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Coentro e laranja são ingredientes de novas cervejas brasileiras

Rodrigo Casarin

Do UOL, em São Paulo

24/03/2014 17h44

Em janeiro último, a cervejaria DUM, de Curitiba, fez uma convocação inusitada em sua página no Facebook: quem estivesse interessado em tomar suco de laranja e acompanhar a produção de uma cerveja, poderia ir na cervejaria Gauden Beer, onde seria produzida a DUM Grand Cru. Mas por que tomariam suco? Porque a cerveja leva casca de laranja em sua receita, e os cervejeiros precisavam fazer algo para não desperdiçar todo o resto da fruta. Então, laranjada para as cerca de 30 pessoas que aceitaram o convite.

            A DUM Gran Cru é uma das muitas cervejas que lançadas neste ano pelas micro cervejarias do país. Ela foi apresentada durante o Festival de Cerveja de Blumenau, que aconteceu este mês, e é uma Double Witbier, cerveja de trigo com toques cítricos que, além da laranja, leva sementes de coentro em sua composição, terá 8,8% de álcool e uma cor que se aproxima do caramelo.

            Pode parecer estranho utilizar laranja e coentro em uma receita, mas não é. São insumos comumente usados nas cervejas do estilo Witbier, ou Wit, como é mais conhecido. Nem tão comum assim é encontrarmos cervejas apimentadas, por exemplo, como as que serão lançadas pela Júpiter. Em parceria com a produtora de pimentas De Cabrón, a cervejaria está desenvolvendo uma Amber Ale picante – ainda fazem testes com pimentas habanero, chipotle e uma mistura das duas. “Todas as nossas cervejas têm alguma artimanha, seja uma técnica diferente para adição do lúpulo, seja utilizarmos ingredientes inusitados, como neste caso. Mesmo nas receitas de estilos consagrados, buscamos algum detalhe que torne nossos produtos diferentes”, explica David Michelsohn, proprietário da Júpiter, que também lançará uma Blond Ale e uma Porter, ambas em parceria com a Cervejaria Nacional, de São Paulo, uma Wit com tangerina, uma Russian Imperial Stout e uma Session India Pale Ale (IPA).

Tendência
             As Sessions costumam ser cervejas mais leves que as originais de seus estilos. Uma Session IPA, por exemplo, apresentará sensação de amargor que remete ao estilo base, mas provavelmente terá uma potência alcoolica consideravelmente menor, para que possa ser bebida em quantidades generosas durante longos períodos de degustação. Há algum tempo as Sessions estão consolidadas nos Estados Unidos e agora começam a despontar como uma tendência no Brasil.

            A Seasons, de Porto Alegre, lançou no Festival de Blumenau uma Session Stout com 3,7% de álccol. Em 2014 a fábrica também promete colocar no mercado uma Extra Pale Ale, cerveja que deve ficar no meio termo entre uma American Pale Ale e uma IPA, uma Dubbel e a segunda versão da IPA Holy Cow, cuja proposta é ser uma espécie de laboratório de processos de lupulagem e variedades de lúpulos.

            A 2 Cabeças é outra que optou por uma Session, a Funk IPA, que tem 45 IBUs (índice de unidades de amargor), 4,7% de álcool e aroma de frutas tropicais. “É uma cerveja fácil de beber, refrescante e com muita personalidade”, garante Bernardo Couto, uma das cabeças da cervejaria que lançou oficialmente o produto no dia 13 de fevereiro e, ainda este ano, lançará uma cerveja produzida em parceria com a cervejaria Stillwaters, dos Estados Unidos.

Opção pelo tradicional
            Se algumas cervejarias optam pelo caminho das tendências e inovações, outras preferem investir no que é tradicional. Nesse sentido, a portoalegrense Abadessa reproduziu uma receita de abadia do século XII para a sua Gose. “Este antigo estilo é característico de Leipzig, ao sudoeste de Berlim, lugar cortado pelo rio Gose e conhecido como região das bruxas. É uma cerveja que leva em sua receita coentro, sal e ácido lático”, explica Carlos Lança, gerente da cervejaria. A Abadessa Gose também foi lançada durante o Festival de Blumenau.

            Outra  que opta por seguir a linha tradicional é a Brotas Beer, da cidade no interior de São Paulo. Para 2014, a cervejaria, que recentemente recebeu autorização legal para comercializar seus produtos, colocará no mercado uma Pilsen, uma Weiss e uma Dry Stout, que já estavam engatilhadas há tempos, e ainda lançará uma Bock e uma Red Ale. Atualmente a empresa vende suas cervejas somente em Brotas, contudo, estão realizando uma grande ampliação na fábrica para que possam aumentar a produção e distribui-las para outras cidades.

Toques ingleses e franceses

            Quem também passará por uma ampliação considerável (no portfólio, é bom destacar) é a Urbana, de São Paulo. Hoje, ela conta com três cervejas disponíveis no mercado -a Strong Belgian Ale Gordelícia, a Extra Special Bitter (ESB) Esporro e a a Session IPA Refrescadô de Safadeza-, contudo, pretende apresentar até meados de 2014 quinze novos rótulos, que continuarão seguindo o estilo despojado característico da cervejaria. Dentre as novidades estarão a Session Black IPA A Piscadinha, a Strong Ale Bronson, a India Brown Ale Prima Pode, a Black IPA Passado Negro e a Imperial Stout Cat in the Box. “São cervejas que nós testamos bastante. Algumas têm muito lúpulo, outras têm características mais inglesas”, conta André Cancegliero, proprietário da Urbana.

            A Dama, de Piracicaba, também faz uma incursão pela escola inglesa por meio de sua ESB, estilo clássico da Inglaterra, lançada no começo de fevereiro. A cerveja, de coloração avermelhada, notas de maltes e florais tanto no aroma quanto no sabor e 5,8% de álcool, já tinha sido apresentada em alguns festivais em 2013, mas agora chega ao mercado de forma definitiva.

            Por fim, quem apresentará uma semi-novidade é a Colorado, de Ribeirão Preto. Aproveitando que a seleção francesa de futebol se hospedará na cidade durante a Copa do Mundo, a cervejaria criou uma versão especial da Pilsen Cauim. 15 mil litros da cerveja, que leva mandioca em sua receita, serão feitos com os lúpulos franceses Triskel e Strisselpalt, da região da Alsácia. Além disso, colocarão nas garrafas um rótulo comemorativo bilíngue (português e francês) com detalhes que remetem à França, país para onde a Colorado exporta três de seus rótulos e que também receberá exemplares da cerveja comemorativa.

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