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Donos de Volkswagen reclamam de defeito que pode até comprometer direção

Polo, Virtus e T-Cross são construídos sobre a mesma plataforma, a MQB - Divulgação
Polo, Virtus e T-Cross são construídos sobre a mesma plataforma, a MQB Imagem: Divulgação

Paula Gama

Colaboração para o UOL

07/02/2022 04h00

Grupos de proprietários dos Volkswagen Polo e Virtus nas redes sociais estão cheios de consumidores reclamando de um problema conhecido pelos donos do T-Cross: eixo traseiro trincado. Relatos de danos à peça também se acumulam no site "Reclame Aqui", e alguns deles, inclusive, afirmam que o componente precisou ser substituído mais de uma vez no mesmo veículo. Apesar de a situação ser semelhante à do SUV, desta vez, a montadora não convocou recall para substituição do item defeituoso.

Em outubro de 2019, a Volkswagen convocou proprietários de 7.471 unidades do T-Cross, ano/modelo 2020, para recall. Na época, a empresa afirmou que o chamado era para inspeção e, caso necessário, substituição de todo o eixo traseiro.

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Na nota, a marca dizia existir "possibilidade de trinca do eixo traseiro, com o surgimento de ruído" devido ao componente ter sido produzido fora das especificações. A convocação dizia ainda que "em casos extremos, haverá contato do pneu com o revestimento da caixa de roda e desalinhamento do volante, com o comprometimento da dirigibilidade do veículo e risco de acidentes com danos físicos e materiais aos ocupantes e a terceiros".

Apesar de, no caso do T-Cross, ter reconhecido o grave risco de circular com o eixo traseiro trincado, desta vez a montadora adota decisão diferente em relação ao defeito que tem sido apresentado por unidades de Polo e Virtus.

"O modelo T-Cross utilizava um eixo traseiro que, em um determinado período de produção, foi fabricado fora das especificações do produto. Em 15/10/2019, a empresa anunciou o recall de 7.471 unidades, com data de fabricação entre 03/05/2019 e 22/07/2019, para inspeção e, se necessário, substituição do eixo traseiro. Os modelos Polo e Virtus utilizam eixos traseiros diferentes dos utilizados pelo T-Cross", afirmou a Volkswagen à reportagem, através de nota.

O taxista conhecido como "Grillo Maciel" mostra a rachadura no eixo traseiro do seu Virtus - Reprodução/Youtube - Reprodução/Youtube
O taxista conhecido como "Grillo Maciel" mostra a rachadura no eixo traseiro do seu Virtus
Imagem: Reprodução/Youtube

No comunicado, a empresa diz ainda que os modelos Volkswagen contam com três anos de garantia total e seguem rigorosamente todos os testes de durabilidade e resistência, atendendo ao mais alto padrão de qualidade do Grupo Volkswagen no mundo.

Clientes relatam barulho estranho

Os relatos dos consumidores têm sempre algo em comum: a identificação do problema sempre começa com um barulho vindo da parte traseira do veículo. Alguns têm a sorte de identificar a rachadura no eixo traseiro rapidamente, enquanto outros passam anos sem solução.

"Desde o primeiro ano de compra compareci inúmeras vezes nas concessionárias para reclamar dos barulhos que o carro fazia. Eles sempre informaram que não havia nada de errado. Levei em um mecânico do bairro e, assim que colocou o veículo no elevador, constatou os trincos e rachaduras no eixo dos dois lados", afirma relato de um consumidor, proprietário de um Polo Highline 18/19, no site "Reclame Aqui".

O representante comercial Marcos Sousa passou por uma situação parecida com o seu Polo 2020 com 68 mil km rodados. E com um agravante: estava a 220 km de casa.

"Percebi um barulho estranho na traseira e achei que fosse o amortecedor. Mas, ao buscar a oficina mais próxima, o mecânico percebeu que o eixo traseiro estava rachado, quase rompendo de fato. Na hora ele afirmou que eu não teria condições de rodar com o carro daquela forma, mas estava em uma viagem a trabalho", lembra Marcos.

No momento de desespero, precisando voltar para casa, a solução encontrada foi fazer uma solda na peça. Chegando em sua cidade, Anapurus, no Maranhão, o representante comercial foi atrás da concessionária, que afirmou que a garantia não cobria a substituição da peça.

"O eixo novo custava R$ 1.500, mais uma mão de obra de R$ 800. Comecei a buscar a peça fora da concessionária, mas todos alegavam que a procura estava alta. É um problema recorrente", lamenta.

Tenho um Polo/Virtus, e agora?

Na maioria dos relatos dos clientes, quando dentro da garantia, a peça é substituída sem custo pela Volkswagen. Mas Manoel Tadeu Machado de Menezes, advogado especializado em causas envolvendo problemas crônicos em veículos, explica que mesmo os carros fora da cobertura têm direito a reparo, já que a vida útil do produto deve prevalecer sobre a garantia contratual.

"Um eixo não é feito para durar tão pouco. Por isso, a saída para quem percebeu o problema fora da cobertura é juntar toda a documentação, inclusive a negativa de conserto por parte da montadora, e ajuizar a questão", orienta o especialista.

Quem tem um desses modelos na garagem, mas ainda não foi surpreendido pelas rachaduras, também pode agir preventivamente.

"Proprietários do modelo podem formular uma notificação extrajudicial à Volkswagen para que ela explique porque fez um recall no T-Cross, construído sobre a mesma plataforma, e não fez no Polo e no Virtus. É possível solicitar um laudo técnico e uma avaliação se esses carros sofrem os mesmos riscos. Se a montadora negar, é possível levar a questão à Justiça", informa Machado de Menezes.

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