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Anielle Franco

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Estátua Marielle Franco: Preservar memória é lutar por justiça e reparação

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
Anielle Franco

Anielle é cria da favela da Maré, no Rio de Janeiro. É bacharel em Jornalismo e Inglês pela Universidade Central de Carolina do Norte e bacharel-licenciada em Inglês/Literaturas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. É mestra em Jornalismo e Inglês pela Universidade de Florida A&M, e atualmente é mestranda em uma universidade federal no Rio de Janeiro (Cefet) cursando relações étnico-raciais com o foco na identidade das mulheres negras através da memória e legado de Marielle Franco, sua irmã e inspiração diária. Publicou seu primeiro livro, "Cartas para Marielle", e tem participação importante em diversas publicações, incluindo a autobiografia de Angela Davis. Trabalha como professora, palestrante, escritora e é a atual diretora do Instituto Marielle Franco, curadora do Projeto Papo Franco e também do curso Marielles.

15/02/2021 04h00

Dos muitos fatos e eventos que marcaram o ano de 2020, uma imagem vai ficar na cabeça: a queda de estátuas de antigos colonizadores, escravocratas e assassinos. Dentro da estória que vem há séculos sendo contada sobre a história, erguer monumentos de assassinos e genocidas do povo preto é a materialização das estacas de uma sociedade estruturada a partir e no racismo.

Mas como já ouvimos em outros carnavais - ou melhor, quando tinha carnaval - chegou a hora de contar a história que a história não conta. Chegou a vez de erguer homenagens a quem realmente precisa ser celebrado: quem resistiu e perdeu sua vida lutando pelos direitos e a vida de todas as pessoas.

Neste domingo foi mais um dia 14 e daqui a um mês se completam 3 anos sem Marielle e Anderson. Ao longo de todo esse tempo, só tivemos uma certeza: preservar a memória de Marielle, de suas lutas e sua trajetória, assim como de mulheres e pessoas negras, é condição básica para conseguirmos continuar lutando por justiça e garantir que as futuras gerações a

conheçam e sigam esse legado adiante. Homenagear as/os que vieram antes e as/os que se foram precocemente por uma necropolítica do Estado, é mais do que reconstruir a história do país - o que já é uma tarefa importantíssima - significa também lutar por justiça e por uma reparação histórica que atravessa e atravessará centenas de anos.

No entanto, eu repito: celebrem e homenageiem as mulheres e pessoas negras em vida. Não esperem até que um das nossas e dos nossos se vá. Por isso, no Instituto Marielle Franco, estamos sempre buscando regar e potencializar as sementes de Marielle. É por elas também que erguemos a Estátua Marielle Franco, pois a cada parte esculpida no mármore, é mais um recado sendo dado: não seremos interrompidas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL