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Eduardo Carvalho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Atletas olímpicos ajudam a acreditar em sonho de um Brasil melhor

Fernanda Garay durante Brasil x Coreia do Sul, no vôlei feminino nos Jogos Olímpicos de Tóquio - Wander Roberto/COB
Fernanda Garay durante Brasil x Coreia do Sul, no vôlei feminino nos Jogos Olímpicos de Tóquio Imagem: Wander Roberto/COB
Eduardo Carvalho

Edu Carvalho é jornalista. Coleciona em sua bagagem de 22 anos participações em eventos como Onda Cidadã, a Bienal do Livro no Rio, Flip e Flup, mostrando seu trabalho ao retratar assuntos do dia-a-dia em sua escrita sobre o Rio e o Brasil. Indicado ao Prêmio Faz Diferença; Vencedor do Prêmio Vladimir Herzog em 2019. Atuou como integrante da equipe de criação do Conversa com Bial, série Segunda Chamada e foi repórter na CNN Brasil.

28/07/2021 06h00

Na coluna da semana passada, eu dizia que a distopia pesa e que viver tentando fugir dela é pior ainda. Estávamos a dois dias do início das Olimpíadas de Tóquio 2020, que acontece neste ano devido à pandemia do novo coronavírus.

Mas quando os fatos mudam, eu mudo de ideia. Você não? É claro, as coisas continuam ainda incertas e difíceis, tanto no pessoal como no profissional, mas com uma certa dose de ânimo frente ao que acontece a léguas de onde escrevo, sobretudo quando alguém de verde e amarelo está na competição.

Jurei a mim e a quem perguntasse que não teria tempo para assistir nenhuma modalidade. A realidade é que hoje, cinco dias após o despontar dos jogos, meu fuso está todo trocado. Já posso dizer que sinto o que Renata Lo Prete, apresentadora do Jornal da Globo, Erick Bang, na GloboNews e Muriel Porfiro, da CNN, sentem ao trabalhar na madrugada, além de todos os outros que labutam na não tão calada noite. Não que eu desconheça a carga horária, pois já bati ponto quando todos dormem, mas é que seria inimaginável que pudesse fazer isso por conta de... esporte.

Também atualizei a lista das coisas que quero voltar a fazer ou mesmo começar no período pós-pandemia. Escritos no caderninho, constam aprender a surfar como o medalha de ouro Ítalo Ferreira e Gabriel Medina; ser um bom judoca tal como Daniel Cargnin; arrasar no vôlei que nem Fernanda Garay e companhia no time feminino; flechar um gol como Paulinho, que a Exú saúda; andar de skate feito os heróis prateados Kelvin Hoefler e Rayssa Leal, essa última carinhosamente apelidada de ''Fadinha'', que já tinha me levado às lágrimas no papo que teve durante a abertura dos Jogos com o narrador Galvão Bueno.

A bem da verdade, o que me captou como telespectador é justamente sentir o prazer da vitória dos canarinhos em diferentes modalidades e com trajetórias tão bonitas. Brasileiros notáveis que constroem, apesar das dificuldades, rumos possíveis, reafirmando seus sonhos e desejos de uma vida melhor e, por quê não, real.

Muito diferente daqueles que nos representam atualmente nos mais altos cargos públicos ou fazem teses preconceituosas, violentas e negacionistas, e que acabam por queimar nossas lembranças de períodos honrosos e de felicidade coletiva, ainda que por pouco tempo, mas significativas. Eles, tal qual acontecido com estátuas de personalidades que atearam fogo em corpos negros e indígenas, deveriam ser apagados da história pelo poder e nunca mais retornar como citação na praça.

Já os que nos enchem de orgulho, fazem corar as bochechas e ter mais olheiras do que o combinado nesse período, merecem todos os aplausos, vivas e noites mal dormidas pelo alento que trazem em momentos de tanta insensibilidade e injustiça.

A eles, será incutido a culpa por um novo Edu em breve, já que até o fim das Olimpíadas, devo me tornar um pseudo/aspirante atleta. Que os novos ventos venham. Esporte é tudo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL