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Café com Dona Jacira

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Permita que eu me defenda

Café com Dona Jacira @ Permita que eu me defenda - Cláudio Irenio
Café com Dona Jacira @ Permita que eu me defenda Imagem: Cláudio Irenio
Dona Jacira

Jacira Roque de Oliveira, 52 anos, moradora do Jardim Cachoeira (Jardim Brasil Novo), periferia da Zona Norte, contadora das suas próprias memórias. Trabalha com a criação artística se utilizando de bordados, que contam sobre as diásporas africanas e as musicais, o patrimônio imaterial da humanidade, as histórias da cozinha de sua mãe e também do Jardim Tremembé. Atualmente, Dona Jacira também pinta, faz cerâmica, desenvolve o ofício de marcenaria, jardinagem com agricultura orgânica e a criação de bonecas; uma verdadeira detentora de tecnologias ancestrais.

08/08/2021 06h00

- Não, Dona Jacira, não é preciso.

- É sim!

Ela foi arrogante comigo por pré conceito.

- Aqui não é a sala da casa dela. Ela não pode dizer que estamos sendo punidas pelo Deus dela. Não aqui. Acha que porque estou sentada numa cadeira de hemodiálise abaixo da cintura dela, ela pode me subjugar, me reduzir a rebanho dela? Não pode. Foi arrogante sim, e eu vou chamar a chefia dela. Eu não descambo de lá do Cachoeira pra cá a toa, e acho que nenhum de nóiz está aqui pra nada, ou para ser desumanizado desta forma.

- Não Dona Jacira, não faça isso, ela está nervosa, é mulher, pode ser mãe.

- Sim, ela pode ser uma jararaca, uma roca de fuso, estar sentada em cima do ninho lá dela sim, mas aqui tem que ter postura não tem? A gente não tem que se adequar? Tomar banho, escovar os dentes, passar perfume, botar meia, sapato, brinco, pra se sentir bonito, alegrar o mundo da gente. Pra fazer valer a vida que a gente tem? Então, este é um propósito inclusive de boa educação, mas se tudo isso vem carregado de raiva, que beleza guarda? Deixar os maus costumes lá fora não é a regra principal? E recolhê-los quando sair? Pois bem, é todo mundo, todo grupo. De árvores e pedras da rua, todos temos que nos debruçar sobre a ordem dos lugares que frequentamos para manter a harmonia. Pelo menos foi o que minha mãe e minha comunidade sempre me ensinou, ou você se comporta ou… De onde eu venho, se ela me fala desta maneira eu já descompunha ela todinha, como dizia minha amiga Dulce, tirava dos cachorros, botava nela. Passava pimenta malagueta na língua dela.

- Hoje ela ia comungar sim, mas ia zoada das ideias pra aprender vivê. Pois espia só pra que hora são, é hora de se mancar. São sete horas da manhã, todos nós saímos de nossa cama cedo, certo? Médicos, enfermeiras, cuidadores, o turno da zeladoria, administradores, o pipoqueiro, tapioqueiro, o guarda de trânsito, etc. Inclusive tem gente que passou a noite aqui, cuidando do setor para tudo funcionar direitinho, é ou não é? Para que a paz continue reinando, é preciso preservá-la, to errada? E ninguém me faltou com respeito até agora, nem eu com outra pessoa.

- Mas pode ser que ela tenha tido uma noite ruim, a senhora não acha?

- Acho sim, e neste mês ela tem tido uma noite ruim atrás da outra, sempre que está de plantão. Me diga um dia que ela não esta carranca, entoando o seu louvor e olhando pra gente com cara de capitão do mato. Hoje ela vai ter que procurar a rodia dela, lá onde o pote dela se partiu e juntar os cacos.

- Dá uma nova chance Dona Jacira, Jesus mesmo deu a outra face.

- Deu porque a face era dele, a minha tá calejada, cansei de apanhar calada. Esta senhora faz isso sempre, não é a primeira vez que ela nos agride, com o olhar e fala dela. E eu sei que vocês são da mesma congregação, já eu de torço e conta no pescoço sou alguém que merece castigo. A forma dela servir, sempre mal-humorada com falta de educação. E toda vez que alguém reclama ela dá o veredito: você não tem Jesus no coração. É mentira? Hoje não vai passar, por meu pai Exu, hoje ela não vai sambar no meu tabuleiro. Nesta ciranda ela não roda. Hoje não, hoje eu não saio daqui com este caroço na goela. É errado não se defender, a vida já me dá muito banzo pra resolver. Desta vez ela pagou pra ver, e vai ver. A culpa é sua porque com este seu librianismo, este espírito zodiacal de elemento de ligação, sempre querendo pôr panos quentes, com este sorriso caliente grandão. Você é da turma do deixa disso né, eu sou, às vezes. Hoje amanheci com o tabuleiro emborcado. Então o vento deu na calha, a pipa vai voar.

Eu não venho aqui pra ser destratada, se eu estiver errada que venha a bronca, pode descer a lenha. Mas tenho meus direitos, e hoje eu vou cobrar, que o combinado não sai caro, ela me deve, vai me pagar. Aliás tá devendo a muita gente aqui, não é de hoje que ela emborca o lanche das pessoas no lixo pra não dar um segundo pãozinho a quem pede. Até você já rodou nesta ruindade dela.

Antes da contenda, naquela hora estava tudo tão calmo que falávamos de Antígona, chegamos ao fim, desfechando na história das Harpias. As harpias são enviadas e protegidas pelos deuses para perseguir e defecar sobre as comidas, ou sobre o que os sustenta. Acho que as Harpias estavam ali em energia, metaforicamente falando, o que nos sustenta é o que fertiliza-nos. Aquilo que mata a nossa fome, que alimenta o ego. Eu sinto fome de livros bons, arte em geral e sentidos, porque se fertilizam em mim; São meu alimento, nutrem meu espírito. Pra mim é o sentir da existência me dizendo: Eu estou aqui, e flui.

Eu me levanto, me arrumo como se eu fosse passear, e sento pra receber as intuições que recebo. É uma forma de reverenciar os deuses da minha lei e saciar minha fome no mundo, sou multidisciplinar como dizem.

Dos fazeres e saberes,

Qual é a sua fome?

Decifra-me ou te devoro.

Reconheça que você tem fome?

As harpias pedem reconhecimento.

Ao se reconhecer, você descobre o outro.

As peças se encaixam.

Daí está decifrado o enigma.

Me reconheça ou eu vou cagar em você.

Até que me reconheça.

É da lei da natureza que a dívida anoiteça e amanheça com o devedor, até que seja paga. Pra isso, mitologicamente falando, é preciso dar altar às nossas vontades e necessidades. Botei um altar e coloquei ali minha indignação com tudo o que havia acontecido, e que inclusive não era a primeira vez. Lembrando que de manhã estou em sintonia com a terra, estou aberta a negociação, de tarde talvez, estou cansada. Sinto o pulsar das minhas veias, ouço os pássaros, as águas, sinto e escrevo. Doze horas depois, estou cansada, meu horário de poder se manifesta de manhã, eu me conheço.

Naquele mesmo dia, uma sexta-feira, acordei 3h30 da manhã, e tomei banho. Subi para cozinhar, fiz meu café. Enquanto a água fervia arrumei o que levaria pra hemodiálise. Pra minha amiga preparei caponata, eu prometi a ela que levaria, ela tem um nome diferente, é uma mulher, aquilo que se chama de mulherão, pois ela é grande. Negra, idade a definir, depende, mulher tem a idade que quer ter, dúvidas? Temos uma questão comum que faz com que nossos caminhos se cruzem quase todos os dias, somos renais crônicas, mas não somos só isso, não.

Ela é casada e evangélica, tem uma filhinha, mora na Zona Leste e está cursando direito. Eu, esta que vos fala, sou a Dona Jacira, formada em desenvolvimento humano (sou mãe), espiritualizada, moro na Zona Norte, sou autodidata, negra, escritora e pesquisadora da diáspora africana. Pronto já apresentei ela e a mim.

Ela é minha companheira de tratamento. Dializamos das 6 às 8, tem um particular dela que não falei, o sorriso. Ela, assim como uma enfermeira em particular que cuida da gente e com a qual fazemos panelinha, você sabe o que é panelinha, né? É aquilo que a mãe da gente nunca nos permite fazer e a gente faz e diz que nunca vai proibir os filhos de fazer, depois a gente reproduz o costume, MINTO!

As duas dão risada de tudo, ou de quase tudo, eu penso que é porque são librianas, eu acho. E o que eu acho é achado meu, você inclusive pode discordar, pode achar o que quiser, e o que achar é seu. Falam com todo mundo, e pra tudo fazem festa, este é o meu parecer mas deixo você livre pra pensar o que quiser.

Sou deste tipo de gente que acredita na liberdade de pensamento. Ah! Sou capricorniana, tipo de gente que veio ao mundo para observar. Sou guardiã de histórias, e de sementes, e de tesouros como boas amizades. Farelinhos de boa vontade, coisas que a meu ver fazem o mundo ficar melhor, mas não permitam que eu me afaste da sexta-feira, do dia em questão.

Corria tudo pela ordem, ela chegou e já dializando, fez o de sempre, estava estudando on-line. Quando chegou o nosso lanche, minha amiga que estava estudando, abriu um sorriso, quem a conhece sabe, ela faz isso, é libriana como já disse, libriano ri atoa. Isto é o que diz o zodíaco, ou mente?

Eu que sou capricorniana e observadora, todo mundo sabe e quem não sabe que fique sabendo. Eu olhei pra ela e disse: nada, ela sorriu! Pronto deu-se a contenda, a copeira tomou meu olhar como ofensa, inflamou o peito feito pomba e disse:

- EU SEI SORRIR!

No que eu respondi:

- Não é com a senhora.

No que ela se arrepiou pro meu lado dizendo:

- Eu sei sorrir sim! Não me entendeu?

Novamente eu expliquei a ela:

- Moça, o olhar é com minha amiga, não é com você.

Aí expliquei o fato dela, do sorriso da minha amiga, toda vez que vê comida. Aí a moça da copa, de peito inflamado e arrepiando, aumentou o tom de voz e se remetendo a minha amiga completou dizendo:

- Sabe, é que tem gente que sabe agradecer a Deus pelo alimento!

PRONTO ALI ELA JOGOU A OPINIÃO DELA NA MINHA CARA. E merda no ventilador, chamou as harpias. Vendo que minha fala era pouca, que a moça não queria entender, minha amiga se propôs a explicar, desta vez pela quarta vez.

- Senhora, ela está falando de mim, não é da senhora.

Ela não quis entender, pegou o carrinho de lanche com as duas mãos e saiu pela sala espalhando discórdia. Ia passando, ia desestabilizando o ambiente e armando contenda, onde passava um fogo se acendia. Sabe quando o dia está lindo no mês de setembro e de repente vem um temporal vendavalizando tudo, varrendo o universo? ENTÃO FOI ASSIM. O vento sopra o fogo que cresce.

E quando ela terminou de servir, ou melhor, mal servir a comida, e sair da sala, as pessoas que estavam com fome de alimento agora estavam com sede de vingança. Foi uma mudança brusca, ali, bem ali, naquela hora, tivéssemos armas e farda poderíamos ter conclamado a terceira guerra mundial. Que neste mundo cheio de mal entendidos basta que alguém jogue feito pedra a primeira palavra.

Agora o meu parecer, esta senhora já é nossa conhecida por exercer sua função como quem vai ao calvário, como muita gente que sai de casa como quem vai ao sacrifício, de cara amarrada, mal-educada como se aqui no quinto andar do HC, viesse em pleno descontentamento de sua pessoa.

Agora me diga, quem tem uma patologia como a nossa que precisa vir todo dia ao hospital pode maltratar alguém? Claro que não. Funcionário pode? Não. Daqui deve sair o seu sustento, acredito eu. Mas pode ser que não goste do que faça, então amanhece de mau humor, pode ser também que tenha nascido de mau humor, ou que fora deitada no ventre da vida de bruço e ainda não desvirou. Acontece que o horário da refeição é sagrado e precisa ser respeitado. Outra coisa, não sei o que move o pensar dela, mas visivelmente sua conduta religiosa é fundamentalista, dessas que adoram dar lição de moral em praça pública, e acredita que está a serviço de Deus, quando tenta reprimir o pensamento alheio.

Às vezes corações que creem em Deus são mais duros que os ateus, ou ainda, não gostam de ser copeira. Seria ela uma pastora que está ali a contragosto, por vontade divina? Foi o que eu disse lá no início, quando falei que não estamos ali por acaso. Nós estamos por conta do tratamento, ela por causa da missão, que a meu ver, deveria ser a de copeira. A outra ela pode exercer onde bem quiser, inclusive depois do trabalho, porque religião quer dizer religar, não quer dizer meu Deus te condena e eu te trato mal por isso. O que conta bastante quando ela disse da forma de agradecer o pão sorrindo ou não.

Quando eu olhei para o sorriso de minha amiga acho que bateu nela o fato de estar sempre de cara amarrada e ser grossa, e ser mal educada.

Aquilo bateu na cara dela e no ib dizendo: Você não sorri. Ela se negou me entender, porque a voz dentro dela gritava pra ela: Você não sorri, você não é educada, você não está feliz? Você precisa rever os teus conceitos, mulher de pouca fé. Todos nós estamos em luta, todos. A gente sabe o que os olhares dizem sobre a gente? Levando em conta que ela já reprimiu minhas vestimentas com o olhar.

Eu me visto diferente, os intolerantes quando querem dizer feio ou cafona ou coisa de preto, dizem estilosa. Não me importo, sei o que sou e o que gosto.

Esta senhora foi minha algoz por alguns segundos, sendo arrogante com outra mulher negra que está ali sentada e que ela não conhece. Comportamento muito comum em pessoas que fazem o que não gostam ou estão com problemas e não sabem resolver, não sabe dizer "não estou satisfeito, vou mudar de vida".

É difícil afrontar o destino e mudar, é difícil encarar a chefia e dizer que quer fazer outra coisa. Por que esta outra coisa pode ser pior, ao me ver ali em situação de gente que precisa de tratamento, pensa que estou tão vulnerável que ela ali pode sambar no meu cadáver, que não tenho nada a tirar dela. Pessoas que são reprimidas fazendo o que não gostam de fazer, reprime aqueles, que ao ver dela, estão em nível inferior a ela, é o oprimido sendo opressor. O que ela não sabe é que apesar da patologia, sou muito feliz, sou a Dona Jacira, repito, conhecedora de mim, pesquisadora da diáspora de seus ancestrais, autodidata, etc. Eu estudo a mim mesma, e negra e lúpica e tantas coisas mais.

Eu chamei a chefia dela, Minha amiga teve dó, disse:

- Não Dona Jacira, não é preciso.

- É SIM! Pelas minhas contas já tem bem muitos anos que esta senhora nos serve, e serve mal, como se tivesse servindo pagãos condenados no calabouço às vésperas do sacrifício. A gente reclama entre a gente e deixa pra lá exatamente pela frase dela, somos todos filhos de Deus, somos todos humanos, somos todos iguais, não. Minha humanidade não é inegociável, respeito e quero respeito como via de troca. A que Deus ela se refere? Eu sou filha de Iansã, sou capricorniana, não canso de dizer, e sou humana. Quantas vezes já vi gente aqui chorar na hora do lanche por causa dela. Vai chegar o dia que ela vai chegar na porta, jogar o lanche, e sair. Você é legal, porque ela vai com a sua cara e sempre te recompensa com o lanche de outra pessoa, eu sou sangue no zoio.

Reclamei com classe, como deve ser feito, com respeito. Posso não gostar e reclamar, sem ofender ou dizer que ela precisa crer em Exu como eu. Orixá só quer ao lado dele quem quiser estar ao lado dele. Nossa maior luta nem sempre é com o ser maior na figura do governo, mas sim com a estrutura, o crivo no olho do meu irmão que não me respeita, porque não se respeita. Não espero, com isso, mudar o caminho dela, só quero que me respeite. Muita gente passa por isso por todo lugar, onde precisa ir várias vezes, até é injusto.

Balançar o tabuleiro da gente na hora de comer, é cuspir no progresso da humanidade, servir uma refeição como uma harpia servindo e sobrevoando excremento de discórdia numa hora tão sagrada, eu agradeço e prezo a hora de comer, foi o que disse a nutricionista, as outras pessoas reforçaram a queixa. E ela deve ter sido repatriada para outro lugar, já que não tornou a aparecer na sala no nosso horário.

FOI ISTO O QUE CONVERSAMOS NA MITOLOGIA NA QUINTA-FEIRA. AS HARPIAS SÃO UM MAL NECESSÁRIO, PORQUE ESPERAM SER RECONHECIDAS PELAS SUAS VIRTUDES. ENQUANTO ISSO VÃO SOBRE VOANDO BANQUETES, ESTRAGANDO REFEIÇÕES.

Se a busca é por reconhecimento, esta é a minha luta, UBUNTU! Seria bom se tudo tivesse terminado aqui, a sala ficou confusa, todos falavam ao mesmo tempo, pensamentos enroscados e guardados explodiram ali. Era o contrário, o vento sudoeste fazendo vendaval dentro da cabeça de cada um, tem gente que tem medo de reclamar e perder o direito a ter o lanche, mas suba lá em cima comigo. Comecei dizendo que enquanto a água do café fervia eu arrumei a caponata pra levar pra quem? Pra minha amiga, era pra ter acabado aqui, aí entra a secretaria da hemodiálise, a quem eu pedi ajuda pra que a caponata chegasse até as mãos de minha amiga, ao ver o pote ela olhou com estranheza e perguntou:

- O que é isso?

- Caponata!

Ela torceu o nariz, debochada, perguntando:

- O quê?

Ai eu falei;

- É uma forma de fazer berinjela sem ser...

Eu diria empanada, mas não consegui. A mau educada exclamou:

- Ah! Tô cansada de cozinhar berinjela e ela se chama berinjela.

Aí eu fechei. Cara, assim do nada a mulher fez da minha caponata, um cozidinho sem vergonha de berinjelas. É ou não é desmerecer o outro? Como dizia minha bisa, pra encontrar com o cão não precisa ir longe.

A receita da Caponata da Dona Jacira

Primeira parte

Ingredientes:

1 Berinjela

2 Tomates

1 Cebola

2 Dentes de alho

1 Pimentão

Como fazer:

Numa frigideira, que deve estar no fogo com ele aceso, coloque um pouco de óleo, corte a cebola e bote para refogar. Em seguida os dentes de alho, os dois. Depois a berinjela cortada em quadrados grandes, eu gosto assim, mas o tamanho é opcional. Após isso corte o tomate e o coloque lá.

Sempre mexendo devagar para que tudo vá cozinhando. Não colocar água, se pegar no fundo, abaixe o fogo e mexa. Quando colocar o tomate e o pimentão, naturalmente juntará água no fundo, não abandone o cozido, mexa! Tudo irá se misturando, não esqueça dos temperos. Coloque pouco sal.

Segunda parte

Ingredientes:

Salsa

Manjericão

Manjerona

Orégano

Hortelã

Salsão

Azeite de oliva

Tudo deve estar já picado, assim que apagar o fogo coloque junto e mexa. O perfume é inesquecível, principalmente porque Dona Jacira tem jardim de ervas, onde tudo é colhido no momento, opera maravilhas. Nesta fase, coloque o óleo de azeite. Quem conhece caponata, sabe que ela fica boa regada com azeite de boa qualidade.

Terceira parte é opcional, por quê? É onde Dona Jacira troca ingredientes a seu bel prazer e de quem ela vai servir.

Ingredientes:

6 Castanhas do Pará

Algumas uvas passas

3 Macadâmias

4 Nozes

Azeitonas (às vezes)

2 Colheres de Cuzcuz Marroquino previamente germinado.

1 Colher de café de painço

Um pouquinho de gergelim.

Não é bom usar sementes sem germinar antes, mas só se você quiser. Faça com muito carinho, espere esfriar, coloque em vasilha de vidro e deixe na geladeira.

Dona Jacira gosta com pão e com macarrão, mas seus amigos gostam de vários jeitos. E é Dona Jacira que diz, é bem mais feliz quem tem um bom motivo pra viver e que o sorriso enfeita a vida.

Jacira

Guardiã de sementes e de tesouros.

Esta estória aconteceu há bastante tempo, muita gente que estava aqui neste dia já seguiu seu destino. O ano era 2016 e eu disse a Sumaya: Eu vou escrever tudinho num papel, assim que alguém me aceitar como escritora, vou contar pra mais gente, são nossas estórias reais. Obrigado por me permitir Ecoa e Lab Fantasma.

Axé

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL