Volkswagen Polo x Fiat Argo

Hatches compactos medem forças nas versões mais baratas. Qual vale mais a pena?

Alessandro Reis Do UOL, em São Paulo
Murilo Góes/UOL

É fato que Chevrolet Onix e Hyundai HB20 estão no centro das atenções por conta do fator novidade. Afinal, dois dos carros mais vendidos do Brasil estão trocando de geração, trazendo visual renovado e tecnologias de segurança e conectividade raras ou até inéditas na categoria de hatches compactos.

Porém, em 2017, outra dupla agitou o segmento por razões semelhantes e hoje está consolidada entre os modelos mais emplacados do País: Volkswagen Polo e Fiat Argo.

Mais de dois anos após sua estreia, apesar da concorrência acirrada, os dois hatches mantêm seu apelo, oferecendo recursos interessantes, especialmente nas versões mais equipadas.

Itens que há alguns anos seriam raros ou até impensáveis em veículos de marcas generalistas com o mesmo porte, como sensor de chave, partida do motor por botão, controles de tração e estabilidade e airbags laterais.

Porém, os modelos da VW e da Fiat mantêm o apelo quando se trata das versões de entrada, as mais básicas disponíveis? Avaliamos os carros nessa configuração e contamos para você.

Fiat Argo Drive 1.0

Preço: R$ 49.590
Motor: 1.0, 6V, 3 cilindros em linha, flex
Câmbio: manual de 5 marchas
Potência: 77 cv / 72 cv a 6.250 rpm
Torque: 10,9 cv / 10,4 kgfm a 3.250 rpm
0 a 100 km/h: 13,4 s (etanol)
Velocidade máxima: 162 km/h (etanol)
Consumo: 9,1 km/l / 10,4 km/l (etanol) / 13 km/l / 14,7 km/l (gasolina)
Dimensões: comprimento, 4 m; largura, 1,72 m; altura, 1,50 m; entre-eixos, 2,52 m
Porta-malas: 300 litros
Tanque: 48 litros
Peso: 1.105 kg

Volkswagen Polo 1.0 MPI

Preço: R$ 53.590
Motor: 1.0, 12V, 3 cilindros em linha, flex
Câmbio: manual de 5 marchas
Potencia: 84 cv / 75 cv a 6.350 rpm
Torque: 10,4 cv / 9,6 kgfm a 3.000 rpm
0 a 100 km/h: 13 s (etanol)
Velocidade máxima: 170 km/h (etanol)
Consumo: 8,8 km/l / 10 km/l (etanol) / 12,9 km/l / 14,3 km/l (gasolina)
Dimensões: comprimento, 4,06 m; largura, 1,75 m; altura, 1,47 m; entre-eixos, 2,56 m
Porta-malas: 300 litros
Tanque: 52 litros
Peso: 1.072 kg

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Custo-benefício

Polo compensa preço maior com conteúdo

Há alguns anos, comprar um hatch compacto na versão mais barata era sinônimo de levar para casa um veículo "pelado", apenas com o essencial para rodar. Hoje não é mais assim.

Polo e Argo não fogem a essa realidade, porém um deles, embora mais caro, tem mais a oferecer.

O Volkswagen na configuração de entrada 1.0 MPI tem preço sugerido de R$ 53.590, mas ainda pode ser encontrado em promoção por R$ 50 mil - mesmo preço dessa versão na época do lançamento, em setembro de 2017.

Na linha 2020, passou a trazer de série em todas as versões controles de tração e estabilidade, antecipando a obrigatoriedade do equipamento em todos os veículos novos vendido no Brasil a partir de 2022.

Na configuração de entrada, traz itens como vidros elétricos nas quatro portas, sistema de som com Bluetooth, USB e quatro alto-falantes, abertura e fechamento à distância, limpador e desembaçador do vidro traseiro e até mimos como espelhos iluminados nos para-sóis.

Por outro lado, o Argo "basicão" tem tabela de R$ 49.590, valor que pode ser negociado. Mais barato, também oferece menos: não traz os triviais limpador e desembaçador traseiros, opcionais que custam R$ 660.

Também não conta com sistema de som - a preparação com quatro alto-falantes e dois tweeters demanda gastar mais R$ 355. O som propriamente dito, só como acessório. Fora isso, não tem mais opcionais disponíveis.

Para ter acesso a alguns itens de série extras e mais opcionais, como central multimídia e controles de tração e estabilidade, é necessário partir para a versão 1.0 Drive, que sobe a R$ 53.590 - exatamente o preço de tabela do Polo.

Nesse quesito, a vitória é do representante da Volkswagen.

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Design

Argo chama a atenção e Polo é mais "genérico"

Dizem por aí que design é algo discutível e bastante subjetivo. Porém, nesse quesito, o Fiat Argo consegue se destacar mais.

Mesmo na configuração mais simples, chama a atenção com os faróis que têm um prolongamento nos para-lamas, bem como a grade frontal dividida em duas seções em um padrão elegante, que lembra escamas na parte superior e uma colmeia na inferior.

Já o Polo conta com vincos na carroceria, especialmente nas laterais, na altura das maçanetas, bem mais evidentes que os do Argo. O capô também é recortado nas extremidades, criando um efeito de luz interessante que o destaca dos para-lamas.

É, com certeza, um carro bonito e com desenho harmonioso. Porém, é um tanto "genérico": lembra muito o VW Gol, inclusive as lanternas traseiras curtinhas.

Por trazer mais personalidade em relação ao desenho externo, o Fiat leva a melhor nesse aspecto.

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Desempenho

Dupla não empolga, mas Polo leva a melhor

Tanto o Argo quanto o Polo nas configurações mais baratas trazem conjunto mecânico com mais semelhanças do que diferenças: ambos têm sob o capô motor 1.0 flex de três cilindros aspirados, com concepção moderna e foco muito mais no baixo consumo no que no desempenho.

Nenhum vai empolgar em relação à performance, bem longe disso. Com o veículo carregado, os dois sofrem para deslanchar, especialmente com o ar-condicionado ligado.

Abaixo das 2.000 rotações, mesmo em terreno plano e levando apenas o motorista, também demoram a embalar e demandam maior uso do câmbio. Acima dessa faixa de rotação, reagem com mais fôlego.

O Polo disponibiliza um pouco mais de potência - 84 cv máximos contra 77 cv - e é um pouco mais leve (1.072 kg ante 1.105 kg).

Por outro lado, o Argo entrega mais torque (10,9 kgfm contra 10,4 kgfm), porém em rotação mais alta - 3.250 giros ante 3.000 rpm.

Ambos bebem pouco se o pé for leve: na estrada, dá para chegar perto dos 20 km/l com etanol. Na cidade, 10 km/l é uma média viável com o mesmo combustível.

O Volkswagen é um pouco mais esperto, traz câmbio manual com engates (muito) mais precisos e fica com a vitória nesse item.

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Segurança

VW ganha com folga

O representante da Volkswagen vem de série com controles de tração e estabilidade e quatro airbags, enquanto o Fiat tem apenas duas bolsas infláveis e dispensa a assistência eletrônica contra acidentes nessa versão.

O Polo também traz construção mais aprimorada e foi classificado com cinco estrelas, a nota máxima, tanto para adultos como para crianças no teste de impacto do Latin NCap.

Já o Argo não fez feio no crash-test, porém ficou atrás do rival: três estrelas para adultos e quatro para crianças.

Os dois saem de fábrica com ganchos Isofix para a fixação de cadeirinhas infantis.

Nesse aspecto, a vantagem do VW é evidente.

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Vida a bordo

Polo é mais equipado, porém vitória é apertada

Tanto o Polo quanto o Argo têm nível de acabamento parecido, com peças bem encaixadas e de diferentes texturas, a despeito da predominância de plásticos duros - algo esperado para modelos nessa categoria, o que não é ruim.

O Volkswagen não oferece ajustes do volante - nem de altura, tampouco de profundidade. Já o Fiat tem direção ajustável em altura, que também oferece melhor pegada que a do Polo.

Para compensar, o VW vem com ajuste de altura no banco do motorista, item indisponível no rival.

O Polo também é um pouco mais largo e conta com distância entre-eixos maior, porém não é algo que se note com facilidade dentro da cabine. Ajustando o banco do motorista para o meu tamanho nos dois carros, o espaço para as pernas no assento traseiro fica muito parecido e é bom para alguém com 1,70 m.

Ambos também trazem bom ajuste das suspensões, sem rolar muito a carroceria e filtrando bem os buracos e imperfeições da via. Fosse mais equipado, o Argo poderia vencer nesse item, por pouco. Mas não.

Vencedor

Polo tem melhor conjunto

Embora seja mais caro, o Polo se mostrou melhor em quase todos os quesitos e merece a vitória neste duelo.

Traz mais itens de segurança, bem como sistema de som de série, sem contar que anda (um pouco) mais.

Ao mesmo tempo, o Argo tem muitas qualidades, trazendo cabine caprichada, bom acerto de suspensão e espaço interno dentro do esperado para seu porte.

Porém, na versão de entrada abre mão de itens relevantes, por uma diferença de preço que não é tão expressiva.

Nas configurações mais equipadas, a disputa é mais acirrada.

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