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Bianca Santana

Doze anos de movimento negro e educação popular em dez mil documentos

Bianca Santana

Bianca Santana é jornalista. Autora de "Quando me descobri negra" e organizadora de coletâneas sobre gênero e raça, foi convidada da Feira do Livro de Frankfurt em 2018 e da Feira do Livro de Buenos Aires em 2019, quando também foi curadora do Festival Literário de Iguape. Pela UNEafro Brasil, tem contribuído com a articulação da Coalizão Negra por Direitos. No doutorado em ciência da informação, na Universidade de São Paulo, pesquisou a escrita e a memória de mulheres negras. Foi professora da Faculdade Cásper Líbero e da pós-graduação em jornalismo multimídia na Faap. Atualmente, está escrevendo uma biografia sobre Sueli Carneiro.

29/12/2020 12h56

O movimento negro produz documentos históricos há décadas. Há jornais, livros, fotografias, bandeiras, adesivos, relatos orais e diversos outros formatos de documentos que sistematizam um conhecimento pouco difundido e que, infelizmente, não está suficientemente organizado e disponível em acervos. Consequência, mas também causa, dos apagamentos e invisibilização histórica da produção negra característicos do epistemicídio.

Neste contexto, causa especial alegria contar que o grupo de trabalho arquivo e memória Maria Beatriz Nascimento da UNEafro Brasil organizou seu acervo físico e digital, garantindo acesso a cerca de dez mil documentos iconográficos, audiovisuais e textuais. Adriano Souza e Jean Camoleze coordenaram o levantamento da massa documental, a higienização e o acondicionamento de cada papel e tecido, a criação de tipologias documentais, digitalização e divulgação do acervo utilizando o software livre ATOM.

Documentos reunidos pela UNEafro - UNEafro - UNEafro
Imagem: UNEafro

Neste processo, militantes da UNEafro realizaram uma formação teórica e prática de organização, conservação e recuperação de informação em acervos documentais, criando uma lógica própria para a recuperação das informações e a integração do acervo como se pode ver abaixo.

A metodologia complexa foi construída de forma orgânica e gerou uma série tipológica específica que não fica visível para quem consulta o acervo, mas que nos dá ideia do está disponível no acervo: