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Donos de Amarok apontam pane repentina no motor e falta de assistência

A bomba CP4 Bosch também tem apresentado defeitos em modelos de outras marcas no mercado americano - Marcos Camargo/UOL
A bomba CP4 Bosch também tem apresentado defeitos em modelos de outras marcas no mercado americano Imagem: Marcos Camargo/UOL

Paula Gama

Colaboração para o UOL

18/01/2022 04h00

Lançada no Brasil em 2010, a Volkswagen Amarok é uma picape com milhares de fãs no país, principalmente na versão V6, que rende 272 cv na função "overboost". No entanto, mesmo com apreço pelo modelo, muitos proprietários vêm sofrendo com um problema que consideram crônico: com tempos variados de uso, a bomba de alta pressão (modelo CP4 Bosch) sofre um desgaste que gera limalhas que se espalham e danificam diversas peças do sistema de combustível. Um prejuízo que varia de R$ 15 mil a R$ 50 mil.

Depois de receber diversas reclamações em particular em um grupo de proprietários de Amarok, UOL Carros procurou os proprietários que tiveram problema com a peça.

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"Essa é uma das certezas de quem possui Amarok. Se não teve, vai ter. Infelizmente!", disse Oliveira Perer, um dos integrantes do grupo. O comentário ganhou coro e diversos usuários relataram o mesmo problema.

De acordo com engenheiro mecânico Ronald Funari, proprietário da Funari Automotiva, o problema se tornou famoso entre os donos da picape. A grande questão é que não há sintomas, a picape simplesmente deixa de funcionar.

"Já pegamos vários carros com esse defeito, alguns com menos de 20 mil quilômetro rodados. Na prática, o diesel que entra para lubrificar a peça gera um desgaste que cria pequenas limalhas. Elas se espalham pelo sistema e danificam várias peças, como bicos injetores e sensores", explica o engenheiro.

Para resolver o problema, é preciso trocar a bomba e os itens danificados. Um serviço que varia de R$ 15 mil a R$ 20 mil, podendo ser ainda mais caro, dependendo do estrago feito pelas limalhas.

Encontramos relatos de pessoas que chegaram a gastar R$ 50 mil. Segundo os usuários, ao chegar na concessionária, a informação é de que foi usado combustível de má qualidade, e a substituição das peças não é feita dentro da garantia.

O administrador Júnior Abreu é um dos apaixonados por Amarok que sofreu com o problema na sua picape ano 2019.

"Adoro caminhonetes, já tive várias, de diferentes marcas, não existe nenhuma mais confortável e econômica do que a Amarok, mas hoje ando com ela com um pé atrás. Um dia de manhã fui dar partida e ela não pegou mais. Quando cheguei na oficina descobri o problema na bomba de alta pressão. O argumento é que o combustível do Brasil não tem a mesma qualidade do que o de outros países, por isso acaba deteriorando o sistema. Mas acredito que quando uma marca bota um carro no país, ele deve estar preparado para rodar com combustível nacional", declara.

Após o conserto, que custou R$ 15 mil, Júnior recebeu um conselho do mecânico: sempre acrescentar um aditivo estabilizador no tanque para que o diesel brasileiro não danifique novamente o sistema. "É um líquido que custa em torno de R$ 15 e deve ser adicionado toda vez que for encher o tanque", lembra Abreu.

Emerson Sebe está na nona Amarok e, pela primeira vez, teve problema na bomba de alta pressão. Segundo ele, o que "salvou" as anteriores da pane foi um truque no qual muitos proprietários estão apostando.

"Nessa última vez tive que trocar a bomba porque não fiz a reprogramação, um serviço que reconfigura o funcionamento de alguns itens do veículo, isola o funcionamento de outros para que as limalhas não se espalhem", explica.

Entramos em contato com a Volkswagen para entender a razão do problema. A montadora afirmou, por meio de nota, que "o bom funcionamento do sistema de injeção diesel depende da correta manutenção do veículo e da qualidade do combustível. Por exemplo, um diesel envelhecido ou com presença de água pode afetar a lubrificação interna da bomba de alta pressão, gerar desgaste e avaria aos demais componentes do sistema. A recomendação é manter os serviços de manutenção, utilizar somente diesel S10 de qualidade e peças originais para reposição".

Perguntamos também se essas reprogramações feitas pelos usuários podem comprometer o sistema de alguma forma, mas a marca não respondeu ao questionamento. A Volkswagen afirmou ainda que "a Rede de Concessionárias VW está à disposição para atender os clientes com essa ou qualquer outra necessidade de serviços".

Sobre reparos em garantia, a orientação da marca é que o cliente dirija-se ao concessionário em caso de necessidade. Segundo a VW, a oficina fará a avaliação do caso, e quando aplicado, reparos dentro da garantia. A montadora reforça que problemas no sistema de alimentação depende da qualidade do combustível, por isso pode haver casos em que o sistema foi danificado pelo mau uso.

Já a Bosch, responsável pela fabricação da bomba CP4, afirma que o uso de combustíveis de má qualidade e problemas com filtragem podem ocasionar a degradação de componentes do sistema de injeção diesel e de outras partes do motor.

"O aparecimento de partículas metálicas foi relatado por alguns proprietários de veículos comerciais leves, que pode estar atrelado ao uso de combustível e/ou manutenção indevidos. Para evitar esse tipo de problema, é importante abastecer com diesel S10 de qualidade e procedência, assim como seguir rigorosamente o plano de revisão/manutenção indicado no manual do fabricante do veículo", disse a marca em comunicado.

Sobre a instalação de válvulas e filtros, a Bosch diz que "não é possível instalar filtros no circuito de alta pressão do sistema de injeção diesel e qualquer ação que altere a originalidade do sistema também pode causar paradas inesperadas do veículo".

Problema identificado nos Estados Unidos

Modelos Ram 2500, 3500, 4500 e 5500 estão passando por recall nos Estados Unidos - Divulgação - Divulgação
Modelos Ram 2500, 3500, 4500 e 5500 estão passando por recall nos Estados Unidos
Imagem: Divulgação

O problema da bomba CP4 Bosch não é exclusivo da Amarok. Nos Estados Unidos, a General Motors (que controla como a Chevrolet e a GMC - marca de picapes e SUVs que atua no mercado americano) está respondendo a uma ação coletiva por "construir centenas de milhares de caminhonetes com motores incompatíveis com o diesel produzido nos Estados Unidos".

De acordo com a denúncia, as bombas Bosch CP4 foram projetadas para funcionar com óleo diesel produzido na Europa, que é mais espesso e, portanto, não funciona da mesma forma com o combustível norte-americano.

A Stellantis, proprietária da marca Ram, também sofreu uma ação coletiva e está realizando o recall de mais de 200 mil unidades dos utilitários 2500, 3500, 4500 e 5500.

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