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Café com Dona Jacira

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Dona Cida, a costureira

Victor Balde
Imagem: Victor Balde
Dona Jacira

Jacira Roque de Oliveira, 52 anos, moradora do Jardim Cachoeira (Jardim Brasil Novo), periferia da Zona Norte, contadora das suas próprias memórias. Trabalha com a criação artística se utilizando de bordados, que contam sobre as diásporas africanas e as musicais, o patrimônio imaterial da humanidade, as histórias da cozinha de sua mãe e também do Jardim Tremembé. Atualmente, Dona Jacira também pinta, faz cerâmica, desenvolve o ofício de marcenaria, jardinagem com agricultura orgânica e a criação de bonecas; uma verdadeira detentora de tecnologias ancestrais.

11/04/2021 06h00

Hoje é domingo
Dia de pôr roupa bonita
Poderia ser Natal
Sexta da Paixão
Dias de pôr roupa bonita e pronto, ir ao mundo mostrar o que tenho.
O clube, a igreja, tem quem exija enfeite até pra feira e hospital
Parece um simples conforto, mas é passaporte, status, biografia.
Esta lei foi criada quando alguém inventou que nem todo mundo é bonito.
Coisa que não acredito.
Estes dias separam quem tem, quem pode, de quem não.
A terra traz ideia de humanidade
A religião, não.

Alegorias à parte
Falando sem desperdício
Segundo o mestre Bunseki Fu-Kiau
Incluindo palavra e pão
A vida se baseia naquilo que eu cubro a pele
No que me alimento
Dos panos que me visto.
Pra cada um destes costumes ou rito
Tem um compromisso
Alguém precisa fazê
Alguém precisa ensiná
Pra alguém aprendê
Isto é ofício

Sabe como descobri isso, vivendo
De déu em déu, de lua em lua
Me alimentando dos escritos

Dom está relacionado ao ofício.
-Por que você nunca tem roupa bonita?

Pergunta o bonito, o escolhido, o iluminado, a pessoa dita de bem, aquele que deus caucasiano nunca castiga, só o tempo mesmo.
Talvez faça reparação, mas que fique escuro, que dependendo caso ele esteja acima da lei e da ordem, que por estar cercado de subalternidades talvez nem se dê conta.
Ai só mesmo a distância melhora a vista da gente.
Deste incompetente
Quanto mais longe melhor, destes escolhidos.
A divisão do mundo por território fez isso conosco, tirou-nos a dignidade.
O preço é perder a humanidade também.
O ofício se faz necessário.
Nenhum vivente vive sem cumê.
Pelado pode ficar, até consegue.
Mas até a alma tem de estar calibrada.
Todo espírito precisa de um canto sagrado, um ponto, um canto pra se alimentar
Coisa que só uma comunidade bem nutrida pode compartilhar
Acender um sol é laborar!

Chamem de labor, dom, labuta
Eu chamo ofício, insisto
Que no início é brincadeira
Coisa que qualquer menino faz
Brincar de esconde-esconde
Pipa, pião, corre cotia
Pular fogueira
Parece besteira eu sei
Brincar nos ensina regras
Que vamos usar no ofício
Até o derradeiro dia

Quando a gente é concebido
Zambi dá o dom
A comunidade deixando a gente brincar
Organiza, humaniza e ensina o serviço
Aí a gente cresce
A gente vai trabalhar
Naquilo que a comunidade precisa
Pra galgar a vida.
Quem cozinha, curte o couro, tece um pano, borda, escova, faz um pote, conta um mote está na lida.
As mãos quando veem a matéria se põe a trabalhar então lida é ofício.

As religiões afroindigenadescendente
Ensinam a todo momento esta arte do bem viver.
Festa, trabalho, pão.
Colheitas que elevam e enriquecem uma nação.
Ecologia, repito, ensina mais que religião.

Pois num tá lá nas escrituras a escrita que a mulher tem de obedecer
O homem acima de tudo, o branco
Isto aí tá é muito errado.
Quem inventou este disparate?
Alguém que não gostava de trabalhar.
Sem coragem.

Cá no bairro dizem que quem não tem foi excluído por Deus
Tem pecado, carma, tá repreendido
Estas coisas do inimigo, que alguns ritos alimentam
Te lembra algo?
Lembra a cartilha Caminho Suave
Que nunca chegava
A diretora mandando ficar de pé e dizendo:
Cabo de enxada
Vassoura, rodo
A escola não é pra você.
Escola é pra quem quer aprender
Você nem consegue trazer o que precisa
Nem lápis de colorir você tem
E que ninguém lhe empreste
Cada um usa o que tem
Quem vem sem, não traz
Que fique sem.

Lembra o coelhinho, a menina do laço de fita
Que tristemente só por ser branco
Não precisa de uma roupa especial
Que lhe deixe bonito
Ele é bonito como nasceu, e pronto!

Quem em sã consciência
Ou em consciência insana
Nunca leu este coelhinho
Que de racista nada e tudo tinha
Afinal é só um bichinho bem branquinho
E uma menininha negra eu acho
Que tudo o que tinha de bonita
Era o seu vestido de chita
E o laço de fita

Nossa que disparate
Diz a moça distraída
Esta negra exagerada
Com certeza mal-amada
Bem cheia de destempero
Tá aqui de mimimi
Nunca estudou direito
Nem deu orgulho a ninguém
Agora quer fazer média
Esta desenxabida
Botando abertas feridas
Na graça que o coelhinho tem.
Querendo dizer que o branco coelho tá errado

Ora que desastroso seria,
Não é mesmo minha senhora
Um Deus assim tão vivido
O que não é, é esquecido
Vinde a mim os fortes, os mansos, as crianças e os bem-aventurados.
Teu presente, teu chocolate, teu pecado da resguardado
O que é teu tá guardado.
De ofício a manufatura a industrializado
Quem a pátria socorre tem
Os outros coitados

E que o inferno o pré-datado
O poder tributário
O SCPC
A baixa da égua de conta
De todo aquele que nem tem com o que se portar ou pagar suas contas.
Entre os bem-aventurados, e aqueles que a cristandade considera pecador.
Porque não tem com o que vestir, ou por sobre a pele
E não se enquadra na igreja, agora você veja
Os homossexuais, os pobres, os negros, as mulheres e o capataz.
A diversidade.

Desculpa, gente, fiz um rodeio danado
Pra enganar vossa pessoa e pra fazê-lo pensar
Sobre o lugar onde hoje estamos
E onde gostaríamos de estar
De tudo o que citei acima
Nem tudo isso eu vivi
Que já gritei pra todos os cantos
Que mãe tinha dois empregos

Então nestes dias de beijar santo
E pôr o nome na lista de Deus
Eu sempre estava presente
Minha mãe era nossa avalista
Mas aqui venho pra contar que
Naquele tempo cá no Ataliba
Não existia outro mundo além do nosso
E mesmo assim, nosso mundo só ia até a Pedreira
Acabava em pé de serra

Ai no meu pé de serra deixei ficar meu coração...
Diz a música.

Tínhamos aqui nossa mestra em ofício, Dona Cida, que era entre tantas coisas a costureira que só foi derrubada quando o Índigo Blue entrou na parada.
Chegou na televisão.
Antigamente o trabalho da mulher era casar.
E ela precisava ter habilidades pra ser uma dona de casa que já naquele tempo era considerado nada, mesmo repleta de ofício
Mulher nunca faz nada, diziam os incautos.
Muito embora as mulheres sustentavam as famílias com este nada fazer.
Fazer molho, massa, pão, biscoito, doce, domar o amido, sovar a massa, costurar, matar uma ave, fritar um toucinho, fazer um bombocado.
Era o que se chamava fazer nada.
Ao homem cabia a escrita
Mulheres não podiam ter credibilidade escrevendo, por exemplo.
Neste tempo, um terreno era registrado no nome do homem, a mulher não tinha direito a ter direitos.
Tardiamente se descobria quem dividiu o mundo em lotes e territórios desiguais e separou tudo do jeito que bem quis.
Deus assim escreveu na (bíblia) dizem
"Tua mulher será submissa ao varão teu marido."
Dizem

A cada dia eu sinto um asco por este tal vestido de missa de festa, ora esta.
Mas neste mundo que o dinheiro a tudo dá jeito.
Faz desocupado bater no peito sem nunca ter dado um prego numa barra de sabão.
Mas quem tem boca fala o que quer
E quem quiser que acredite ou não

Neste mundo nunca se tirou um tempinho pra dizer como o dinheiro é ganho em muitos lugares.
Só se consegue dizer quem tem poderes sobre ele, como ele é gasto.
Ainda vamos abrir uma lacuna pra dar voz aos que perderam a guerra e por quê.

Eu aqui lembrando meu amigo Ermi Panzo, que grita em sua poesia, pra quem quiser ouvir:
"DISSERAM A MINHA MÃE QUE EU NÃO SEREI NINGUÉM!"
Digo
Mentiram, quebraram a cara comigo.
Eu nasci pra os escritos, pra honrar a oralidade, por isto eu sou da observação aqui.
Veio mostrar um cadinho do meu ofício, meu dom, minha profissão sonho.
Coisas que aconteciam eu olhava guardava uma voz me dizia:
Guarde pra contar noutro dia.

Era assim:
A mãe dizia que a gente deveria ir em tal dia a casa de Dona Cida.

A gente pela rua de terra chutando lata, fazendo gracejo, empinando pipa, paquerando.
Em lotes divididos por idade a frenteiam os mais velhos, os irmãos do meio e a gente os cafés com leite.
Em bando, rebanhados, divididos por lote de família, e aqui todo mundo sabia onde a gente ia dar.
A gente ia chegando e ficando, ela já sabia o que a gente ia buscar.
Dona Cida nem perguntava, esticava logo o lastro de metro e meio de fita e enfileirava o grupo dizendo:
Fiz de Maria
Fiz de Antonia
Fiz de Luzia
Ali, ela muito da esperta, separava a curriola, media, escrevia, entregava ao mais velho e dizia:
"Entregue a sua mãe, ai tem tudo o que preciso, diga a ela que costuro por ordem de chegada do lote de aviamentos, se demorar fica de fora".
Pensa que era só isso?
Era nada.
Tudo se concretizava nas trezenas, fogueiras, espaços dominicais, feira.
Que mesmo quem trabalhava recebia o grupo de oração que ia de casa em casa.
Assim tudo era amarrado, sacramentado, acertado e conduzido.
Quem estivesse fora deste contexto passava as festas mau amanhado.
Que tudo que é santo por mais que viva no ócio pendurado em altar de igreja ou assentado em qualquer terreiro, pra qualquer situação ele é o avalista.
E abaixo de Deus que sempre usa a mesma veste e das santas que vivem com os peitos de fora.
Faz tempo que não entro em igreja, se está coberto é por agora.
Mas quero dizer, que o que sempre achei bonito numa sacristia, os peitos fartos das mulheres.
Grupo de oração é pra rezar, acertar as coisas, falar de comida, fechar as contas.
Dentro de um grupo depois da oração, tem a hora do negócio.
Bem medido e bem pesado, reservando o do santo pra cada lado
Que o combinado não sai caro.
E assim, quando o cristianismo varreu e baniu os ritos primitivos da bíblia, ele decidiu Quem daí por diante iria trabalhar ser gasto virar um exército de reserva.
E quem ia ter boa vida.
E de novo eu digo, bem medido e bem pesado.
Alguém tem que sofrer pra alguém viver abastado.
Se eu estiver lhe aborrecendo com esta conversa fiada vire a página
Não perca seu tempo com esta lida manjada, se for um explorador ela vai dar em nada.
Um dia tudo se ajeita, ninguém sai sem pagar o devido.
Porque eu no caminho aprendi que a dívida é do devedor até que ele pague.

De repente
Os filhos e filhas mais velhas começaram trabalhar e tiveram voz de escolha.
A freguesia encolheu, porque os irmãos mais velhos começaram na lida e lá eles trouxeram pra cá informação de um outro mundo.
Com apetrechos que a gente nunca que conhecia, mas que ao conhecer percebeu que não podia mais viver sem.
Libertaram a comida, depois a moda, escrita
Só aí a gente pois reparo e defeito no ofício de Dona Cida, coitada dela que achava que num devia nada a ninguém.

Aconteceu com muita gente
Que era bom no que fazia, tinha freguesia, alguém logo botava um defeito jogava areia no recheio
Eu fui expulsa da escola.
Com Dona Cida não foi diferente, hoje lembrando aqui me recordo sem saudade daquele tempo.
Tem coisa que a gente ouvia da boca da própria freguesia.
Ela rouba no pano.
Ela usa pedaço de lençol velho.
A linha é ordinária.
Tudo era pensado com base na economia, a vida sempre andou pela hora da morte em termos de carestia.
Lembro que teve um ano que mãe comprou a fazenda (tecido) da mesma cor pra nóiz cinco.
Porque o moço deu desconto, mas só tinha rosa choque.
Era aquela cor e pronto.
Coletinho e calça pantalona para os meninos e as meninas
Depois se queixou que as cores estavam indecentes
A pessoa compra tudo igual e queria que saísse diferente.
E Dona Cida pagou o pato como você vai ler de agora pra frente.

Um rito de mestre e ofício

Dona Cida a costureira
Da nossa vila querida
Era a mulher mais prendada
Pra calça, saia e bermuda
Cortava, costurava e chuleava como ninguém
Media tudo direitinho
Media braço
Perna, pescoço, joelho
Mas diziam que cada metro dela
Media um metro e meio
Depende do vai e vem

Certo ano minha mãe
Não querendo ela mesma
Vestir os filhos que fez
Chamou Dona Cida e disse:
-Vista todos de uma vez
Foi dizendo sem gaguejar:
-Cida, vista estes meninos
Que vou receber parentes
Não quero que esta gente
Saia falando mau
Dizendo que meus menino
No Natal veste mulambo
Cê sabe como é parente
Quando chega vem contente
Mas não sai sem reparar
Dependendo de quem vem
Chega até dá azar
Você mede direitinho
No correr da fita métrica
Tem piedade de mim
Não me esfole o bolso
Some bem direitinho
Que é pra ver quanto é que dá
Costure bem na berinha
Pra mó de o pano rendê
Daí eu economizo
E você vai lucrá.
Pode fazê tudo igual
E da mesma cor também
Minino num tem vontade
Luxo não há de ter também

Dona Cida foi dizendo
-Assim a senhora me lasca
Seu visto suas crianças.
Como a senhora tá dizendo
Do jeito que tá pedindo
E eles sair na rua
Todo mundo vai olhá
Vai acha é muito do feio
E aí no ano que entrá

Eu vou ficar sem freguês
Pra quem eu vou costurar?
Minha família o que comê?
Meu home onde vai luxá?

-Ah!
Com isto nem se preocupe
Que a senhora se arranja
Que quando qué faz direito
Quando não, esculhamba
E o que não falta é desculpa
O que não falta é muleta
Se eu num pagar adiantado
A senhora me rejeita
E ainda me esculhamba
Sem que nem pra que
Mas fama, minha senhora, é coisa que a gente nunca esquece.
Todo mundo aqui no Ataliba
Já conhece o seu jeito
Freguês não há de faltar
Mas de minguar, mingua
E um dia vem a calhar
Porque quando qué costura
Quando não quer, num tem quem faça
E só consegue avacalhar
Então faça direito
Que é pra gente gostá
Num sei, caso ainda não saiba

Todo mundo tá sabendo
De tanto ele contar
Que no ano que passou
A senhora fez um terno
Ai pro seu Lampião
Lampião, é um homem
Num é minino não
Fomos na missa do galo
E até a santa reparou
A roupa do mau vestido
Que até santo antão quis saber
Quem foi que costurou a roupa
Daquele pobre coitado?
Seu Lampião arretado
Não pode mover o braço
Na hora da comunhão
O cotovelo freava, mesmo que esforçasse de nada adiantava
As mangas de cada lado
Receberam dois enfeites
Parecia gozação
Bem diferente do pano
Que a senhora mandou comprar
Parecia até pedaço
De lençol de cama de hospitá
E a manga curta e torta
Que só ia no antebraço
Não cobria o cotovelo
A barra da calça dava quase no joelho
Mostrava meia e sapato
Seu lampião ficou bravo
Porque de todos na igreja
Ele foi o que gastou mais
E ficou mal amanhado
Tava escrito na cara do condenado
Que ele sabia que tinha sido
Passado pra trás
E aí tem mais um porém
Seu lampião amante da ordem
E das boas maneiras
Não tolerava briga nem arruaça
Punha fim no jogo de bola dos minino
E de namoro na praça
Por isto seu lampião era visado
Que atrapalha namoro vá lá
Mas atrapalha pelada
Com nóiz era assim vacilo maiô
Tá condenado
Durante o ano que é corrido
Parece que passa batido
O dia de acerto de conta chega
Missa do galo
É dia do pecador pôr as dívidas na mesa
E como quem deve aqui
Aqui mesmo paga
Seu lampião neste dia sofreu zombaria
Por toda estrada
Ele queria sumir na poeira do estradão
Sumir na poeira no meio da procissão

Minino não perdoa
Por conta das bolas rasgadas
No corre do ano inteiro
Eles foram os primeiros
A fazer a caçoada
E diziam em coro
Seu lampião perdeu a calça
Bem no meio da estrada.
Na hora lá do sermão
Eu não fui, mas me contaro
Que com muita vergonha
Pediu licença pra o padre
Pro coroinha pro sacristão
Subiu no púlpito nervoso
E falou sem cerimônia
Vejam a vergonha de um homem
Vocês tão vendo esta roupa
Que veste meu corpo agora
E eu suei pra pagá
Quem fez foi a Dona Cida
Aquela mulher cumprida
Esposa de seu Valdemar
Mora na rua de cima
Vizinha de Dona Jurema
Tô dando nome e sobrenome
Tô falando direitinho
Pra no ano que vem
Num vão errar de endereço
Ela carrega no preço
E carrega o pano também
Ela me levou no bico
Ela me levou de pano
Cinco metro de tergá
Levou linha prá barra
E cetim pra forrá
Eu acho que Dona Cida
Fez roupa pra muita gente
Com o pano deste inocente
Que está aqui neste altar
Bem que eu reconheci uma roupa nos vará
Que era irmã do pano
Que ela me mando compra
Dona Cida desta vez
Olha o estrago que me fez
Mas garanto que no próximo ano
Não vai ter nenhum freguês
E digo mais pra senhora
Diante do altar sagrado
Que o que a senhora fez comigo
A paga é só no castigo
E eu vou me encarregar
De pedir agora mesmo
Vou gastar o meu desejo
Numa única tacada
A santa me atendendo
Fico contente
Não quero mais nada
Que quando ela viu seu serviço
Ficou de boca aberta
Até agora tá pasmada
E digo mais pra senhora
Tomara que nesta noite
Que é noite de natá
Quando a festa de acabá
E a senhora bem contente
Com a burra cheia de dinheiro
Que levou da gente
E não soube costurá
Vai se deita na sua cama
Pra dormir o seu soninho
Mas, seu Valdemar vai primeiro
E o pedaço de lençol
Este que está no meu terno
Ás, de sentir na pele
Porque quero que este pedaço
Falte no seu lugá.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL