a explicar a outras seguidoras desta vertente porque certos comportamentos são ruins, ainda que seja um tanto difícil esta tarefa.

Inflexibilidade não combina com os tempos atuais. Com o advento da pandemia do coronavírus, tivemos que mudar nossas vidas meio que forçadamente. Distanciamento social, trabalho remoto, hábitos de higiene reforçados. Tudo isso mostra que nós, seres humanos, estamos propensos à mudança. E isso é bom. Imagine se vivêssemos ainda como os seres do tempo das cavernas? Já teríamos todos morrido.

Mudanças precisam ser boas, e mudanças de mentalidade são possíveis. Vendo desde a pessoa que fazia besteira na adolescência e hoje adota posturas mais razoáveis, ou o intolerante que aprende a respeitar os outros, acho que mudar posturas e culturas enraizadas é possível. E não precisamos de acontecimentos drásticos como uma pandemia para trabalharmos nestas mudanças.

Aquela comida que faz mal pode ser repensada em sua dieta; aquele método de trabalho desorganizado pode ser substituído paulatinamente; aquele comentário que não vai somar em nada na discussão pode não ser dito; aquela opinião estúpida que só você tem pode ser reavaliada. Vamos repensar as atitudes que nos tornam pessoas piores para mudá-las.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.