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E como fica a nossa relação com o sexo na quarentena?

Mari Rodrigues

Estudante de Letras, Marina Rodrigues participa da Frente de Diversidade Sexual e de Gênero da USP. É apaixonada por comida do norte e por reciprocidade nas relações. Ainda está decidindo o que vai fazer com sua vida.

18/04/2020 04h00

Ia falar sobre outra coisa hoje, mas uma notícia me atraiu completamente o olhar. Os motéis de São Paulo permanecem cheios, e mesmo durante a quarentena, as pessoas continuam recorrendo a eles. À primeira vista, um riso parece a reação natural, mas depois vem o pensamento de que uma das necessidades mais primitivas do ser humano implora por sua satisfação.

Muita gente gosta de sexo, é leviano dizer o contrário. E muita gente se viu sem ter como satisfazer essa necessidade da forma que faziam antes. Então resolvi falar com meus amigos sobre como andam ressignificando o sexo nesses tempos. E vários outros temas vieram à tona e várias reflexões interessantes surgiram.

O primeiro é sobre o aumento do acesso à pornografia na época. Essa é uma questão extremamente polêmica, e muitas pessoas com mais conhecimento que eu podem falar sobre os aspectos problemáticos da pornografia e sobre como ela perpetua atitudes de gênero tóxicas. Mas vamos dizer que para algumas pessoas e algumas situações, ela traz uma satisfação momentânea.

Outro assunto, já fora do tópico sexual, é a falta de ter com quem falar sobre suas questões, desde que o isolamento começou. Falei em outros textos que a família pode não ser a melhor conselheira para desabafar seus medos mais profundos. Torna-se difícil recorrer às pessoas mais queridas com a distância. E nos sentimos carentes.

Carência. Isso pode explicar, entre outras coisas, a questão da persistência da procura aos motéis. Sabemos ressignificar nossas carências a ponto de sublimarmos uma necessidade tão primitiva? Saberemos conviver com novas relações com o sexo depois que tudo isso passar?