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Procon cobra mudanças após problema que destrói câmbios de Fiat e Jeep

Jeep Compass flex está entre os modelos da Stellantis com relato de danos no câmbio causados por contaminação por líquido de arrefecimento do motor - Murilo Góes/UOL
Jeep Compass flex está entre os modelos da Stellantis com relato de danos no câmbio causados por contaminação por líquido de arrefecimento do motor
Imagem: Murilo Góes/UOL

Do UOL, em São Paulo (SP)

12/01/2022 18h42

O Procon-SP avalia que a Stellantis, proprietária de Jeep e Fiat, deve trazer no manual do proprietário informações mais claras ao consumidor a respeito de um problema mecânico que contamina com líquido de arrefecimento a transmissão automática de seis marchas de veículos flex das marcas citadas. Em dezembro, o órgão de defesa do consumidor, vinculado ao governo paulista, havia notificado a empresa a prestar esclarecimentos, após UOL Carros abordar o assunto, que tem gerado reclamações de centenas de clientes.

Conforme nota do Procon-SP, a Stellantis nega a existência de defeito no câmbio/trocador de calor dos veículos Fiat Argo, Cronos, Toro, Jeep Renegade e Compass. A companhia também afirma que não há irregularidades por parte dessas marcas ao tratar da questão e que o problema decorre de falta ou de manutenção inadequada dos proprietários dos veículos afetados.

Consumidores relatam que o câmbio automático dos respectivos veículos, nos modelos citados e com motorização bicombustível, sofreu graves danos por conta da corrosão do trocador de calor, que ocasionou a entrada de líquido na transmissão - componente que precisa ser substituído ou reparado, por meio de serviço que chega a custar mais da metade do valor do próprio carro.

O trocador de calor tem a função de refrigerar o lubrificante do câmbio e, nos veículos citados, é conectado ao sistema de arrefecimento, utilizando a mesma mistura de fluido e água desmineralizada que mantém o motor na temperatura ideal.

Trocador de calor, a peça problemática que está diretamente associada aos danos na transmissão - Reprodução - Reprodução
Trocador de calor, a peça problemática que está diretamente associada aos danos na transmissão
Imagem: Reprodução

"Após a análise da resposta encaminhada, (...) o Procon-SP conclui que a informação contida no manual do veículo sobre possibilidade de surgimento de problemas decorrentes do uso de um fluído de arrefecimento diferente daquele original de fábrica com um aditivo não recomendado deveria ser mais claro e objetivo", diz a nota.

Segundo relato de clientes, a partir de 2018, depois do surgimento das primeiras reclamações, as montadoras mudaram o plano de manutenção no que se refere ao fluido de arrefecimento, recomendando produto com outra especificação e concentração, além da respectiva troca a cada dois anos - independentemente da quilometragem.

Em modelos anteriores, o manual não traz nenhuma orientação relacionada à troca do fluido.

Quantidade de veículos afetados

Câmbio automático do Compass flex; clientes relatam que tiveram de arcar com reparo fora da garantia - Murilo Góes/UOL - Murilo Góes/UOL
Câmbio automático do Compass flex; clientes relatam que tiveram de arcar com reparo fora da garantia
Imagem: Murilo Góes/UOL

De acordo com proprietários ouvidos por UOL Carros, a Stellantis se negou a efetuar o reparo em veículos fora da garantia de fábrica. Já outros afirmam que, após muita insistência, a empresa concordou em bancar o conserto, total ou parcialmente - mesmo com a cobertura de fábrica já vencida.

Em dezembro, a companhia informou que se responsabiliza pelos reparos dentro da vigência da garantia.

Ao Procon-SP, a Stellantis informou que, "dos 450.810 veículos que se encontravam dentro da garantia em 2020 no País, 302 foram atendidos em razão do problema; e, em 2021, dos 502.493 veículos em garantia, 207 foram atendidos".

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A fundação também questionou as marcas envolvidas a respeito da necessidade de realização de campanha de recall para efetuar os reparos. O Procon-SP diz que essa possibilidade está afastada "em um primeiro momento", com base nas informações recebidas. Ainda assim, faz uma ressalva:

"As alegações de mau uso da montadora não são comprovadas. Ressalta-se ainda que uma falha na informação - como sobre o uso correto do produto e riscos que possa apresentar em razão de uso diverso - também pode ser determinante para a realização de uma campanha de recall".

O recall está previsto para produtos que coloquem em risco a saúde e a segurança dos consumidores.

"O caso será encaminhado para a equipe de fiscalização para análise mais aprofundada e eventuais providências", conclui o órgão.