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Carregador sem fio do carro pode fritar meu celular? Veja verdades e mitos

Carregador sem fio da Fiat Strada 2023 - Divulgação
Carregador sem fio da Fiat Strada 2023 Imagem: Divulgação

Julio Cabral

Do UOL, em São Paulo

01/08/2022 04h00

Carregadores de celular sem fio (wireless) se popularizaram nos carros mais recentes. Ainda há dúvidas sobre o funcionamento da tecnologia, se ela pode levar ao aquecimento do celular, de moedas deixadas na parte de cima do dispositivos e outros objetos metálicos.

UOL Carros conversou com especialistas e fabricantes para termos uma ideia dos riscos e se eles fazem sentido.

Como funciona

Aqui cabe a explicação técnica de como funciona o equipamento. Há duas bobinas elétricas, uma instalada no celular e a outra no próprio espaço do carregador sem fio. Quando uma bobina detecta a outra, a transferência de energia começa. É uma tecnologia regulamentada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), pois funciona com base em comunicação sem fio. Até as chaves do tipo sem fios têm que trazer esse selo.

Tudo pode variar de acordo com a idade do projeto do carregador. "O importante é que existem gerações de produtos. Essas gerações foram apresentando evoluções na funcionalidade e na potência. Os primeiros eram 5 watts e hoje carregam até 15W", afirma Flavio Sakai, diretor de Eletroeletrônica da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA).

Em vez de funcionar como carregadores para amenizar a drenagem de bateria dos aparelhos, os mais atuais são capazes de carregar de fato as baterias. É um alívio para aqueles que compraram carros mais recentes e costumam usar vários programas ao mesmo tempo, tais como Waze e Spotify. É importante também deixar o smartphone na posição indicada no carregador, caso não, a recarga será prejudicada ou inexistente.

E se eu colocar objetos metálicos?

A possibilidade de aquecer outros objetos deixados ali é pequena, porém, pode acontecer nos mais antigos. Por mais que a tecnologia detecte se há um celular ali ou não, aquecer moedas ou danificar um cartão de crédito não está descartado. "Isso também depende da geração do carregador. Alguns podem prejudicar qualquer coisa metálica ou magnética e prejudicar", completa Flavio.

Mas o risco é pequeno nos novos aparelhos. "A tecnologia de recarga só começa a funcionar à medida que eles sentem algo metálico. Só funciona no momento que eles sentem algo metálico, pode ser uma moeda ou algo de metal, mas só quando sentem essa presença e costumam desligar quando descobrem que não é um celular", tranquiliza Ricardo Takahira, da comissão técnica de veículos elétricos e híbridos da SAE Brasil.

"O carregador vai entender o que diz o celular e o nível de carga que ele precisa, mas o algoritmo que define a carga é o celular. Se uma marca de smartphone visa não deixar aquecer e prefere uma recarga mais lenta, está feito. O sistema não é tão cego quanto pode parecer, existem softwares dos dois lados", salienta Flavio Sakai.

A detecção do calor é feita de maneira coordenada, uma vez que os celulares já contam com essa tecnologia de detecção há muito tempo. A bobina do carregador também sabe quando é necessário resfriar o componente e cortar a recarga.

O que dizem os fabricantes?

De acordo com o grupo automotivo Stellantis, "não há problema para a segurança ou risco em colocar objetos de metal sobre o carregador por indução. No entanto, o carregamento do dispositivo móvel é interrompido caso seja detectado algum objeto metálico ao mesmo tempo em que o celular está lá", explica Fernando Ataide, responsável de Conectividade & Infotainment.

"Quanto ao aquecimento do celular, o próprio sistema de carregamento por indução do celular gera um aquecimento natural que pode variar de aparelho para aparelho, assim como o carregamento via cabo", completa.

Tudo isso vai variar de acordo com o uso intensivo ou não do celular. Há até modelos com saídas de ar-condicionado direcionadas ao dispositivo para amenizar essas situações.

"O uso demasiado de apps, mesmo em segundo plano, também podem provocar o aquecimento do dispositivo móvel. Por exemplo, utilizando a projeção de Android Auto ou Apple CarPlay os processadores precisam estar constantemente ativos, o que causa aquecimento", disse Ataide.

"Para amenizar o aquecimento do dispositivo móvel durante o seu carregamento, alguns veículos da Stellantis já possuem soluções com saídas de ar-condicionado dedicadas ao resfriamento do celular. Além de melhorar a performance de carregamento dos smartphones, também garante que os mesmos se manterão em uma temperatura mais baixa e sem interrupções de conexão por sobreaquecimento", acrescenta.

A posição da Hyundai ressalta a questão das temperaturas máximas de funcionamento. "A Hyundai Motor Brasil informa que o sistema de recarga por indução utiliza um campo eletromagnético gerado por uma bobina do equipamento, capaz de transmitir eletricidade para o aparelho celular, permitindo que ele seja recarregado sem fio", diz Flávio Cuareli, Gerente de Produto da marca no Brasil.

"Este sistema detecta a presença de equipamentos compatíveis e somente nessas circunstâncias ativa a bobina, permitindo o uso seguro da área sobre o carregador, mesmo quando não há celulares sobre ele. Sendo assim, ao colocar junto outros objetos de metal/metalizados, como chaves, moedas ou cartão magnético sobre o carregador, não ocorrerá carregamento. E, para que o carregamento seja feito, precisam ser removidos quaisquer objetos da área antes de carregar o telefone, caso contrário, deixar objetos metálicos sobre o carregador por indução, podem aquecê-los e, no caso de cartões magnéticos, até perder as informações gravadas", conta.

"O circuito instalado em nossos veículos possui sensor de monitoramento de temperatura e automaticamente desliga quando excedida determinada temperatura durante o carregamento. Desta maneira, não se corre o risco de sobreaquecimento em funcionamento normal, uma vez que o carregamento é bloqueado em determinada temperatura", reforça Flávio. De acordo com o executivo, a temperatura de desligamento é de 60 graus, enquanto a de recuperação é de 45 graus.

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