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Tenho medo do noticiário

mulher lendo celular no ônibus, máscara, coronavírus, fake news - iStock
mulher lendo celular no ônibus, máscara, coronavírus, fake news Imagem: iStock
Mari Rodrigues

Estudante de Letras, Marina Rodrigues participa da Frente de Diversidade Sexual e de Gênero da USP. É apaixonada por comida do norte e por reciprocidade nas relações. Ainda está decidindo o que vai fazer com sua vida.

04/04/2020 04h00

Sim, tenho medo do noticiário.

Não sou só eu, outros amigos e colegas estão com as mesmas sensações, que oscilam entre descrença e pânico. Descrença de que iremos sair desta situação rápido, considerando tanto jogo contrário à sanidade que temos visto ultimamente. Pânico de que a coisa piore e se torne tão insustentável a ponto de atingir qualquer plano de longo prazo.

Os planos de curto prazo já foram para as cucuias. E penso naqueles que estavam se fortalecendo, como eu mesma estava me fortalecendo, e que com a situação atual regrediram muito ou mesmo voltaram à estaca zero em suas condições psicológicas e até financeiras. São tempos extremamente difíceis.

E para aqueles que já não estavam bem antes de tudo isso e, agora, estão em situação ainda mais complicada, ver as notícias viraram tortura: tudo caminha para um cenário de terra arrasada e as inquietações não param de aumentar. Como pensar em melhorar?

A forma como lidamos com a situação de estresse é bastante pessoal. Tem gente que está descobrindo novos hobbies ou desenvolvendo habilidades que estavam ali em segundo plano. Para não surtar, o nosso cérebro desenvolve atenções até então escondidas, mas isso é mais achismo meu que certeza.

Eu, por exemplo, sou uma pessoa bastante desorganizada, e tenho tentado reverter isso para que não afunde. Mas às vezes essa organização toma contornos um pouco obsessivos, de controle total. Aí eu percebo que não tenho como controlar tudo, e ainda mais agora que tudo está fora de controle. Paro e depois volto para mais uma rodada de organização.

As nossas redes de apoio neste momento se fazem mais que necessárias. Ansiosos por natureza acabam com medo de confiar nelas, mas repito, elas são necessárias. Para termos com quem conversar. Para termos com quem dividir medos e pânicos, e alegrias e desejos também, por que não? Para que não nos afundemos nesse monte de notícias ruins e cada vez mais assustadoras.