911 GT3 no Dia das Crianças

Levamos um pequeno fã de carros para acelerar no Porsche de pista feito para as ruas

José Antonio Leme do UOL, em São Paulo (SP) Marcos Camargo/UOL

O ditado popular diz que "as pessoas não crescem, o que muda é o tamanho dos brinquedos", especialmente quando se diz respeitos a homens e mulheres que gostam de carros - o que realmente é verdade.

Por isso, no dia das crianças, UOL Carros pertinente conferir na prática se a máxima do pensamento popular é verdade e convidamos um pequeno amante dos carros, Luigi de Oliveira, de 10 anos, para ir para a pista e acelerar com a gente o Porsche 911 GT3.

Marcos Camargo/UOL
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Os mais jovens não gostam de carro? Não é bem assim

Apesar de várias pesquisas indicarem que os pequenos e os mais jovens estão diminuindo o interesse por carros, sempre há boas exceções. O Luigi é uma delas. Ele adora um carro, conhece quase todas as marcas e faz o tipo curioso, que olha cada detalhe do carro.

Ainda sem idade para estar atrás do volante, a não ser para as fotos, ele foi nosso passageiro mais que especial durante a experimentação do 911 GT3 na pista do Circuito Panamericano, pista de testes da Pirelli, em Elias Fausto (SP) e no trajeto de ida e volta.

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Por dentro, o 911 GT3 confunde os menos atentos. Ele traz a mistura de conforto interno com itens como o painel de instrumentos virtual, central multimídia com Apple CarPlay e ar-condicionado de duas zonas e do outro lado os bancos esportivos de fibra de carbono com ajuste manual de distância.

Nosso convidado não deixou passar em branco os bancos. Bom piloto atrás do controle de videogame em jogos como Gran Turismo, lembrou de casa: "nossa, esse banco parece com a minha cadeira gamer".

A explicação de que sua cadeira é inspirada nos acentos de corrida, que são bem próximos aos usados no 911 GT3, o deixou ainda mais interessado e empolgado em estar ali.

Já que tocamos no assunto bancos, vale dizer que se eles são pouco práticos no dia a dia, são perfeitos no uso da pista - que é o foco principal.

Como abraçam bem nas laterais tanto nas pernas quanto no troco, não são fáceis de entrar e sair, mas ao acelerar tudo que é possível no traçado mantém piloto e passageiro no lugar.

As partes de fibra de carbono à mostra no painel, bancos e afins, deixam claro que o GT3 foi criado para ser mais leve e ter desempenho, apesar de algumas comodidades. São 1.435 kg em ordem de marcha.

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A curiosidade de quem ouve pela primeira vez que vai para uma pista se mistura com a ansiedade e a emoção de ver na vida real o que se acostumou a viver nos jogos.

Quando viu o carro pela primeira vez, Luigi comentou "é maior do que eu pensava, mas eu gostei". Realmente, apesar de ser baixo, a ponto de quando passávamos ao lado de uma carreta na estrada estarmos na altura das rodas, o Porsche é grande.

São 4,57 metros de comprimento, 2,45 m de entre-eixos e 1,85 m de largura. O para-choque dianteiro com maior abertura para admissão de ar também dá um ar de mais agressivo ao visual que é complementado pela enorme asa na traseira.

O aerofólio é ajustável manualmente para poder trabalhar a pressão aerodinâmica do esportivo. A explicação de como funciona para fazer o ar empurrar a traseira do carro no chão abriu uma cara de confusão no nosso convidado.

Com o suporte "pescoço de ganso", o mesmo dos carros de corrida, serviu também de suporte para a sessão de fotos do nosso convidado.

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A traseira virou outro mistério quando entendeu que o motor estava ali, mas que não daria para ver as entranhas que movem o carro como ele gosta de fazer com os outros modelos.

O GT3, a propósito, é o único 911 que tem motor com aspiração natural na atual geração, de código de projeto 992. Ele usa um motor seis cilindros opostos de 4 litros que rende 510 cv a 8.400 rpm e 47,9 mkgf a 6.100 rpm.

Na estrada, a caminho da pista, o motor traseiro chamou atenção de Luigi pelo "barulho", mas mal sabia ele o que estava por ouvir ainda na pista.

O som metálico do seis cilindros cheio só aparece para valer depois das 5.000 rpm quando começa a invadir a cabine e fica encorpado.

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O conta-giros no centro do painel, com a linha vermelha marcando apenas nas 9.000 rpm, mostra qual é o limite desse motor girador. E foi na saída dos boxes, já usando o modo mais extremo, o Track (pista) que nosso convidado viu o potencial do GT3.

A aceleração bruta é seguida do som absurdo que toma a cabine do motor enchendo e superando os 6, 7, 8 mil rotações. Vejo de canto de olho uma pessoinha, entre o capacete e a máscara, com olhos saltados e travando as mãos no banco e no puxador de porta.

"Tá com medo, Luigi? Tá tudo bem?", pergunto ao que a resposta vem com um "tá tudo, mas é muito rápido". Na sequência, ele pode experimentar a força G da frenagem antes de entrar na primeira curva.

Quem dá conta de reduzir a velocidade com o mesmo ímpeto da aceleração são os freios a disco nas quatro rodas de carbono-cerâmica.

São necessários 3,4 segundos para atingir os 100 km/h, segundo a Porsche e 10,8 para chegar aos 200 km/h. A velocidade máxima declarada é de 318 km/h e os olhos do pequeno arregalam quando ouve a quanto o 911 GT3 pode chegar.

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O pequeno convidado faz sua avaliação da suspensão

A estabilidade que a suspensão derivada das pistas de competição com braços de duplo A (double wishbone), usada pela primeira vez na versão de rua, dá ao carro na pista, por outro lado cobra nas ruas.

"Nossa, como esse carro é duro", diz Luigi enquanto nos dirigíamos à pista. Explico que ele é assim para a gente poder acelerar muito na pista, sem sustos.

Depois de algumas voltas lançadas no asfalto perfeito, pergunto sobre a suspensão de novo. "Aqui é bom né?", ele fala. Avaliação mais que perfeita da geração que, como dizem no futebol, "vem forte".

A suspensão dura para nosso asfalto nada perfeito na maioria das cidades e estradas fica perfeita dentro da pista, onde ondulações, tampas de bueiro, buracos e afins não existem.

O carro senta a traseira em cada curva e tem uma resposta bem direta de direção e das suas reações. Após deixar o pequeno na área de boxes, a criança adulta vai para algumas voltas com mais emoção e velocidade.

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Criança grande também se diverte

Com controles de tração e estabilidade desligados, vou atrás de ver o que consigo como aspirante de piloto. Longe de ser o ás que o 911 GT3 pede, ainda assim arrisco na última curva antes da entrada dos boxes, uma aceleração antecipada antes de apontar na reta.

Ouço os pneus cantando, uma pequena correção no volante é necessária ao entrar de vez na reta com pé embaixo. Sem a responsabilidade de prezar por uma pequena vida a bordo, que estava bastante emocionada também pelo preço do carro: R$ 1.149.000, ataquei mais as zebras do circuito atrás de tempo.

Na frenagem no final da reta principal, entre as placas de 100 metros e 50 m, pisco rápido os olhos no velocímetro e encontro 225 km/h marcando ali. O sorriso do adulto não difere do menino de 10 anos.

O Porsche 911 GT3 é um brinquedo que tira sorriso de crianças e também de adultos, que no fundo são eternas crianças, alguns com um bolso fundo o suficiente para ter esse brinquedo, bastante exclusivo e que já vendeu todo o primeiro lote que foi programado para o Brasil.

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