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Caio Magri


A responsabilidade de cada um de nós em tempos de coronavírus

Coronavírus covid-19 - iStock
Coronavírus covid-19 Imagem: iStock
Caio Magri

Com foco em responsabilidade social corporativa, aborda tanto as questões críticas quanto as boas práticas nas agendas das desigualdades, dos direitos humanos, de integridade e ética, e do meio ambiente. A fim de compartilhar a contribuição de diferentes atores sociais - empresas, academia, organizações e poder público ? em busca de uma sociedade sustentável e justa.

30/03/2020 15h13

No post anterior comentei sobre a responsabilidade social das empresas para enfrentar a crise provocada pela pandemia.
Me parece necessário dialogar um pouco da nossa responsabilidade individual, cidadã.

Estou confinado há 17 dias. Tempo para novos gestos e atitudes que têm sido importantes para a minha saúde mental e afetiva. Não quero sugerir novas regras sociais mas refletir sobre nosso papel como ser humano solidário neste momento.

(PS: Minhas desculpas antecipadas, mas não vou escrever com a necessária flexão de gêneros.)

Começo pela família estendida, aquela que inclui todos pelos quais temos amor e carinho especiais. É preciso muita empatia para cultivarmos as relações familiares saudáveis, e neste momento ela tem que ser muito maior.

Lembra daquela sua tia avó que mora longe e que você não visita há muito tempo? Aquela que te recebeu com muito carinho quando passou férias escolares e pode viver experiências reveladoras e inesquecíveis pela primeira vez longe de casa? Liga para ela! Pelo velho e bom telefone fixo. E jogue muito papo fora relembrando juntos as traquinagens e preocupações que provocou. E tenho certeza de que depois você fará muitas outras chamadas para pessoas importantes em sua vida. Tempo para isso não vai faltar.

Depois, pense nas pessoas que de alguma forma te auxiliam, te ajudam a fazer coisas que você não pode ou não sabe fazer sozinho e que agora estão isoladas, como você. Provavelmente muito mais aflitas e inseguras com o futuro. Estou falando da sua empregada doméstica, da sua diarista, da sua manicure, do professor de ginástica da academia, o feirante etc. Pessoas que vivem do trabalho que fazem para você, e claro muitas vezes para muitos outros. Mas não se preocupe com o que os outros vão fazer. Faça você!

Acredito que já deu uma longa parada para avaliar suas economias, seu orçamento para os próximos meses. Se não fez, por favor faça. Está empregado? Sua empresa manteve os empregos e os salários? Há redução de jornada e de salário? Você é autônomo e tem algumas economias que garantes os próximos meses? São grandes as incertezas mas se você está empregado, trabalhando de casa com salário integral, tenha certeza de que trabalha em uma empresa socialmente responsável. E isso é um pouco mais de tranquilidade para atravessar este tsunami.

Muito bem, você analisou sua situação econômica e lhe parece possível que, ao final das contas, vai ter algum recurso que pode ser usado no momento. Usado para que? Não tem shopping, não tem restaurante, nem viagem de lazer, nem balada. Claro, tem compras pela internet, mas você é um consumidor consciente e vai exercer sua opção do não-consumismo.
Então, contas feitas, o que fazer com parte do que tenho de saldo em meu orçamento?

O que acha de ligar para aquele cara da feira que te atende tão bem, escolhe a melhor alface, a melhor fruta e o melhor peixe do dia e perguntar para ele se tem jeito de receber pedidos de compras? E se não der, dizer que está disposto a manter parte dos gastos que fazia mensalmente na barraca e que depois que passar, porque vai passar, vocês acertam o futuro.

E se você fizer a mesma coisa com a manicure, que sempre conseguiu brecha para te atender no seu horário corrido e é muito competente no que faz. Avisa para ela que vai pagar as unhas e o pé que você fazia mensalmente pelos próximos 3 meses. E depois que passar, porque vai passar, vocês acertam o futuro.

E a sua diarista que sempre segura as pontas para deixar tudo como você pediu? Adianta para ela todas as diárias pelos próximos 3 meses e depois que passar, porque vai passar, vocês acertam o futuro.

Já conversou com sua empregada doméstica, que certamente não está mais trabalhando em sua casa, para garantir que vai transferir o salário integral no dia combinado pelos próximos 3 meses? E se passar antes, porque vai passar, vocês acertam o futuro. Certamente ela vai tirar esta preocupação da frente e cuidar melhor de si e de sua família.

E assim com todos que te ajudam a fazer as coisas que não pode ou não sabe fazer sozinho.

Responsabilidade social cidadã agora é a solidariedade do repartir, do compartilhar, se colocando no lugar do outro e se perguntando....

O que posso fazer por você?

Caio Magri