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Fiat Marea é "bomba" ou só meme? Conversamos com dono que tem 3 unidades

Fiat Marea é bomba? Fã tem três Weekend Turbo

José Antonio Leme

Do UOL, em São Paulo (SP)

21/12/2021 04h00

Se tem um meme que parece não perder a força na internet ano após ano são as piadas comparando o Fiat Marea com uma bomba, prejuízo ou pura e simplesmente dor de cabeça. Na outra extremidade, os amantes do carro fazem uma defesa ferrenha do modelo.

Mas se por um lado os memes são engraçados, eles trazem a verdade sobre o modelo que foi produzido e comercializado no Brasil entre 1998 e 2006?

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Enquanto muita gente se apega aos memes, o empresário e engenheiro mecânico Luiz Carlos Jeronymo Jr., ou Juninho como prefere ser chamado, se apega a seus três Fiat Marea Turbo 1999, 2000 e 2003, todos na versão perua, a Weekend.

Além do gosto que poderia por muitos ser visto como peculiar, Juninho faz questão de outra coisa: todos seus exemplares são na cor vermelha.

O mais velho está na "família" tem 15 anos, o segundo há 10 e o terceiro faz 3. Além disso, já passaram outros três por suas mãos, entre Weekend e Sedan, e ele diz que por ele teria um vermelho de cada ano comercializado no Brasil.

Em relação às piadas, ele diz que já está acostumado e não liga mais. "Acho que já recebi toda piada que já foi feita sobre Marea pelo whatsapp", conta.

Sobre o carro, Juninho é direto: "a fama de quebrar no Marea veio da falta de manutenção que muitos donos, especialmente depois de usados, tinham com o carro".

Ele reforça seu ponto de vista dizendo que o brasileiro gosta de carro, mas não gosta de cuidar de carro. "Ele gosta de ter o carro para mostrar para um amigo, para ostentar para o vizinho, mas não cuida direito".

Luiz Carlos diz que sempre reforça aos amigos ou conhecidos que vem pedir dica sobre carros, não só sobre o Marea: "carro de rico vai ter sempre manutenção de rico, mesmo que o carro já não custe mais caro".

As três Marea Turbo Weekend que ele tem na garagem atendem por Original, Forjada e Mil Milhas. O motivo fica evidente e denunciam o que cada uma tem. Em comum que todas foram transformadas para rodar com etanol ao invés de gasolina.

A original passou apenas por uma troca de turbina, mas continua bem próxima a original em termos de potência no motor 2.0 turbo de cinco cilindros que originalmente entregava 182 cv a 6.000 rpm e 27 mkgf a 2.750 rpm, segundo a Fiat.

A Forjada teve o motor todo, como diz o nome, forjado para aguentar a potência extra. De acordo com Luiz Carlos ela está com cerca de 600 cv e outros 50 cv extras entregues quando usa o sistema de óxido nitroso, o nitro, e vai passar por calibrações.

E a Mil Milhas é um modelo que tem cerca de 240 cv. Ela foi toda adesivada para ficar igual a um modelo que a Fiat preparou para provas de longa duração, como a Mil Milhas de Interlagos, e que foi pilotada por uma equipe de jornalistas no início dos anos 2000.

"Eu procurei muito essa perua que a Fiat preparou para comprar, mas nunca encontrei. Alguns dizem que esse carro está com a própria Fiat. Só encontrei o [Fiat] Brava que também foi preparado, mas o dono queria um valor fora da realidade".

Seu amor, ele conta, veio desde o lançamento do carro e que sempre quis uma Weekend porque na sua casa a mãe sempre teve carros na versão perua/SW.

Afinal, o Marea é bomba?

Juninho diz que não e pontua uma série de problemas para a má fama. Além da falta de manutenção dos proprietários que compraram os carros de segunda mão, a gasolina nacional e falta de mão de obra especializada para o carro.

"Quando chegou ela estava muito a frente do restante do mercado nacional em termos do que oferecia e não era fácil de adquirir conhecimento do carro e da manutenção", diz.

Além disso, pontua a questão do combustível. Com menos qualidade do que a gasolina com a qual foi realmente calibrada na Europa é comum ter que lidar com resíduos que vão se formando e acumulando na parte inferior do motor, formando a popular "borra".

"Passei meus carros para o etanol para não ter que lidar com essa questão. Assim eu me preocupo em verificar os bicos injetores e a bomba de combustível em períodos, apesar de ter que lidar com a questão de possível corrosão de componentes pela água que vem com o etanol".

O fã de Marea lembra também de dois problemas que deram má fama ao carro: óleo e correia dentada. No caso do óleo, muitos proprietários acabavam optando por outros fluidos que não original, um sintético que tinha duração de 16 mil km, um intervalo não comum para a manutenção de carros aqui no Brasil.

Muitos optavam por um óleo mineral, que era mais barato e fácil de ser encontrado, enquanto o fluido original só era encontrado por meio da própria Fiat na época.

Há o caso da dificuldade na troca da correia dentada. Feita do modo correto, era preciso retirar o motor do cofre toda vez que fosse realizar a substituição, o que levava muitos donos a ignorar a troca.

Mas se uma correia se rompe, há um risco enorme de, no mínimo, um atropelamento de válvulas o que exige que o motor seja refeito, um gasto bem maior do que a manutenção, podendo levar a retifica, troca de pistões, bielas e as próprias válvulas.

Juninho diz que hoje está mais prático. "Com o tempo, os mecânicos independentes foram conhecendo o carro. O caso da correia por exemplo, descobriram que dá para trocar sem remover o motor, fazendo apenas um pequeno deslocamento lateral soltando coxins, o que reduz o custo e o tempo para a manutenção".

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