Honda WR-V x VW Nivus

Renovado, aventureiro da Honda encara pioneiro do segmento de SUVs cupês compactos no país

Vitor Matsubara Do UOL, em São Paulo (SP) Murilo Góes/UOL

O WR-V pode não ter sido o sucesso de vendas que a Honda esperava, mas também está muito longe de ser um fracasso. Tanto é que, segundo a montadora, o modelo responde por 22% das vendas de SUVs da marca.

Sim, a Honda classifica o WR-V como um SUV, embora ele esteja mais para uma versão aventureira do Fit. Seja como for, a linha 2021 traz um bom pacote de melhorias no visual e especialmente na lista de equipamentos.

Só que o problema está na concorrência: o Volkswagen Nivus é presença cada vez mais constante nas ruas, e tem bons motivos para tanto. O precursor da categoria de SUVs cupês compactos feitos no Brasil aposta na trinca design, conteúdo e segurança para atrair clientes.

Qual deles entrega mais? É o que vamos descobrir a seguir!

Murilo Góes/UOL
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Ficha técnica: VW Nivus Highline

Preço: R$ 99.950

Motor: 1.0, 12V, 3 cilindros, turbo, flex

Câmbio: automático de seis marchas

Potência: 128 cv / 116 cv a 5.500 rpm

Torque: 20,4 kgfm a 2.000 rpm

Consumo: 7,7 km/l / 9,4 km/l (etanol) - 10,7 km/l / 13,2 km/l (gas.)

0 a 100 km/h: 10 s

Velocidade máxima: 189 km/h

Dimensões: comprimento, 4,26 m; largura, 1,75 m; altura, 1,49 m; entre-eixos, 2,56 m

Peso: 1.199 kg

Porta-malas: 415 litros

Tanque: 52 litros

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Ficha técnica: Honda WR-V EXL

Preço: R$ 94.700

Motor: 1.5, 16V, 4 cilindros, flex

Câmbio: CVT

Potência: 116 cv / 115 cv a 6.000 rpm

Torque: 15,3 kgfm / 15,2 kgfm a 4.800 rpm

Consumo: 8,1 km/l / 8,8 km/l (etanol) - 11,7 km/l / 12,4 km/l (gas.)

0 a 100 km/h: 12,3 s

Velocidade máxima: 168 km/h

Dimensões: comprimento, 4,06 m; largura, 1,69 m; altura, 1,59 m; entre-eixos, 2,55 m

Peso: 1.138 kg

Porta-malas: 363 litros

Tanque: 52 litros

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Design

Inovador, Nivus vence sem dificuldades

Não é só o caráter de novidade que dá a vitória ao Volkswagen Nivus. O estilo ousado deve seduzir muita gente que estava pensando em comprar um hatch ou até outro SUV compacto.

As linhas modernas serão replicadas nos futuros lançamentos da marca, como o Taos - o novo SUV médio que estreia no país em 2021.

A frente tem belos faróis e ousadia pouco comum nos modelos da VW, especialmente na parte inferior do para-choque. A linha de cintura mais alta e o aerofólio bem pronunciado ajudam a disfarçar a queda abrupta do teto em direção à traseira.

As lanternas interligadas por uma faixa preta dão um toque de esportividade ao Nivus. No geral, o resultado é bastante agradável e harmonioso, algo raro em SUV cupês - que costumam ser um tanto desengonçados.

Já o WR-V passou por uma leve reestilização que refinou seus traços. Os faróis (com iluminação full LED na versão EXL) ficaram mais bonitos, assim como a grade dianteira.

O para-choque também foi redesenhado, bem como as rodas de liga leve. Atrás, as mudanças foram mais sutis, mas o resultado também foi bom: as lanternas ganharam novas lentes e refletores em LED.

O modelo evoluiu muito em relação ao seu antecessor, mas ainda é difícil esquecer o parentesco com o Fit.

Se a Honda tivesse seguido o mesmo caminho da Volkswagen com a dupla Polo-Nivus (ambos são feitos sobre a mesma plataforma, mas tem desenhos totalmente diferentes entre si), certamente o WR-V venderia mais.

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Equipamentos

Nivus é mais recheado e seguro

O Nivus Highline traz uma generosa lista de equipamentos de série.

O carro sai de fábrica com ar-condicionado digital, frenagem automática pós-colisão, chave presencial, bancos com revestimento em couro, rodas de liga leve de 17 polegadas, central multimídia VW Play com tela tátil de 10,1 polegadas, painel de instrumentos digital, acendimento automático dos faróis, sensor de chuva, detector de fadiga, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros e volante multifuncional com revestimento de couro sintético e aletas para trocas de marchas.

Quanto à segurança, o Nivus Highline manda muito bem ao trazer 6 airbags, frenagem autônoma de emergência, alerta de colisão frontal, piloto automático adaptativo (capaz de acelerar ou frear o veículo de acordo com a distância programada pelo motorista), controles de estabilidade e de tração, bloqueio eletrônico do diferencial e assistente de partida em rampas.

Uma das boas novidades da linha 2021 do WR-V é a inclusão do controle de estabilidade em todas as versões.

Além do importante item, a versão EXL oferece 6 airbags, assistente de partida em rampas, ar-condicionado digital com tela tátil, central multimídia com tela de 7 polegadas e suporte a Android Auto e Apple CarPlay, bancos revestidos em couro, sistema de navegação por satélite (GPS), acendimento automático dos faróis, espelhos retrovisores com rebatimento elétrico, câmera de ré, apoio de braço no console central, volante revestido em couro, paddle shifts para trocas atrás do volante, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros e piloto automático.

Equipado com as assistências de condução ausentes no WR-V, o Nivus vence essa categoria.

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Vida a bordo

WR-V é mais espaçoso e recebe melhor os ocupantes

O Nivus é feito sobre a plataforma do Polo e isso traz virtudes e desvantagens. Um dos principais problemas é a cabine mais acanhada: embora não seja apertado (seu porta-malas, inclusive, surpreende com 415 litros), ele não é o modelo mais indicado para famílias.

Situação oposta é a do WR-V, que traz o mesmo habitáculo do Fit. Isso significa que sobra espaço para todos os passageiros.

E ainda há o ótimo sistema de bancos modulares, que permite mudar a configuração do banco traseiro em poucos segundos. Assim, o motorista consegue transportar objetos altos, longos e grandes sem dificuldades.

Os bancos do modelo da Honda também são bem confortáveis e acomodam bem o corpo em viagens longas. O acabamento é de boa qualidade e os plásticos aparentam qualidade superior aos do Nivus.

Já a posição de dirigir é mais alta, como em uma minivan. Quem conduz o modelo da VW também não sente falta da sensação de imponência dos SUVs, mas a impressão é de estar em um hatch mais alto.

Por receber melhor os passageiros, o WR-V vence este quesito.

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Custo-benefício

Nivus é mais caro, mas entrega mais

O recente aumento de preços da Volkswagen atingiu o Nivus, que parte de R$ 99.950.

Em contrapartida, o WR-V EXL custa menos: R$ 94.700, uma diferença de respeitosos R$ 5.250.

Só que parte desse valor é justificado pela VW ao oferecer as três primeiras revisões grátis. Assim, o proprietário do Nivus desembolsa R$ 2.136,88 para realizar as revisões de 10 mil a 60 mil quilômetros.

Como a Honda não pratica valores fixos em sua rede de concessionárias, o dono do WR-V precisa pesquisar bem se quiser pagar menos. Por isso consideramos a média dos valores cobrados por quatro concessionárias em regiões distintas do país.

Será preciso desembolsar quase R$ 5.200 para realizar as seis primeiras revisões. Pelo menos a Honda oferece mão de obra gratuita nas duas primeiras paradas.

As médias dos seguros estão na casa de R$ 2.000 nos dois carros.

É preciso considerar também que o Nivus oferece uma lista de equipamentos de série mais generosa. Conta, inclusive, com itens de segurança ausentes no WR-V, como frenagem autônoma de emergência e piloto automático adaptativo.

Mais barato de manter e mais bem equipado, o Nivus leva a melhor.

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Desempenho

Nivus agrada mais quem gosta de dirigir

Honda e VW seguem receitas completamente distintas debaixo dos capôs.

O WR-V aposta no consagrado conjunto formado pelo motor 1.5 i-VTEC de até 116 cv e 15,3 kgfm quando abastecido com etanol. Se o motorista rodar com gasolina, os números caem para 115 cv e 15,2 kgfm, respectivamente.

O câmbio é do tipo CVT e traz até um modo Sport, mas o aventureiro da Honda não foi feito para andar com pressa. Prova disso está nos números de desempenho: a aceleração de 0 a 100 km/h é realizada em pouco mais de 12 segundos e a velocidade máxima é de aproximadamente 170 km/h.

Mesmo assim, o WR-V se mostra bem acertado para rodar no asfalto - e até em pisos como terra batida e com alguns buracos. Méritos vão para a suspensão com calibragem específica para o modelo. Mais rígida que a do Fit, ele proporciona melhor absorção de impactos e maior estabilidade nas curvas, tornando-o mais prazeroso de dirigir do que seu "irmão".

Já o Nivus utiliza o motor 1.0 turbo de até 128 cv e 20,4 kgfm com etanol. O câmbio é o automático de seis marchas com opção de trocas sequenciais. A receita é exatamente a mesma empregada em Polo, Virtus e T-Cross.

As respostas são mais rápidas no Nivus, que também é mais ágil nas retomadas e arrancadas. O WR-V, por sua vez, incomoda bastante nestas condições, algo que ocorre com frequência em carros com câmbio CVT.

Quem já conduziu um Polo vai se sentir à vontade no SUV da VW - e quem gosta de dirigir também. Mesmo tendo suspensão e pneus mais altos, o Nivus se comporta como um hatch nas curvas. A carroceria praticamente não inclina e a dirigibilidade segue o elogiável padrão dos carros da Volkswagen.

A direção tem respostas bem mais diretas do que no WR-V e a calibragem da suspensão consegue um bom equilíbrio entre conforto e esportividade. No geral, quem aprecia uma tocada mais esportiva vai curtir o Nivus.

O consumo de combustível é bem equilibrado nos dois modelos. O WR-V faz 8,1 km/l na cidade e 8,8 km/l na estrada quando abastecido com etanol. Com gasolina os números são 11,7 km/l e 12,4 km/l, respectivamente.

O Nivus faz 7,7 km/l na cidade e 9,4 km/l na estrada com etanol no tanque. Se o combustível for gasolina, o SUV cupê entrega médias de 10,7 km/l em ambiente urbano e 13,2 km/l em percurso rodoviário.

Por ser mais prazeroso e ágil de dirigir com médias razoáveis de consumo, o Nivus leva a melhor.

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Vencedor: Nivus

SUV cupê é mais seguro, moderno e anda mais

É verdade que a disputa poderia ter sido mais equilibrada, mas o WR-V foi um bom oponente para o Nivus.

Espaçoso e com uma condução suave, o modelo da Honda ainda é uma opção interessante para quem procura o porte mais robusto do SUV com a versatilidade de um veículo familiar.

O "problema" é que o Nivus veio com tudo. Por trás do design inovador ele traz um competente pacote de segurança, com direito a itens como piloto automático adaptativo e frenagem autônoma de emergência - difíceis de serem encontrados até em modelos mais caros.

Além disso, ele vem com o bom motor 1.0 turbo de até 128 cv, que garante desempenho e agilidade em todas as situações. É verdade que o Nivus Highline custa mais do que o concorrente da Honda, mas a diferença é compensada no menor custo de manutenção.

Assim não é difícil eleger o SUV cupê da Volkswagen como vencedor deste duelo.

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