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Gasolina cara: 5 hábitos ao dirigir que te fazem gastar ainda mais

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Imagem: iStock

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

26/01/2022 04h00

Não é de ontem que o preço da gasolina e dos demais combustíveis está nas alturas. Mais do que nunca, vale a pena prestar atenção na forma como você abastece e conduz veículos e rever seus hábitos, se for necessário, para não aumentar ainda mais os gastos no posto.

De acordo com a Renault, o estilo de condução, sozinho, pode reduzir em pelo menos 10% o consumo.

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Já cuidados com itens como calibragem dos pneus e alinhamento e balanceamento das rodas, bem como troca de óleo, velas e cabos dentro do prazo, são capazes de proporcionar outros 10% de economia - segundo a montadora.

Segundo especialistas, até a quantidade de combustível que você coloca no tanque tem algum impacto no consumo e, consequentemente, na conta com abastecimento no fim de cada mês.

Confira algumas práticas que devem ser evitadas para você não gastar ainda mais no posto.

1 - Não encha tanque até a boca nem ande na reserva

Carro é abastecido no posto de combustível - Geremias Orlandi/Futura Press/Folhapress - Geremias Orlandi/Futura Press/Folhapress
Imagem: Geremias Orlandi/Futura Press/Folhapress

Ao encontrar preços atraentes, muitos tratam de encher o tanque. Pois saiba que abastecê-lo até quase transbordar ou rodar constantemente na reserva são hábitos que não fazem bem à saúde do carro e também contribuem para aumentar o consumo.

"Encher o tanque até o bocal danifica o cânister, que é filtro com carvão ativado responsável por reter os gases provenientes da evaporação do combustível. Esse filtro, geralmente localizado próximo ao tanque, é encharcado, perdendo toda sua eficiência", alerta Everton Lopes, mentor em tecnologia e inovação da SAE Brasil.

De acordo com o engenheiro, os vapores que emanam do tanque são altamente tóxicos e poluentes - daí a importância de manter o cânister em bom estado.

A orientação do especialista é parar o abastecimento assim que gatilho for desarmado - o que proporciona nível adequado e seguro.

Além disso, rodar com o tanque preenchido na capacidade máxima reduz a eficiência do veículo.

A explicação é simples: quanto mais peso houver a bordo, maior será a quantidade de combustível necessária para percorrer determinada distância.

"A cada 100 kg, o consumo sobe 6%", informa Lopes.

Parece algo inexpressivo, mas é bom não esquecer que esse desperdício vai se acumulando com o passar do tempo - e o prejuízo também.

Outro extremo não recomendado por Everton Lopes é deixar o tanque constantemente na reserva - o manual do proprietário de qualquer automóvel também condena a prática.

Além do risco de pane seca, que pode causar danos mecânicos e, inclusive, rende multa de trânsito, o consumo também sobe nessa situação.

"O tanque quase vazio significa mais espaço para vaporização do combustível. A taxa de perda por evaporação, portanto, sobe".

A influência no consumo dificilmente será perceptível no momento, mas cobrará seu preço a médio e longo prazo.

2 - Livre-se do 'peso morto'

Porta-malas do carro lotado de bagagens - Getty Images - Getty Images
Imagem: Getty Images

Como explicamos no item acima, rodar sempre com o tanque cheio, sobretudo em vias urbanas, contribui para o aumento no consumo - quanto mais pesado estiver o carro, mais combustível será gasto.

A regra também se aplica ao transporte de bagagens sem necessidade, hábito de muitos motoristas: tem gente que guarda uma infinidade de tranqueiras no porta-malas, simplesmente por preguiça ou para usá-las "em caso de necessidade".

Também é comum manter bagageiros e suportes de bicicleta instalados mesmo quando estão fora de uso.

Livre-se do "peso morto", portanto.

3 - Dirigir de forma brusca não é boa ideia

Motorista pisa no pedal de freio - Shutterstock - Shutterstock
Imagem: Shutterstock

Tem motoristas que costumam dirigir freando e acelerando de forma brusca, por confiarem nos seus reflexos e preferirem uma tocada "mais esportiva".

Porém, esse é um péssimo hábito para a saúde do seu automóvel: a prática, se for recorrente, contribui para o desgaste do motor e também dos freios, da suspensão e até dos pneus.

Sem contar que atrasar a frenagem e acelerar sem necessidade eleva e muito o consumo de combustível - ou seja, significa, literalmente, desperdiçar a gasolina, o etanol ou o diesel que está no tanque.

O centro de pesquisas automotivas Cesvi Brasil recomenda que o condutor acelere e freie de maneira mais suave para que todos os itens citados tenham maior durabilidade. Isso inclui trocar as marchas na faixa de rotação ideal, sem forçar o motor.

A dica de ouro é sempre se antecipar ao trânsito: se o tráfego logo à frente estiver parado, deixe de acelerar e já comece a brecar, de forma progressiva.

4 - Desconfie se o preço estiver muito abaixo da média

Fiscal da ANP analisa amostra de combustível - Divulgação/ANP - Divulgação/ANP
Imagem: Divulgação/ANP

Nestes tempos de carestia, é natural dar preferência a postos que oferecem preços mais convidativos.

Preço baixo não é sinônimo de adulteração, mas vale a pena desconfiar quando os valores estão muito abaixo da média do mercado.

Erwin Franieck recomenda dar preferência a postos conhecidos, além de sempre pedir a nota fiscal para comprovar a compra.

Afinal de contas, gasolina "batizada" com solvente e etanol adulterado com adição de água são capazes de afetar seriamente a saúde do motor e dos seus agregados.

"O solvente danifica componentes como dutos, vedações e peças emborrachadas, além causar a formação de depósitos no interior do propulsor. Etanol com mais água do que determina a especificação acelera a corrosão de itens e traz funcionamento irregular".

As consequências imediatas do abastecimento com combustível adulterado são perda de performance e alta no consumo.

Vale destacar que nem sempre se coloca solvente na gasolina. Há muitos casos nos quais o comerciante mal-intencionado eleva o percentual de etanol acima dos 27% estabelecidos por lei para a gasolina comum, pois o derivado da cana-de-açúcar é mais barato.

Ao mesmo tempo, a autonomia com etanol é menor, elevando o gasto de combustível.

5 - Rodar com motor sempre frio é roubada

Motor de automóvel - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Rodar pouco a cada dia não garante gastar menos combustível - pelo contrário, ainda faz o carro beber mais.

O motor precisa atingir determinada temperatura para o calor expandir os componentes internos e, assim, proporcionar condições ideais de funcionamento e lubrificação.

Usar o carro continuamente em deslocamentos muito curtos, insuficientes para se atingir a temperatura correta, acelera o desgaste e eleva o consumo de combustível.

"Dirigir durante menos de 15 minutos nem esquenta o óleo do motor, impossibilitando a lubrificação adequada. Tem carro com baixa quilometragem que apresenta mais desgaste na comparação com um exemplar mais rodado, que no entanto funciona a maior parte do tempo na temperatura ideal".

Franieck informa que veículos abastecidos com etanol tendem a apresentar mais problemas na "fase fria", especialmente em localidades com temperaturas mais baixas.

"Em dias frios, a partida de motor abastecido com etanol tende a ser mais difícil em carros antigos, sem sistema de pré-aquecimento. Injeta-se mais combustível no arranque e a parte não queimada do etanol gera água como resíduo. Se o motor não esquentar adequadamente, a água não evapora e acaba contaminando o óleo, comprometendo sua performance".

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Errata: o texto foi atualizado
O título anterior "Gasolina cara: por que gastar muito no posto também é culpa sua" passava a impressão equivocada de que o motorista tem influência nos preços altos dos combustíveis nos postos. O título foi substituído para melhor compreensão.