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Eduardo Carvalho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Pra onde foi a aclamada felicidade brasileira?

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Imagem: iStock
Eduardo Carvalho

Edu Carvalho é jornalista. Coleciona em sua bagagem de 22 anos participações em eventos como Onda Cidadã, a Bienal do Livro no Rio, Flip e Flup, mostrando seu trabalho ao retratar assuntos do dia-a-dia em sua escrita sobre o Rio e o Brasil. Indicado ao Prêmio Faz Diferença; Vencedor do Prêmio Vladimir Herzog em 2019. Atuou como integrante da equipe de criação do Conversa com Bial, série Segunda Chamada e foi repórter na CNN Brasil.

24/03/2021 06h00

"Exaustão". Acredito ser esse o estágio definido, em palavra, que contempla todos os brasileiros (ou quase todos, devo ressaltar) nesse momento do jogo. As águas de março vão fechando mais um verão, sob o ritmo de um vírus que nos tira a diversão praieira e o calor dos trópicos há um ano. Quem tem noção do real momento trocou a balada, o balde de cerveja na mesa e o encontro festivo com os amigos por mensagens nas redes, videoconferências e o que mais puder.

O cenário nunca esteve tão desolador: o ambiente que nos recepciona é o hospitalar, mais precisamente a UTI. Olhamos para os lados, tentamos ver saída, mas até pra isso falta ar. Sabendo, fomos lá e suportamos o insuportável.

Dentro de casa, uma reunião de traços que nos espanta. Envelhecemos mais rápido, cansamos mais cedo. O trabalho dobrou, o estresse foi potencializado vinte vezes mais e manter-se bem no meio disso tudo virou prova de resistência do BBB.

Pra onde foi, então, a aclamada felicidade brasileira, que conjuga churrasco na laje, samba na roda e o festejo de algum santo protetor?

A pergunta logo me é respondida com a divulgação do ranking World Happiness Report (Relatório da Felicidade Mundial), referido ao ano de 2020. Em 2019, nosso país (que era outro, mas não muito distante do que temos) estava na 29º posição, de acordo com a pontuação média. Agora, caímos doze casas e estagnamos no 41º lugar, entre as 95 nações que foram avaliadas. Quanto mais alto no ranking, mais feliz.

O relatório constata: nós, "os brasileiros", nunca fomos tão infelizes. O trabalho deste ano avaliou dois objetivos principais: o efeito da covid-19 na qualidade e estrutura de vida das pessoas e como governos de todo o mundo lidaram com a crise.

Os pesquisadores ressaltam, porém, que suas conclusões sobre o efeito da covid-19 na felicidade são provisórias, porque "a pandemia ainda está longe do fim".

Com a presença de representantes genocidas no poder, a triste marca cada vez mais perto de 300 mil mortes pelo coronavírus e a falta de comida na mesa de quem precisa, os impactos vão além do período pandêmico. Pensar o fim virou utopia.

De duas, uma: ou a felicidade por aqui nunca aconteceu ou ela, existindo - e sabendo de todas as notícias - não vai aparecer tão cedo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL