Duelo: Corolla x Civic

Agora com motorização híbrida flex e construção mais refinada, sedã da Toyota mede forças com rival da Honda

Alessandro Reis Do UOL, em São Paulo
Murilo Góes/UOL

Quando se trata de sedã médio, Corolla e Civic são referências. Afinal, ano após ano a dupla tem ocupado as primeiras posições da categoria em volume de vendas no Brasil. Hoje, o representante da Toyota está consolidado na liderança por margem considerável, enquanto o Honda não cede a segunda posição a ninguém.

Ao longo do tempo, o Corolla construiu sua identidade sem se brilhar em itens específicos, e sim na média geral. Já o Civic reforçou a imagem de carro mais esportivo e bem acertado.

Com a estreia da 12ª geração, o Toyota manteve a essência, mas ganhou condução mais refinada, assistentes de condução semiautônoma e a primeira motorização hibrida flex do mundo - sem elevar muito a etiqueta de preço.

Por sua vez, Honda é na essência o mesmo carro desde 2016, quando a décima geração estreou no País, trazendo visual para lá de ousado e motor turbo na versão de topo. Ainda segue bastante atual.

Confira o duelo dos sedãs nas configurações mais caras e equipadas e saiba qual deles leva a melhor.

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Toyota Corolla Altis Hybrid Premium

Motor: 1.8, flex, quatro cilindros em linha / dois motores elétricos

Potência: 101 cv/98 cv (etanol/gasolina) / 72 cv (motores elétricos)

Torque máximo: 14,5 kgfm a 3.600 rpm / 16,6 kgfm disponíveis instantaneamente

Câmbio: CVT do tipo Hybrid Transaxle

Aceleração de 0 a 100 km/h: n/d

Velocidade máxima: n/d

Dimensões: 4,63 m (comprimento), 1,78 metro de largura, 1,45 metro de altura, 2,70 metros de entre eixos

Porta-malas: 470 litros

Preço: R$ 130.990

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Honda Civic Touring

Motor: 1.5, turbo, gasolina, quatro cilindros em linha

Potência: 173 cv a 5.500 rpm

Torque máximo: 22,4 kgfm, de 1.700 rpm a 5.500 rpm

Câmbio: CVT

Aceleração de 0 a 100 km/h: 8,6 segundos

Velocidade máxima: 221 km/h

Dimensões: 4,64 metros de comprimento, 1,79 metro de largura, 1,43 metro de altura, 2,70 metros de entre eixos

Porta-malas: 517 litros

Preço: R$ 134.900

Relação custo-beneficio

Corolla custa menos e traz itens mais relevantes

A Toyota acertou ao definir a estratégia para a versão Altis. Por R$ 124.900, você pode escolher se leva o Corolla híbrido ou a configuração convencional, equipada com o novo 2.0 flex de injeção direta e indireta.

O Altis a combustão interna vem com teto solar, acabamento interno bicolor, ar-condicionado digital de duas zonas, banco do motorista com ajustes elétricos, sensor de chuva, rebatimento elétrico dos retrovisores e lanternas traseiras de LED.

Pelos R$ 125 mil, o Altis Hybrid não traz esses itens. Eles são disponibilizados por R$ 6.000 extras no pacote Premium, que acrescenta tela central TFT no painel de instrumentos. Mesmo assim, ainda fica mais barato que o Civic.

Ao mesmo tempo, o Honda entrega tudo isso, mais itens indisponíveis no rival, como saída de ar-condicionado para o banco traseiro, recarga de celular por indução e um excelente sistema de som com dez alto-falantes, incluindo subwoofer.

Porém, o Corolla contra-ataca ao oferecer de série recursos avançados de assistência à condução, indisponíveis nem como opcionais no concorrente.

O Toyota também traz cinco anos de garantia e oito anos de cobertura para o sistema híbrido, contra três anos do Honda. Vitória fácil para o Corolla.

Design

Corolla deixa de ser "tiozão" e estilo agrada mais gente

Dizem que gosto não se discute, mas é fato que o design é um fator que pesa na decisão de compra. O Corolla traz uma evolução do desenho anterior, com destaque para os faróis de LED em forma de lâmina, a simulação de entradas de ar nas extremidades do para-choque e as lanternas traseiras "vazadas".

O conjunto ficou bem harmônico e o sedã continua sendo reconhecido como um Corolla. Ao mesmo tempo, a aparência mais arrojada tem potencial para agradar os clientes do Civic.

Já o Civic exibe praticamente o mesmo estilo desde 2016 e há pouco recebeu uma discreta reestilização na grade e nos para-choques. O desenho ousado, especialmente na parte traseira, continua bem atual - embora clientes mais conservadores tendam a considerá-lo um pouco exagerado.

Por dentro, o Civic é mais elegante, combinando materiais de diferentes texturas e oferecendo melhor ergonomia nos comandos. Porém, o Corolla acerta ao não exagerar, ficando na média entre a esportividade e o conservadorismo. Ainda por cima, traz o frescor da novidade. Ponto para o Toyota.

Desempenho

Com turbo e melhor acerto dinâmico, Civic anda bem mais

Nesse aspecto, a vantagem do Civic Touring é grande. É verdade que o motor 1.5 turbo com injeção direta só bebe gasolina, mas a performance empolga: são 173 cv de potência e 22,4 kgfm de torque, entregues a partir de 1.700 rpm.

Ou seja, tem força de sobra também em rotações mais baixas.

A posição mais baixa de dirigir, a direção elétrica progressiva mais direta e o bom ajuste de suspensões, dotado de buchas hidráulicas, combina controle e conforto. Filtra buracos e outras irregularidades do piso até melhor que o Corolla.

Já o Corolla híbrido combina motor 1.8 flex com dois motores elétricos para focar a economia de combustível e não o desempenho. Tem potência combinada em torno de 120 cv e 16,6 cv de torque praticamente instantâneos, graças ao auxílio da tração elétrica. Não é fraco, mas não foi feito para empolgar.

Na versão 2.0 flex, o Corolla Altis traz até mais potência que o Touring (177 cv), mas entrega menos torque (21,4 kgfm) e mais tarde, a 4.400 rotações.

Independentemente da motorização, o Toyota ficou mais gostoso de dirigir que seu antecessor, graças à nova plataforma TNGA, que viabilizou suspensões traseiras independentes como no Honda, chassi mais rígido e posição de dirigir mais baixa.

Ainda assim, o Civic tem comportamento dinâmico melhor.

Segurança

Corolla leva a melhor ao trazer assistentes de condução

Tanto Corolla quanto Civic são projetos globais e trazem construção para atender os requisitos de absorção de impactos em mercados exigentes como o norte-americano e o europeu.

O Toyota, inclusive, vem de série na versão de topo com equipamentos de condução semiautônoma para prevenir acidentes: controle de cruzeiro adaptativo, frenagem automática e alerta de mudança involuntária de faixa. Itens de segurança que o Civic não oferece, embora estejam disponíveis em outros países.

Por outro lado, o Honda tem uma câmera instalada no retrovisor direito para prevenir ponto cego. Basta acionar a seta direita ou pressionar um botão na ponta da alavanca que a central multimídia exibe em tela de alta resolução a visão lateral.

Além disso, ambos contam com câmera de ré, porém só o Civic oferece três ângulos de visualização. Os dois também vêm com ganchos Isofix para fixação de cadeirinha infantil.

Como é esperado em carros em sua faixa de preço, tanto o Toyota quanto o Honda trazem controles de tração e estabilidade, mais assistente de partida em rampa. O Civic acrescenta à receita sistema de vetorização de torque, que freia a roda interna para facilitar o contorno de curvas em velocidades mais elevadas.

Por outro lado, o Corolla tem sete airbags, incluindo bolsa inflável para proteger os joelhos do motorista, contra seis do rival.

Ambos trazem faróis full-LED com facho alto automático, enquanto só o Honda oferece sensores de estacionamento - dianteiro e traseiro.

Os dois rivais são veículos seguros, porém a Toyota vence nesse quesito.

Vida a bordo

Civic oferece mais espaço e mimos aos ocupantes

Enquanto o Corolla Altis oferece mais itens de segurança, o Civic Touring trata melhor os ocupantes. Traz cabine com acabamento mais premium e oferece um pouco mais de espaço para as pernas no banco traseiro - apesar de compartilhar os 2,70 metros de distância entre-eixos com o Toyota.

O Honda também conta com porta-malas maior: 517 litros contra 470 litros de capacidade.

Outro ponto a favor do Civic é vir de série, em todas as versões, com freio de estacionamento eletrônico e função "auto hold", que mantém o veículo brecado até o motorista pisar novamente no acelerador.

Já o Corolla traz freio de estacionamento manual, que rouba espaço no console. Também conta com abertura do porta-malas e do bocal do tanque de combustível por meio de alavancas ao lado do banco do motorista, enquanto no Civic esses comandos são elétricos.

O Civic também ganha nesse quesito por trazer, como já mencionado, saídas de ar traseiras e carregamento de celular sem fio.

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Embora o Civic ande mais, seja mais confortável e ofereça mais espaço interno, a vitória fica com o Corolla.

Na média, o sedã da Toyota se destaca no que mais importa: tem baixo consumo, que pode passar de 15 km/l na cidade com gasolina, oferece garantia maior, custa menos e tem mais recursos de segurança.

Além disso, ao chegar à nova geração agregou características que sempre agradaram os fãs do Honda, como dirigibilidade mais refinada e posição de dirigir um pouco mais baixa, na comparação com o modelo que ele substitui.

A possibilidade de escolher entre a propulsão híbrida e a convencional pelo mesmo preço também conta a favor do Corolla, além de oferecer de série assistentes de segurança como alerta de mudança de faixa, frenagem automática e controle de velocidade de cruzeiro adaptativo.

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