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04/04/2008 - 18h04

Motonetas elétricas ainda empacam em vendas fracas

Da Auto Press
No Brasil, discurso ecológico é só discurso. E não são poucos os que olham os ativistas verdes como uma espécie de bicho-grilo com banho tomado. Uma prova disso é que, depois de um ano de mercado, a primeira linha de veículos brasileiros movido a energia elétrica, da Motor-Z, permanece praticamente inédita no país.

Os cinco modelos de motonetas elétricas, produzidos em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, somaram apenas 2.000 unidades até agora. De qualquer forma, as pretensões da empresa são mesmo modestas: a idéia é vender os modelos para uso em condomínios fechados, lugares de tráfego leve e outras áreas fechadas, como fábricas e depósitos, por exemplo.

Os modelos da Motor-Z são movidos a baterias do tipo ácido-chumbo, as mesmas usadas nos automóveis. Com peças trazidas da China, fornecidas pela montadora local Jiangsu Motorcycle, a marca monta cinco modelos elétricos em esquema de CKD (recebendo as unidades desmontadas): o S500, o V500, o S800, o SS500 e o S1000, na ordem do mais simples para o "top". Em todos eles, os dígitos representam a potência dos motores elétricos em Watts -- que são de 0,68 cv nos motores de 500 Watts e de 1,09 cv no propulsor de 800 Watts.
Fotos: Diogo de Oliveira/Carta Z Notícias


Acima, o scooter S500, que custa R$ 3.800 e tem o motor mais fraco da gama; abaixo, o modelo top, o S1000, de cara bem mais invocada e preço de R$ 5.400; os motores são de 500 Watts e 1.000 Watts, respectivamente, e a velocidade máxima varia de 35 km/h a 40 km/h

Em comparação com os motores a combustão, são números pequenos. Um propulsor a gasolina de 50 cc produz até 3 cv de força. Em compensação, o torque dos propulsores elétricos é despejado integralmente desde o momento da arrancada até a velocidade máxima -- em torno de 40 km/h, dependendo do peso do passageiro.

Para movimentar as unidades elétricas, cada scooter Motor-Z traz quatro baterias de 12 volts cada, que somam 48 volts todo e ficam alojadas sob o banco. A autonomia é de 40 km e leva-se até oito horas para recarregar as "pilhas" em tomadas de 110 ou 220 volts, com vida útil de 300 recargas.

Os preços são bons atrativos para as motonetas elétricas. Por exemplo, o scooter Motor-Z S500, o mais básico da gama, custa R$ 3.800, enquanto o "top" S1000 é vendido a R$ 5.400. A diferença de valores é justificada no fato do S1000 trazer dois motores de 500 watts, um no cubo da roda dianteira e outro na traseira. Os outros modelos trazem apenas na roda traseira.

A Motor-Z aposta na ampliação da rede de distribuidores para popularizar um pouco mais suas motonetas elétricas. Atualmente são 52 revendedores no país, número considerado pequeno pela empresa. Para contornar esta limitação, a Motor-Z decidiu tirar proveito do fato de seus veículos não precisarem ser emplacados, e passou a oferecer seus scooters elétricos pela internet, no portal www.motor-z.com.br. Dessa forma, pode entregá-los a domicílio, como se faz com qualquer produto comprado pela Web.

(por Diogo de Oliveira)

IMPRESSÕES AO PILOTAR: MOTONETAS RODAM EM SILÊNCIO
Os scooters elétricos são racionais, práticos, econômicos e não emitem gases poluentes. E no rápido teste realizado na Lagoa Rodrigo de Freias, Zonal Sul do Rio, os modelos S500 e S1000, da Motor-Z, mostraram tudo isso e ainda impressionaram pelo silêncio e pela facilidade do uso.
Em ambos os scooters, ouve-se apenas um silvo baixinho dos motores elétricos em ação -- quando parados, não há qualquer vibração. O torque de 0,71 kgfm é o ponto forte, com a força máxima disponível desde a primeira arrancada e que se mantém integral em qualquer faixa de giros dentro das 500 rotações. Os pesos de 77 kg da S500 e de 85 kg da S1000 ajudam.
Já a velocidade final não impressiona e nem pretende: no S500 a máxima é de 35 km/h e o S1000 acelera até 40 km/h. Nos dois casos o uso é indicado para condomínios fechados, fábricas, lugares onde o trânsito é pouco agressivo e regiões de praia, com geografia plana.
Exatamente como a Zona Sul do Rio de Janeiro. A pilotagem e a dirigibilidade dos scooters são bem simples. Tanto no S500 quanto no S1000 basta girar a chave, pressionar o botão de partida elétrica e sair passeando.
Dinamicamente, os dois modelos têm boa capacidade de inclinação em curvas e equilíbrio em retas. Como potência não é o foco, S500 e S1000 só suportam enfrentar rampas com até 15º de inclinação. Nas frenagens, os freios a tambor são suficientes e a energia dos motores é cortada para economia.
Em ambas, a montagem e os materiais aparentam boa qualidade e a ergonomia é agradável, o que torna os conjuntos simpáticos e agradáveis de dirigir. E em silêncio absoluto.

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