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Júlia Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Agricultura que protege a natureza já existe e você pode se beneficiar dela

Júlia Rocha
Imagem: Júlia Rocha
Júlia Rocha

Mineira de Belo Horizonte, Júlia Rocha nasceu em uma família de músicos e médicos e decidiu conciliar as duas paixões também em sua vida. Tornou-se médica com a mesma naturalidade com que se tornou cantora. Júlia se apresenta como "especialista em gente, médica de família e comunidade".

28/07/2021 16h03

Imagine produzir coletivamente o alimento para a sua família e para as famílias da sua comunidade.

Imagine fazer isto em harmonia com a natureza, sem usar agrotóxicos, protegendo o bioma no qual a produção está inserida.

Imagine ter uma produção como esta, ambientalmente sustentável e socialmente justa, perto das cidades, otimizando os custos de transportes e incentivando o crescimento do modelo de produção agroflorestal e da agricultura familiar.

Este modelo de produção que desafia a lógica puramente mercantilista voltada para o lucro já é realidade em muitas cidades brasileiras e pode acessado por quem se interessar.

A estrutura de comercialização dos alimentos é feita a partir da formação de uma CSA - Comunidade que Sustenta a Agricultura. São grupos de produtores e coprodutores que formam a Comunidade que Sustenta que se unem para viabilizar a produção. Os coprodutores passam a contribuir com uma mensalidade que garante a remuneração justa do trabalho das famílias agricultoras.

Toda semana, cada integrante destes grandes coletivos recebe uma farta cesta de alimentos livres de agrotóxicos para alimentar sua família. Em tempos não pandêmicos, os coprodutores são convidados e até incentivados a conhecer os locais e os processos de produção. Crianças e adultos fazem festa e celebram a fartura que a terra respeitada em seus ciclos é capaz de oferecer!

Na maioria das organizações que trabalham com este modelo, há uma preocupação intensa com a redução da produção de resíduos e os produtores incentivam o uso de embalagens retornáveis, sacolas de pano, entre outras estratégias para tentar reduzir ainda mais o lixo gerado.

É comum também que as CSAs se organizem a partir do trabalho voluntário ou colaborativo de cada membro. São os coprodutores que muitas vezes ficam responsáveis pela distribuição dos produtos, pela gestão financeira e pelo trabalho de comunicação de cada CSA.

Mais do que fazer parte, as organizações comunitárias voltadas para a produção de alimentos nos fazem experimentar a sensação de sentir-se parte. O trabalho pelo bem comum traz para todo o grupo a noção de pertencimento. O objetivo final da produção está muito além do alimento ou do dinheiro que ele pode gerar. É o bem estar de todas as pessoas da comunidade que passa a estar acima de todos os interesses. O alimento passa a não ser tratado como uma mera mercadoria e nós não estamos alienados de todo o seu processo de produção.

Ao optar pela produção livre de agrotóxico, o grupo manifesta não somente uma preocupação com a saúde de quem consome mas também com a saúde de quem produz. É uma prática de um mundo diferente deste que nos é imposto. Um mundo que é melhor para mais pessoas do que o mundo do agronegócio, que nada emprega, que muito destrói e que pouco distribui.

A produção de alimentos através das agroflorestas e da agricultura familiar faz parte da construção de um mundo mais justo e saudável para todos. Um mundo que urge em nascer.

Busque a CSA que alimenta a sua cidade. Faça parte.

Em Belo Horizonte e Região Metropolitana, conheça a @csanossahorta

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL