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Mara Gama

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Elétricas, 'Carroças do futuro' dobram renda dos catadores

Protótipo em teste da Carroça do Futuro, projeto realizado pelo Pimp My Carroça - Divulgação
Protótipo em teste da Carroça do Futuro, projeto realizado pelo Pimp My Carroça Imagem: Divulgação
Mara Gama

Mara Gama é jornalista e pós-graduada em Design. Trabalhou na MTV Brasil e foi repórter, consultora de texto e colunista de meio ambiente da Folha de S. Paulo. Fez parte da equipe que iniciou o UOL, onde foi diretora de qualidade de conteúdo e ombudsman. Atualmente é consultora de texto e estuda economia circular e sustentabilidade.

Colunista do UOL

18/11/2021 06h00

Com velocidade máxima de 6 km/h, motor elétrico com ré, freio, buzina, setas, rastreadores via GPS, faróis dianteiros e traseiros alimentados por energia solar, ela suporta até 400 kg. As baterias testadas têm autonomia de 12 horas a 16 horas e são recarregáveis em tomada comum. Se você circula em São Paulo, talvez já tenha visto algum dos quatro protótipos em teste até o fim de dezembro das Carroças do Futuro, projeto do Pimp My Carroça.

O objetivo é melhorar a principal ferramenta de trabalho dos catadores, proporcionando melhores condições de saúde, trabalho e renda, por causa da substituição da primitiva tração humana, e aumentar a possibilidade de alcance dos trajetos na busca de materiais recicláveis. Tudo isso sem causar poluição do ar.

E os resultados do ano são muito bons. Nos quatro protótipos em teste, houve aumento de capacidade de coleta de material, redução do tempo de trabalho de duas a três horas por dia e a renda dobrada.

A ideia de turbinar as carroças para dar visibilidade social ao trabalho dos catadores de materiais vem desde o início do Pimp my Carroça, em 2012. O movimento tem como meta "tirar os catadores de materiais recicláveis da invisibilidade, promover a sua autoestima e sensibilizar a sociedade para a causa, através de ações criativas que utilizam o grafite para conscientizar, engajar e transformar".

O Carroças do Futuro foi criado em 2019 para desenvolver carroças e triciclos elétricos de baixo custo, não poluentes e com potencial de escalabilidade. Teve financiamento do Instituto Clima e Sociedade (ICS) e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT). Em 2020, foram feitos testes com triciclos, mas a ideia não vingou. Foram então produzidas as carroças que agora circulam, com modelo tradicional.

Em 2022, a ideia é produzir 40 carroças através da consolidação de um fundo coletivo de R$ 1 milhão, para aumentar o volume de produção e baixar o valor de cada unidade. Para participar com ideias e doações, mande mensagem para adriane@pimpmycarroca.com.

Fica aqui uma dica (#ficadica) para o pessoal da Bolsa de Valores de São Paulo. Em vez de gastar dinheiro e queimar o filme com um touro cafona de fibra de vidro imitando o "Charging Bull" de Wall Street, como homenagem a si mesmos, os operadores financeiros poderiam colocar grana neste e em outros projetos do Pimp my Carroça, como o Cataki, aplicativo que conecta os consumidores com os catadores que atuam nas áreas próximas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL