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Pequeno chalé à beira-mar se tornou melhor restaurante do ano

Vista do restaurante Wolfgat, na África do Sul - Reprodução/Instagram
Vista do restaurante Wolfgat, na África do Sul Imagem: Reprodução/Instagram

Richard Vines

25/02/2019 16h24

Wolfgat acomoda apenas 20 pessoas em um pequeno chalé que fica em uma vila de pescadores a mais de duas horas de carro da Cidade do Cabo. E é o lugar mais empolgante do planeta para comer. É preciso sorte para conseguir uma mesa lá. As reservas são feitas, no máximo, com três meses de antecedência. Mas não há mesas disponíveis.

O World Restaurant Awards concedeu na semana passada o principal prêmio -- Restaurante do Ano -- ao chef Kobus van der Merwe, que abriu o Wolfgat em setembro de 2016 em uma propriedade de 130 anos pertencente a seus pais. Ele viajou de Paternoster (1.971 habitantes), Cabo Ocidental, para Paris sem nem saber que tinha ganhado. Agora, ele já está tentando considerar como lidar com a repentina aclamação.

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"Estou extremamente orgulhoso de minha equipe", disse ele, em entrevista. "Eles não têm experiência formal em gastronomia e agora foram reconhecidos em um palco internacional."

O que há de tão especial no Wolfgat? Bem, Van der Merwe trabalha com uma pequena equipe de habitantes locais que buscam ingredientes juntos, cozinham juntos e atendem juntos. Eles até fazem a limpeza juntos. No total, são apenas seis pessoas, e elas aprenderam o trabalho na prática.

"Não fazemos distinção entre o atendimento e a cozinha", diz ele. "Nós servimos um pequeno cardápio de degustação de frutos do mar com ervas selvagens sazonais, suculentas e algas que colhemos nos arredores da vila."

Os clientes devem informar que irão no dia anterior, e a equipe colhe ingredientes suficientes para atender a esse número de pessoas. Não há desperdício. Van der Merwe às vezes tenta atender a 24 pessoas.

O custo? São 850 rands (US$ 60), o que mal bastaria para uma entrada nos templos gastronômicos de Paris.

Van der Merwe nasceu no Cabo Setentrional e frequentou a escola de culinária em Stellenbosch, onde cresceu. Ele não queria ser chef.

"Meu primeiro amor era a música clássica ou as belas artes", diz ele. "A escola de culinária foi uma espécie de plano B, e eu não achava que era para mim, então não terminei o curso." Ele então trabalhou como crítico de música e editor web no guia de restaurantes Eat Out.

"E foi aí que percebi que errei, senti que estava no lado errado do setor", disse ele. "Wolfgat é o resultado disso: é um projeto ajustado, um pouco mais bem pensado para nós."

O prêmio foi anunciado na noite de segunda-feira no primeiro World Restaurant Awards em Paris. O painel de jurados incluiu alguns dos maiores nomes do mundo da culinária, como os chefs Elena Arzak (Arzak); Massimo Bottura (Osteria Francescana); David Chang (Momofuku); Hélène Darroze (Hélène Darroze); Daniel Humm (Eleven Madison Park); René Redzepi (Noma); e Clare Smyth (Core). Eu sou um dos vários jornalistas do painel, mas não participei da escolha do Wolfgat.

Os prêmios pertencem à IMG, a multinacional de entretenimento que está por trás de tudo, da Fashion Week à Frieze Art Fair.

A escolha do Wolfgat foi feita por um grupo menor, composto por 12 pessoas e encabeçado pelo diretor criativo da premiação, Joe Warwick.

"O Wolfgat é sustentável e fica na África, que é um continente que não recebe muita atenção por sua culinária e seus restaurantes", disse ele. "Foi o restaurante perfeito para nós."

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