Audi R8 x Porsche Carrera S

De escolas diferentes, carros de sonhos se encontram em um duelo nada comum. Dá para escolher só um?

Vitor Matsubara Do UOL, em São Paulo
Marcos Camargo/UOL

Parecia que o mundo parou quando deixamos a garagem do UOL. Pedestres acenavam, motoboys buzinavam e motoristas cediam passagem como se o trânsito fosse um ambiente gentil. É, nada como sair com um Porsche 911 e um Audi R8 para fazer uma sessão de fotos.

Antes que você continue a leitura vamos deixar claro que este NÃO é um duelo comum. É um encontro pra lá de especial: de um lado temos o novíssimo Porsche 911 Carrera S, lançado há poucos meses na Europa. Do outro está o Audi R8, fruto de décadas de experiência da marca alemã nas pistas.

São modelos totalmente diferentes em preço, potência e configurações. Dois expoentes do que a indústria automotiva alemã sabe fazer de melhor. E você conhece cada um deles em detalhes a seguir.

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Porsche Carrera S

Torque: 54 kgfm de 2.300 rpm a 5.000 rpm
Câmbio: automatizado de dupla embreagem com 8 marchas
0 a 100 km/h: 3,5 segundos
Velocidade máxima: 308 km/h
Dimensões: comprimento, 4,52 metros; largura, 1,85 metro; altura, 1,30 metro; distância entre eixos, 2,45 metros
Porta-malas: 132 litros
Tanque: 64 litros
Peso: 1.590 kg

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Audi R8

Torque: 57,1 kgfm a 6.500 rpm
Câmbio: automatizado de 7 marchas
0 a 100 km/h: 3,2 segundos
Velocidade máxima: 330 km/h
Dimensões: comprimento, 4,42 metros; largura, 1,94 metro; altura, 1,24 metro; distância entre eixos, 2,65 metros
Porta-malas: 112 litros
Tanque: 83 litros
Peso: 1.555 kg

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Clássico de ponta a ponta

Poucos carros são tão icônicos como o Porsche 911. Tudo nele é carregado de história, a começar pelo design. Sua silhueta é clássica como a garrafa de Coca-Cola, e pouco mudou ao longo de cinco décadas.

O novo 911 evoluiu sem abandonar as raízes. A tradição dos faróis redondos persiste, mas há espaço para ousadias como o desenho das lanternas interligadas por um filete de leds - seguindo a nova identidade visual da marca.

O belo interior (com espaço para dois adultos e talvez duas crianças) foi inspirado no primeiro 911 de 1963 com suas linhas horizontais.

É bonito ver como a Porsche modernizou a cabine do cupê sem ignorar a tradição em elementos como a chave de partida do lado esquerdo e a clássica disposição dos mostradores (parcialmente digitais) com o conta-giros ao centro. Não há nem como imitar: só um Porsche é igual a outro Porsche.

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Carro de cinema

Foi só no fim dos anos 2000, quase quatro décadas após o surgimento do 911, é que a Audi lançou o R8. Do conceito Le Mans quattro vieram as belas linhas que fariam o superesportivo famoso no mundo inteiro graças a Tony Stark, o Homem de Ferro interpretado no cinema por Robert Downey Jr.

O R8 realmente parece um carro de super-herói. Seu design futurista herda muito dos vitoriosos protótipos da Audi, que fizeram história nas 24 Horas de Le Mans - exatamente a mesma prova que consagrou a Porsche tempos atrás.

O interior traz muita coisa do TT, como o painel digital que serviu de inspiração para a Volkswagen. O visual é minimalista e há algumas soluções criativas, como os charmosos mostradores redondos embutidos nos próprios comandos de ventilação.

Já o botão de partida fica no próprio volante, juntamente com o seletor de modos de condução e a regulagem do som do escapamento, e é apenas um dos elementos que parecem vindos de um carro de competição. A manopla do câmbio é do tipo "joystick" e tem engates curtos como um clique.

Por fora, o capô curto e a traseira longa com o motor protegido por um vidro como se estivesse em uma vitrine deixam o R8 com um visual mais ousado do que o 911. E não é só no design que eles são diferentes.

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Escolas diferentes

Os conterrâneos apostam em receitas bem distintas. A Audi equipa o R8 com um possante V10 de 5,2 litros com 610 cv e torque máximo de 57,1 kgfm. Sua origem é nobre, já que é o mesmo motor utilizado pela Lamborghini (a marca é controlada pela Audi, ambas pertencentes ao Grupo Volkswagen) no antigo Gallardo e atualmente no Huracán.

Dele vem um ronco diferente daquele que estamos acostumados a ouvir nos carros da linhagem RS. O som é mais alto e estridente, embora não seja idêntico ao dos superesportivos italianos. Afinal de contas, nem tudo precisa ser igual, né?

De qualquer maneira, a sinfonia dos 10 cilindros berrando a alguns centímetros do seu ouvido empolga qualquer um. Até o mais pacato dos motoristas não resiste a uma esticada na saída do semáforo ou a fazer reduções de marcha propositais dentro de um túnel só para ouvir os estalos que saem dos escapamentos. E olha que eles não são nada discretos - talvez aí a origem italiana do motorzão fale mais alto?

Dirigir um 911 é uma experiência que se torna mais prazerosa a cada nova geração. Desta vez, os controles eletrônicos não ajudam apenas a fazer uma largada perfeita, obter o melhor ajuste de suspensão ou a corrigir a trajetória quando o motorista passa dos limites.

Ele traz até um modo para pista molhada, que altera as configurações do controle de estabilidade, a sensibilidade do acelerador, a atuação da asa traseira (que se ergue acima dos 90 km/h) e o sistema de vetorização de torque.

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Quase um carro de corrida

As reações no R8 são explosivas: bastam 3,2 segundos para ir de 0 a 100 km/h e em mais alguns instantes o velocímetro já tocaria nos 200 km/h. A direção é bem pesada e o câmbio automatizado de dupla embreagem é ligeiro. Talvez você até torça o nariz, mas a Audi diz que ele troca marchas mais rápido do que qualquer piloto seria capaz de fazer com transmissão manual. Quem somos nós para discordar?

Quem está ao volante do Audi sente-se no comando de um carro de corrida. Inclusive pela posição de dirigir bastante baixa. A suspensão tem calibragem bastante firme, e o lado ruim é que qualquer mínima imperfeição do asfalto é prontamente sentida pelos ocupantes. Mas não se preocupe: ele não foi feito para andar no trânsito diário. E tenho certeza que você não faria isso se tivesse um.

Já o 911 aposta na fórmula que faz a alegria de seus fiéis fãs há décadas. Sua receita todo mundo sabe de cor: o motor traseiro Boxer de seis cilindros com 450 cv e 54 kgfm ganhou turbinas maiores e um sistema de injeção direta com atuação mais precisa. O câmbio de dupla embreagem conhecido como PDK agora tem oito marchas em vez de sete, e já está pronto para ser conectado a um sistema híbrido - algo que deve ocorrer em gerações futuras.

Fato é que a dirigibilidade do esportivo mais famoso da Porsche continua empolgando quem está no comando. São necessários 3,7 segundos para acelerar de 0 a 100 km/h e a velocidade máxima é de 308 km/h. Ele continua com a dianteira leve, mas a traseira não parece escorregar com tanta facilidade quanto antes - comportamento que assustava "não iniciados" no esportivo.

Mesmo assim, o 911 é bastante confortável se for dirigido no dia-a-dia, absorvendo muito bem os buracos. Ele também estressa menos o motorista em meio a um congestionamento pesado: a impressão é que você está dirigindo um carro bem menor e mais amigável, como um sedã de luxo.

Esquecemos de algo? Ah sim, o ronco do R8 é muito mais chamativo, mas o cupê Stuttgart tem um som próprio, que todo fã de Porsche identifica a quilômetros de distância.

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Dá para pegar um só?

Escolher entre 911 e R8 é uma das decisões mais difíceis na vida de um fã de superesportivos. Alguns podem preferir a tradição da Porsche em construir carros esportivos confiáveis e empolgantes. Outros, porém, podem se seduzir pela tecnologia das pistas empregada no R8 (que utiliza metade das peças do carro que disputa corridas), praticamente um carro de competição feito para as ruas.

O Audi segue a cartilha do clássico esportivo ao apostar na configuração de dois lugares e motor em posição central-traseira. Dono de um ronco feito para entusiasmar quem está dentro (e fora) do carro, o R8 é um brinquedão de gente rica capaz de transformar qualquer dia ruim em diversão.

Dirigir o Porsche é conduzir um pedaço da história sobre rodas. Além de carregar toda a tradição de uma das marcas de carros mais respeitadas do planeta, o 911 estabelece uma conexão com um passado em que os esportivos eram carros descompromissados, feitos unicamente para divertir quem está ao volante.

Um dos maiores méritos do 911, porém, é que qualquer pessoa consegue dirigir um. Ele é o superesportivo que a gente espera em uma pista de corrida ao mesmo tempo em que pode ser o carro feito para uma ida ao supermercado.

Analisando tudo na balança a conclusão é óbvia para quem curte supercarros: não há como comparar estes dois mitos tampouco apontar qual deles é o melhor. Cada um tem suas armas para te conquistar, e seja qual for sua escolha (e seu orçamento), você jamais vai se arrepender.

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