O poder é de vocês!

Capitão Planeta falava há 30 anos dos temas urgentes de hoje

Por Marcos Candido

Capitão Planeta foi uma animação exibida em mais de 100 países entre 1990 e 1996. Você deve lembrar: 5 adolescentes recebem anéis da entidade Gaia e invocam um “grande campeão” para proteger a Terra. Mas por trás da ação havia uma missão ambiental com detalhes que pouca gente sabe.
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O Capitão Planeta é hoje uma fundação para promover educação ambiental. Mas antes veio a ideia de Ted Turner nos anos 90. O criador de canais como CNN e Cartoon Network tinha apenas o nome do herói. O restante foi pensado pela cineasta e ativista ambiental Barbara Pyle. E ela chegou com uma história importante.
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Cinco garotos receberiam um anel de Gaia. Quatro representam os elementos da natureza. Kwame, da África, ficou com o poder da terra. Da América do Norte, Wheeler, com o fogo. Da União Soviética, Linka, com o vento. Da Ásia, Gi, com o poder da água. Enquanto que o indígena Ma-Ti, da América do Sul, dominava o coração. Unidos, invocavam a entidade Capitão Planeta para salvar o meio ambiente
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Nos anos 90, os desenhos "para meninos" tinham heróis que distribuíam sopapos. Não é o caso do Capitão Planeta. Em detalhes inéditos, Ecoa apresenta um guia usado pelos roteiristas evitar a manutenção de estereótipos.
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Capitão Planeta tem um poderoso poder de empatia. Mesmo com os vilões. Mesmo que ele segure, empurre ou arremesse seus oponentes, ele nunca os golpeia. Ele não pode infligir dor em outra pessoa

documento obtido pelo fã e ativista Luciano Frontelle.
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O Capitão não era o Super-Homem e não resolvia tudo sozinho. Os roteiristas o obrigavam a pedir ajuda para demonstrar que o meio ambiente depende do conhecimento de todos. Daí o lema: “O poder é de vocês!”
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“Ele não tem medo de pedir ajuda ou um conselho. O CP tem noção da imensa complexidade dos problemas ambientais”, diz outra recomendação aos roteiristas.
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Os vilões lançavam lixo tóxico e extraiam petróleo de maneira predatória nos litorais. Havia até o Capitão Poluição, unido pelos poderes da radiação nuclear, desmatamento, fumaça, tóxicos e ódio. Temas como HIV e direitos das mulheres também eram discutidos no desenho.
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Muita gente zombava com o "poder do coração" do sulamericano Ma-Ti. "Era o poder mais importante de todos. É a conexão, a fonte entre os elementos e o que sente o perigo. Ter poder sem amor é pura destruição. A mensagem era: o poder pelo poder não salva o planeta", diz Frontelle.
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Os detalhes podem ter passado despercebidos. “Só depois de adulto entendi que ele não é um ser humano, nem um alienígena. É uma metáfora da união do poder das pessoas”, explica Frontelle. Ele é um dos líderes do coletivo Clímax Brasil e se fantasia como CP em intervenções em prol do meio ambiente. Chegou a usá-la na Rio +20, em 2012, e em Marraquexe (foto) em 2016.
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O próprio Capitão Planeta surge em uma época de grandes acordos internacionais e campanhas que popularizaram termos como "aquecimento global" e "camada de ozônio". Combinados, tudo resultou na magnitude da Rio-92. Logo depois, apareceu em manifestações e protestos a favor de pautas ambientais.
Rachel Schein

"Hoje, com certeza ele seria sucesso e haveria aqueles incomodados na tentativa de boicotar o desenho e tentar mostrar que é uma propaganda comunista, ou sei lá o quê. Mas era um desenho agregador, que unia as pessoas em busca de soluções"

Luciano Frontelle,
ativista e ambiental e "Capitão Planeta brasileiro"
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O ator e ativista ambiental Leonardo DiCaprio anunciou a produção de um filme sobre o Capitão Planeta em 2016. Dois anos depois, o projeto ainda estava em desenvolvimento. Com a geração Greta, que ainda luta contra os mesmos problemas alertados pelo herói, tem tudo para continuar a missão. Depende de nós.
Foundation of Foreste, Nature and Environment of Aceh/AFP Photo
Publicado em 15 de setembro de 2020.
Reportagem: Marcos Candido
Edição: Fernanda Schimidt