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Júlia Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Pode xingar sua menopausa

Istock
Imagem: Istock
Júlia Rocha

Mineira de Belo Horizonte, Júlia Rocha nasceu em uma família de músicos e médicos e decidiu conciliar as duas paixões também em sua vida. Tornou-se médica com a mesma naturalidade com que se tornou cantora. Júlia se apresenta como "especialista em gente, médica de família e comunidade".

09/11/2021 06h00

Campeãs de dúvidas, de medos, de desassistência e de informações incompletas, as mulheres velhas, as grisalhas, as que não mais menstruam, as sem regra, sem possibilidade de gestar e parir estão em busca de porquês.

Por serem as velhas, as inférteis, as nada parecidas com as mocinhas da capa da revista, as com rugas, cabelos brancos, pneuzinhos na barriga, músculos não tão fortes, sorrisos não tão dignos dos feeds das redes sociais, elas não são ouvidas.

Calores, calorões, calorzinhos. Coisas normais. Nada que preocupe. Devem se acostumar. A vida é essa. Mulher envelhece para mais o quê?

A vulva e a vagina ressecadas, ressequidas, num deserto imenso de saídas, num semiárido de informações. Dor para transar? E mulher velha transa? Dor para fazer xixi? E mulher velha… Deve ser porque transou. Mulher velha não tem de transar.

Nos debates virtuais, só se vê sobre rugas, botox, ácidos, pálpebras, vulvas inadequadas que devem ser rejuvenescidas. Peitos caídos que precisam da mão amiga do homem que segura o bisturi.

Onde estão falando sobre a libido de quem quer seguir transando aos 50? Quero ouvir. Onde estão falando sobre calorões e possibilidades de alívio para além dos hormônios? Onde informam sobre osteoporose, violência doméstica, estratégias para a incontinência urinária?

Para que lado devem seguir à procura de respostas aquelas velhas que não querem esticar, levantar, corrigir nada? As que só querem bem-viver?

Quando se fica velha em um país como o Brasil, sem SUS, sem trabalho, sem aposentadoria, sem creche para os netos, sem educação e emprego para os filhos, sem segurança, sem perspectivas de futuro, o menor dos nossos problemas é a queda progressiva de um hormônio qualquer.

Se você deseja saber mais sobre saídas seguras e baseadas em evidências científicas para os calores e o ressecamento vaginal que afetam mulheres na menopausa, assista esse vídeo e vamos conversar:

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL