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É possível ter aulas mediadas por tecnologia na Educação Infantil

Débora Garofalo

Com foco em educação criativa, traz dicas e insights sobre como driblar obstáculos de falta de estrutura, tempo e material para encantar alunos e alunas na sala de aula

03/06/2020 04h00

Tenho recebido muitas mensagens de pais e também de professores sobre aulas mediadas por tecnologia durante a educação infantil. E as principais perguntas que recebo são: é possível ter aula mediada por tecnologia? É eficaz ao desenvolvimento da criança?

A educação infantil é uma etapa essencial no desenvolvimento da criança, um momento de muita descoberta em que é possível trabalhar o brincar estimulando o desenvolvimento social, cognitivo e motor. A fase é cercada de atividades concretas, exploratórias e de observação, em que a criança, atenta e questionadora, realiza não só atividades escolares mas também descobre um novo mundo que a cerca.

A tecnologia é uma propulsora a aprendizagem e precisa estar inserida nesta etapa da escolarização, no entanto, existe uma diferença entre o usar e o realizar uma aula totalmente mediada por tecnologia. É preciso levar em consideração uma série de questões, entre elas a construção da autonomia dos pequenos. Nesse momento de isolamento social, é preciso ter um conjunto de ações acordados entre a escola e os familiares para que as crianças possam se desenvolver. Cito algumas delas abaixo:

Flexibilização do tempo de aula

O tempo de aula deve ser adaptado a uma quantidade mínima por dia para que as crianças consigam acompanhar, já que pode ficar muito cansativo ter um total próximo e ou equivalente do que teriam na escola. Em muitos lugares as aulas são de 25 minutos, com um total de 1:25 minutos por dia.

Atividades

As atividades devem contemplar a contação de histórias, projetos mão na massa, que envolva sons, gostos, cores, expressão corporal, etc. Para que as crianças possam criar uma rotina de atividades e também desempenhar uma autonomia dos pais para realizarem as atividades propostas.

Família

A orientação e o diálogo com os familiares é a porta para o sucesso do processo de aprendizagem neste momento. É importante que a escola dê orientações claras e deixe explícito o papel do familiar: apoiar.

A orientação também deve acompanhar uma rotina de estudos para que os familiares possam se organizar e pensar em um revezamento para acompanhar os pequenos. Outro ponto importante é ter um canal de comunicação para ouvir as dificuldades enfrentadas pelos familiares, para que o processo possa ser revisto e aprimorado.

Habilidades socioemocionais

As crianças sentem muita falta da escola, dos colegas, das brincadeiras do ambiente... Trabalhar esses aspectos é essencial para que possam se sentir acolhidas e comecem a lidar com esse sentimento. As atividades com o trabalho do socioemocional podem prever brincadeiras, jogos, adivinhações, músicas, histórias, entre outros.

Todas essas ações são importantes para equilibrar o aprendizado, neste momento emergencial, trazendo segurança aos professores e aos familiares, mantendo uma rotina de estudos e preparando os pequenos para um eventual retorno, que já sabemos que não será de uma única vez, mas de uma maneira alternada e seguindo as normas de distanciamento social.

Um grande abraço e até a próxima semana.

Debora Garofalo