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Lamborghini de Collor apreendido na Lava Jato deve fortuna em IPVA

Aventador de Fernando Collor foi apreendido em 2015 pela PF em Brasília como parte da Operação Lava Jato; carrão foi devolvido - Folha de S.Paulo/UOL
Aventador de Fernando Collor foi apreendido em 2015 pela PF em Brasília como parte da Operação Lava Jato; carrão foi devolvido Imagem: Folha de S.Paulo/UOL

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

10/01/2022 04h00Atualizada em 11/01/2022 20h56

Segundo o cadastro da dívida ativa de São Paulo, o quinto maior devedor de IPVA no Estado é um Lamborghini Aventador Roadster 2014. Avaliado em mais de R$ 3 milhões, o esportivo italiano acumula débitos que totalizam R$ 1.235.222,61, referentes aos exercícios de 2016 a 2021.

Com placas FCL-0700 e pintura azul metálica, o conversível está registrado em nome da empresa Água Branca Participações, com sede na capital paulista e que tem o senador e ex-presidente da República Fernando Collor de Mello (PROS-AL) no seu quadro de sócios.

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Esse mesmo veículo já apareceu com destaque na imprensa alguns anos atrás. Em 2015, foi apreendido pela Polícia Federal na Casa da Dinda, residência de Collor em Brasília (DF), juntamente com uma Ferrari 458 Italia 2011 e um Porsche Panamera 2012. Os carros de luxo foram recolhidos pelos agentes como parte da Operação Lava Jato, por suspeita de que tivessem sido comprados com dinheiro de práticas criminosas.

Cerca de três meses depois, o Aventador e os demais automóveis foram devolvidos por determinação do STF (Supremo Tribunal Federal) e o senador comemorou no Facebook.

"Eles voltaram ao seu dono", publicou o político na rede social em 29 de outubro daquele ano.

Em novembro de 2016, novamente o Lamborghini de Fernando Collor virou notícia. Na época, o Bradesco solicitou à Justiça a apreensão do carro, por conta de atraso no pagamento de parcelas do financiamento - a empresa do ex-presidente financiou cerca de 50% do valor do conversível. Fernando Collor entrou em acordo com o banco e conseguiu manter o Aventador pouco depois.

Uma consulta ao site do Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo) mostra que o automóvel ainda tem restrição financeira, atribuída ao Bradesco. UOL Carros tentou contato com o senador por meio da respectiva assessoria, via e-mail e aplicativo de mensagens, sem sucesso.

Carrão não pode ser licenciado

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Atualmente, o paradeiro do Aventador é desconhecido. Por estar com o IPVA atrasado desde 2016, o veículo não pode ser licenciado e, portanto, está impedido legalmente de rodar em vias públicas.

O atraso no pagamento do imposto ocasionou a inscrição da empresa vinculada a Collor na dívida ativa, com inclusão no Cadin Estadual (Cadastro Informativo dos Créditos não Quitados de Órgãos e Entidades Estaduais).

Dessa forma, os débitos passaram a ser gerenciados pela PGE (Procuradoria Geral do Estado), com provável cobrança mediante protesto - que implica restrições a empréstimos no sistema financeiro e bloqueio a eventuais créditos da Nota Fiscal Paulista.

Além disso, os dados do esportivo passaram a ser públicos, disponíveis no site da PGE. Lá, consta que o pagamento do IPVA 2019 foi dividido em outubro de 2021 em dez parcelas, ao custo de aproximadamente R$ 15 mil cada - as três primeiras já foram pagas.

Hoje com 72 anos, Fernando Collor é conhecedor de automóveis e gosta de modelos potentes e sofisticados. Em 1992, uma modesta Fiat Elba foi peça central no processo que resultou na renúncia do político ao cargo de presidente.

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