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Júlia Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Um elefante sentado em sua mesa

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto
Júlia Rocha

Mineira de Belo Horizonte, Júlia Rocha nasceu em uma família de músicos e médicos e decidiu conciliar as duas paixões também em sua vida. Tornou-se médica com a mesma naturalidade com que se tornou cantora. Júlia se apresenta como "especialista em gente, médica de família e comunidade".

21/07/2021 06h00

Pedindo aqui um minutinho do seu dia. Um minutinho, mesmo. Parece esquisito mas eu queria que você parasse um pouquinho pra olhar pra sua mesa. Prometo que não vou tomar seu tempo.

Talvez ela não seja assim o móvel mais incrível, caro, resistente e maravilhoso do mundo mas é a sua mesa, certo? Vocês apoiam as panelas, os pratos, fazem refeições, conversam depois da janta. Família toda usa a pobrezinha em dia de festa, cervejinha, fritura, copo, garrafa. Nem bota uma toalha em cima pra proteger a coitada e ela tá lá. Firme e forte.

Seus filhos usam a mesa pra apoiar livro, computador, sacola de compra e a bonita não reclama. Não bambeia. Nunca te deixou na mão. Maravilhosa ela, certo?

Acontece que agora vai sentar um elefante de 4 toneladas em cima da sua velha mesa e ela vai se desfazer em mil pedacinhos. Óbvio! Onde já se viu uma mesa aguentar um elefante de 4 toneladas? Ela vai quebrar e não vai servir pra mais nada. Toda despedaçada no chão.

Aí, o que eu queria te dizer rapidamente é o seguinte. Mais dois minutinhos da sua atenção. A mesa é a sua saúde mental. O elefante é a grande palhaçada que foi a gestão da pandemia nesse país, compreendeu?

Você não é fraco. Você não precisa de antidepressivo, dois maços de cigarro e seis latinhas de cerveja pra conseguir suportar a sua vida. Você tava aí, vivendo e sendo feliz na medida do possível, mas ocorre que um elefante de quatro toneladas chamado governo liberal fascista do Jair Messias Bolsonaro sentou em cima de você.

O foco agora é respirar, se manter vivo, enquanto a luta popular faz força pra tirar esse elefante de cima.

E eu tô falando isso com todo respeito aos elefantes, viu, gente. Quero até pedir desculpas aí se algum elefante se sentiu ofendido. Cês tão cobertos de razão. Eu podia até ter falado 4 toneladas de soja transgênica, produzida em terra indígena desmatada, sei lá.

Nada contra a soja, especificamente. Dia 24 de julho estaremos na rua pra empurrar o elefante. Se você estiver respirando, vai lá ajudar a gente.

Beijos científicos e cheios de vontade de respirar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL