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Volkswagen mira compra da JAC para expandir produção de carros elétricos

JAC vende no Brasil o iEV40, modelo elétrico mais barato do país - Divulgação
JAC vende no Brasil o iEV40, modelo elétrico mais barato do país
Imagem: Divulgação

Julie Zhu e Arno Schuetze*

De Hong Kong e Frankfurt

10/04/2019 10h47

Resumo da notícia

  • Empresas já têm parceria para produção de elétricos na China
  • VW estaria disposta a comprar grande participação na JAC
  • China afrouxou regras locais para montadora estrangeira
  • Volks vendeu 4,21 milhões de carros na China em 2018

A Volkswagen está avaliando a compra de uma grande participação na JAC Motors, sua parceira em joint-venture para produção de veículos elétricos na China, e acionou a Goldman Sachs como consultora do plano, disseram pessoas com conhecimento direto do assunto.

O movimento da VW, a maior montadora estrangeira na China, para comprar ações do Grupo Anhui Jianghuai (JAC Motors) é o mais recente das montadoras estrangeiras a acelerar sua participação no maior mercado de carros do mundo desde que Pequim afrouxou no ano passado as regras para companhias vindas de fora do país asiático.

A BMW concordou, em outubro passado, na compra do controle de sua principal joint-venture no país por 3,6 bilhões de euros (R$ 15,54 bilhões na conversão direta). A Daimler, dona da Mercedes-Benz, também planeja aumentar sua participação na parceira local BAIC.

O movimento de compra de participação mostra que a JAC seria uma peça-chave na grande aposta global da Volkswagen em automóveis elétricos e na forte demanda chinesa por tais veículos. A empresa alemã planeja transferir grande parte de sua produção planejada de elétricos para a China por meio da JAC, se ela conseguir o controle da parceira local, disse uma das fontes.

Abertura às marcas estrangeiras

Estrangeiros foram impedidos anteriormente de controlar qualquer montadora ou joint-venture chinesa. Pequim removeu no ano passado esses limites para empresas que produzem veículos híbridos, totalmente elétricos e híbridos plug-in. Os limites para os fabricantes de veículos comerciais diminuem em 2020 e em 2022 a liberação se estenderá a todo o mercado local de automóveis.

O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, prometeu na terça-feira (9) à União Europeia que Pequim deixará de forçar as companhias estrangeiras a compartilhar know-how sensível com empresas locais, a fim de operarem na China. O dirigente também sinalizou que o país está disposto a discutir novas regras comerciais globais sobre subsídios industriais.

A Volks, que tem uma capitalização de mercado de quase US$ 85 bilhões (R$ 326,5 bilhões), atualmente não possui ações da JAC, listada em Xangai, cujo valor de mercado é superior a US$ 1,7 bilhão (R$ 6,5 bilhões), segundo dados do "Refinitiv".

Os planos do gigante automobilístico alemão estão em estágio inicial, mas a montadora europeia está disposta a ter uma grande participação, disseram três pessoas consultadas pela reportagem. Duas dessas fontes disseram que a Volkswagen buscará comprar ações dos principais acionistas da JAC, que, segundo os dados do "Refinitiv", são principalmente empresas apoiadas pelo Estado com mais de 40%.

O Grupo Anhui Jianghuai detém uma participação de 24% e é totalmente controlado pelo governo local.

Quando contatada pela "Reuters", a VW disse: "Estamos observando cuidadosamente quais são as implicações para nossos negócios e para nossos parceiros de joint-venture. A esse respeito, exploraremos todas as opções possíveis junto com todas as partes interessadas para garantir o sucesso de longo prazo na China". A JAC e sua controladora não responderam a solicitações de comentários e a Goldman se recusou a comentar. As fontes se recusaram a ser identificadas, pois o assunto é confidencial.

A JAC está negociando o Preço da Ação/Valor Patrimonial s 0,93, o que significa que a Volks teria que pagar um prêmio por ações, uma vez que os acionistas estatais da JAC não podem vendê-las por menos que seu valor contábil.

As ações da montadora chinesa saltaram e atingiram o limite máximo diário de aumento de 10% na tarde de quarta-feira. As ações da VW foram ligeiramente menores no início do pregão.

"As notícias mostram que o poder de barganha de empresas como JAC e BAIC é mais forte, e a determinação da Volkswagen e Daimler em cooperar com parceiros chineses no longo prazo também é firme", disse Patrick Yuan, analista da "Jefferies" em Hong Kong.

Volkswagen na China

A VW, sediada em Wolfsburg (Alemanha), que vendeu 4,21 milhões de carros na China continental e em Hong Kong no ano passado, opera no país asiático há décadas. Além da JAC, possui joint-ventures com o FAW Group e com a SAIC.

A empresa formou sua joint-venture, controlada meio a meio com JAC, em 2017. O objetivo era pesquisar e desenvolver carros de passageiros com emissão zero, com investimento de cerca de US$ 91 bilhões (R$ 349,6 bilhões). Separadamente, a SK Innovation Co, da Coreia do Sul, disse que está em negociações para criar joint-ventures separadas para a fabricação de baterias com a Volkswagen e parceiros chineses, informou a "Reuters" na quarta-feira.

A JAC, a 11ª maior montadora local da China em vendas de grupo, fabrica uma série de veículos comerciais, incluindo picapes e caminhões pesados. Também produz veículos para a fabricante de carros elétricos NIO.

A JAC reportou em janeiro prejuízo líquido de 770 milhões de yuans (R$ 440,2 milhões) em 2018, principalmente devido a uma queda nas vendas de carros, comparado a um lucro de 432 milhões (R$ 247 milhões) em 2017. Excluindo itens excepcionais como subsídios do governo, as perdas chegariam a 1,9 bilhão de yuans (R$ 1,1 bilhão), disse a companhia. Ela divulgará os resultados anuais em 30 de abril.

*Reportagem adicional de Edward Taylor em Frankfurt, e Kane Wu, em Hong Kong

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