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Packard 1947: como é o carro raro de poucos donos que parou no Brasil

Fernando Garcia

Colaboração para o UOL

15/04/2022 04h00

A Packard, considerada por muitos como o "Rolls Royce americano" foi uma marca de veículos de luxo construída pela indústria Packard Motor Car Company de Detroit, Michigan, Estados Unidos, sendo que os primeiros exemplares foram construídos em 1899.

Fundada pelos visionários irmãos James Ward e William Doud, a companhia se concentrava em fabricar modelos para famílias endinheiradas e as primeiras unidades eram equipadas com motor monocilíndrico e mais tarde, em 1903, surgiram os de 4 cilindros (Model K).

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No entanto, a variedade de motores não parava por aí, incluindo propulsores de aeronaves ao esforço de guerra dos Aliados. Havia o de seis cilindros estreado no Série 1-48 Six de 1912, além dos modelos "Twin Six" com unidades de 12 cilindros, feitos entre 1915 e 1923.

Em meio a tanta oferta, a firma não deixaria de oferecer o tradicional modelo Super Eight, que competiria com modelos da Buick, Chrysler, Cadillac e Lincoln. Introduzido no em 1930, o nome denunciaria motores de oito cilindros em linha e, em 1955, o V8, oito cilindros em V.

É dessa linhagem que o colecionador e proprietário da loja JS Autos Antigos, João Antônio Siciliano, possui; mais especificamente falando um raríssimo Packard Custom Super Clipper Eight Touring Sedan de 1947, cuja produção se resume aos anos de 1933 a 1951.

Além de muito raro, ele nunca saiu do bairro paulistano Vila Monumento e sequer passou por restaurações desde que foi adquirido zero-quilômetro pelo primeiro dono através da companhia Auto Geral representante da marca em São Paulo.

O segundo dono, o saudoso Romeu Siciliano e pai de João o adquiriu na década de 1960 e nunca saiu da família. Ficou guardado em um galpão por mais de 45 anos sobre cavalentes sem sequer fazer o motor trabalhar.

Packard 1947 - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

O empresário conta que ficou muito surpreso ao decidir voltar a funcioná-lo recentemente, sob a batuta do mestre Paulo de Lauro, o Paulinho, mecânico especializado em carros antigos que revelou que o modelo só precisou de apenas alguns ajustes para voltá-lo à ativa.

"Foi muito fácil fazê-lo funcionar e pegou logo de primeira após a revisão. Só troquei todos os óleos e fluidos, além de limpar o tanque de combustível, bomba de gasolina e carburador e o platinado, inclusive, só foi lixado não havendo necessidade de substituição", relata.

O Packard Clipper de João hoje ostenta orgulhosos 59.000 km e conta com motor 356 de 8 cilindros em linha e 5,8 litros que rende excelentes 165 cv, com sistema de alimentação 6 volts, câmbio de 3 marchas na coluna com Over drive.

Uma característica bem legal do sedã e que ainda funciona, é que durante o abastecimento, a velocidade com que o combustível é despejado no tanque soa um apito e quando este para, indica que o tanque está cheio e é hora do frentista parar de abastecer.

Packard 1947 - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

O Packard também está equipado com uma cigarreira que entrega o cigarro já acesso ao motorista e que, segundo o próprio João, nunca foi usada. Era uma época em que o hábito era sinal de status, algo que combinava com a proposta do sedã de luxo e um item raríssimo.

"Dirigi-lo é uma experiência única. Ele é muito silencioso e espaçoso e a marca Packard foi uma marca tida como o Rolls Royce americano e muito cobiçada por grandes empresários e artistas da época. Até hoje, é uma verdadeira obra de arte e conforto", explica João.

O colecionador conta que seu pai quando o adquiriu costumava usar muito pouco com medo de que sofresse alguma colisão ou arranhão e, por isso, o extremo cuidado do exemplar que revela mais uma curiosidade: as iniciais do nome do primeiro dono gravadas na tampa do porta-luvas, "A C".

"Ele sempre foi muito cuidadoso com a sua conquista a ponto de entrar no carro e dirigir sem os sapatos só para manter a textura do luxuoso veludo bordeaux do carpete e dos tapetes originais", revela Siciliano.

Além de raro, o Packard Custom Super Clipper Eight Touring Sedan, desde de que foi adquirido zero-quilômetro em 1964, também foi pouco visto em eventos de carros antigos, a mais memorável lembrança foi em 1974 em um roteiro pela cidade paulista de Campos do Jordão.

"Meu pai adorava contar as histórias com o seu Packard e eu me orgulho muito de herdar esse fascínio por carros antigos e que hoje é meu negócio junto a JS Autos Antigos, que atua no mercado no comércio e locação há mais de 20 anos", comemora.

Junto ao Packard, João também guarda raridades como um raro Ford Phaeton Luxo de 1931, um Chevrolet Belair 1955 Conversivel, um Ford 1959 Skyliner com teto retrátil, Corvette 1959 C1, Mercedes-Benz 1971 280 SL "Pagoda", além de bicicletas, motos e demais memorabilias.

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