PUBLICIDADE
Topo

Júlia Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Usar máscara depois de tomar vacina?! Mas as vacinas não funcionam?

Getty Images
Imagem: Getty Images
Júlia Rocha

Mineira de Belo Horizonte, Júlia Rocha nasceu em uma família de músicos e médicos e decidiu conciliar as duas paixões também em sua vida. Tornou-se médica com a mesma naturalidade com que se tornou cantora. Júlia se apresenta como "especialista em gente, médica de família e comunidade".

05/08/2021 06h00

São muitas as razões para quem mora no Brasil seguir se protegendo com todos os recursos disponíveis. Contudo, a melhora dos números pandêmicos pode trazer descuidos que ainda não são razoáveis.

O recado hoje pretende ser bem didático. Se você não entendeu ainda o motivo de ter que seguir se protegendo com rigor, eu te explico.

Apesar de chatíssimas, máscaras são eficientes. Elas reduzem a transmissão viral de forma significativa, mesmo em pacientes sintomáticos.

Como já sabemos, pessoas que não aparentam estar infectadas podem ter a doença e podem transmiti-la. Usar máscaras mesmo sem sintomas reduz drasticamente este risco. Sobretudo se você usa máscaras adequadas e da forma correta, cobrindo boca e nariz.

Mas, afinal, por que usar máscara já tendo sido vacinado?

Já sabemos que as vacinas funcionam. Basta olhar os números de mortes por covid-19 caindo à medida que a vacinação avança. Contudo, já sabemos que nenhuma das vacinas é totalmente eficaz para evitar internações e mortes.

Este é um primeiro ponto. Quem vacinou ainda tem risco (muito menor, obviamente) de adoecer. Usar máscara protege, portanto, quem a usa.

Um segundo ponto é a proteção do outro! Pessoas vacinadas podem estar com a doença e transmitindo, mesmo sem nenhum sintoma. Neste caso, usar máscara protege toda a comunidade.

E, finalmente, um terceiro ponto, igualmente importante: é o fato de que uma taxa de transmissão menor e a consequente redução do número de infectados reduz as chances do surgimento de novas e mais perigosas variantes, que podem inclusive vir a escapar da imunidade conferida pelas vacinas.

Diante de um risco deste tamanho, a decisão mais adequada é somar proteções. Já fazemos isso com frequência em outras situações:

Usamos água tratada, lavamos os alimentos, higienizamos as mãos e construímos saneamento básico, mesmo sabendo que o remédio que mata o verme é ótimo.

Colocamos rede de proteção nas janelas e orientamos nossas crianças sobre os riscos mesmo sabendo que a ambulância chega rápido e que a emergência fica próxima!

Compramos carros com airbag, bons freios e respeitamos os limites de velocidade mesmo sabendo que cintos de segurança funcionam e salvam vidas.

Seguir usando máscara, se vacinando, evitando aglomerações e higienizando as mãos é um ato inteligente e amoroso de respeito e valorização da própria vida e da vida dos outros. Pense nisso.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL