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O cuidado necessário com as aulas mediadas por tecnologia

Débora Garofalo

Com foco em educação criativa, traz dicas e insights sobre como driblar obstáculos de falta de estrutura, tempo e material para encantar alunos e alunas na sala de aula

20/05/2020 04h00

Com aulas mediadas por tecnologia é necessário redobrar a atenção para a quantidade de atividades transmitidas e acompanhar se os estudantes estão conseguindo ter acesso às informações e realizar as atividades propostas.

O Ministério da Educação (MEC) homologou que escolas de educação básica e instituições de ensino superior poderão distribuir a carga horária de 800 horas anuais para as etapas de educação infantil, ensino fundamental e médio em um período diferente dos 200 dias letivos previstos na legislação. Regulamentando o que muitos Estados já vinham realizando através de aulas mediadas por tecnologia.

No entanto, é preciso que todos os atores da educação tenham o cuidado com o planejamento, considerando que o formato presencial e o formato online são muito diferentes e podem ocasionar uma série de desconfortos a professores e estudantes. A seguir, apresentaremos alguns pontos a serem observados.

É importante redobrar a atenção para alguns aspectos que podem aparecer durante uma situação de aprendizagem e que causam uma série de transtornos, como também desestimular o aluno aos estudos.

Atividades propostas

A aula mediada por tecnologia pode se tornar muito cansativa, devido às condições dos estudantes e também pela quantidade de atividades, além de questões de infraestrutura. Na aula presencial, o professor consegue acompanhar de perto o desempenho dos estudantes. Na aula mediada por tecnologia, apesar de ter a interatividade, o professor não consegue acompanhar como o estudante está realizando essa atividade.

Tenho conversado com muitos estudantes que relatam dificuldades em acompanhar as aulas, devido a quantidade de atividades que tem para realizar e uma grade similar a presencial com tempos de duração de 4 horas, o que é preocupante.

É preciso ter um equilíbrio para não gerar angústias e dosar as atividades com momentos para conversar e dialogar com os mesmos sobre esse momento. O mesmo vale para os professores: é importante cuidar dos educadores e conversar sobre esse momento e a carga de trabalho.

Outro ponto de atenção é prestar atenção caso o aluno não queira abrir a câmera. Por trás dessa atitude, pode ter uma série de questões envolvidas que requer cuidado dos educadores.

Conteúdos

É preciso adaptar os conteúdos, sempre trazendo uma contextualização, um acolhimento, apresentando uma problematização e priorizar momentos de interação aos estudantes. É necessário apresentar os mesmos de uma outra maneira. Vale também falar sobre o momento atual, pois, muitos podem ser multiplicadores de informações dentro da família.

Orientação aos pais

É preciso estreitar os laços com os familiares e orientar os pais, de maneira clara e objetiva, de como apoiar na aprendizagem de seus filhos e como eles podem proceder em caso de dúvidas. Muitos também têm relatado dificuldades em acompanhar.

Também é preciso o olhar atento da escola para verificar se todos os estudantes estão conseguindo ter acesso às aulas e compreender e ofertar as aulas de outra maneira, quando identificado a dificuldade dos estudantes.

Saúde mental

Esse é um momento que é preciso reforçar os cuidados com a saúde mental. Todos nós estamos sofrendo com o isolamento social e precisamos conversar, dialogar sobre esse assunto. É importante que a escola promova esse diálogo com o corpo docente e estenda a estudantes e familiares.

Não existe uma receita de bolo para passarmos por esse momento, por isso, ter cuidado aos pequenos detalhes é essencial para que possamos superar as dificuldades e promover uma educação humanizada, integral e que não aumente as desigualdades sociais.

Um abraço carinhoso e até a próxima semana.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.