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Verdade ou mentira? Vídeo com 'chupeta humana' e faíscas viraliza nas redes

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

13/05/2022 04h00

Já faz algum tempo que circula em vários perfis das redes sociais o vídeo de um homem que, supostamente, transfere com o próprio corpo a energia de uma bateria carregada para outra, arriada e conectada a um veículo.

Na gravação, ele aparenta unir os polos negativo e positivo das duas baterias com as mãos- executando a manobra conhecida como "chupeta", normalmente realizada com um cabo específico. Durante a operação, surgem faíscas no dispositivo descarregado antes de uma segunda pessoa dar partida no motor. Daí surge a dúvida: o que aparece no vídeo é verdadeiro?

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Para verificar se o registro não passa de montagem ou encenação, UOL Carros exibiu as imagens para Alessandro de Oliveira Santos, mestre e professor de engenharia elétrica do Instituto Mauá de Tecnologia.

Segundo o especialista, o vídeo é falso, pois retrata uma situação que não seria possível no mundo real - apesar de o corpo humano efetivamente ser um condutor de eletricidade.

"Com certeza trata-se de material fake. É impossível que o corpo seja capaz de transferir a corrente necessária para movimentar o motor de arranque de um automóvel nas condições observadas", diz Santos.

A 'chupeta' é geralmente realizada com cabo específico, conectando o polo positivo de cada bateria - Divulgação - Divulgação
A 'chupeta' é geralmente realizada com cabo específico, conectando o polo positivo de cada bateria
Imagem: Divulgação

De acordo com o professor, os tecidos que compõem o organismo apresentam elevada impedância, que é a resistência de determinado material à passagem da corrente elétrica.

"A corrente que flui pelo corpo, medida em amperes, é extremamente baixa devido à alta impedância. Para se ter uma ideia, são necessários cerca de 90 amperes para dar a partida no motor de um automóvel. Algumas dezenas de miliamperes já seriam suficientes para trazer risco de morte", destaca. Um miliampere corresponde a um milésimo de ampere.

No vídeo, o autor da "chupeta humana" não aparenta sentir nenhum desconforto durante a atividade.

Alessandro de Oliveira Santos acrescenta que as baterias de veículos convencionais a combustão têm 12 volts, tensão que, sozinha, é incapaz de causar ferimentos. O perigo vem mesmo da corrente ou amperagem.

"Se a mesma pessoa do vídeo conectasse os fios positivo e negativo de uma bateria carregada sob a respectiva pele, diretamente na musculatura, a impedância cairia consideravelmente, deixando-a sujeita a ferimentos".

De onde vêm as faíscas?

Especialista afirma que faíscas não saíram do corpo do suposto eletricista e foram simuladas - Reprodução - Reprodução
Especialista afirma que faíscas não saíram do corpo do suposto eletricista e foram simuladas
Imagem: Reprodução

Contudo, ainda existe um mistério a ser esclarecido: de onde vêm as faíscas exibidas na gravação?

Santos afirma que elas foram geradas por meio de algum tipo de truque ou montagem.

"Ele pode ter causado curto-circuito utilizando um fio energizado e oculto para promover o 'show de luzes'. Além disso, antes de realizar a falsa 'chupeta', ele põe a mão na bateria dentro do cofre do motor, que na verdade estaria carregada, aparentemente para conectar um cabo solto e possibilitar a partida".

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