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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Novo Mercedes Classe C eleva nível da categoria, mas cobra caro por isso

Rafaela Borges

Colaboração para o UOL

08/12/2021 04h00

O Mercedes-Benz Classe C chegou à sua sexta geração com vários sistemas que vieram do topo de linha Classe S. E como quem muda depois sempre fica melhor na fita, agora o sedã, que já estava muito defasado, tem boa vantagem tecnológica ante os principais rivais: BMW Série 3, Audi A4 e Volvo S60.

Mas o carro também cobra mais por esse pacote. Começa em R$ 349.900 na versão de entrada, C200, e vai a R$ 399.900 na C300. Para comparação, o Audi mais em conta sai por cerca de R$ 275 mil e o BMW, em torno de R$ 300 mil.

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A versão testada por UOL Carros é a C300. As duas configurações estão em pré-venda e começam a ser entregues em janeiro. A de topo vem com motor 2.0 e sistema híbrido leve que não apenas aprimora o consumo, mas também garante potência extra ao carro.

As primeiras unidades vêm de Bremen, na Alemanha. Depois, ele passa a ser trazido da África do Sul. Vale lembrar que o Classe C anterior foi montado, durante um período, em Iracemápolis, no interior de São Paulo. Essa fábrica foi desativada pela Mercedes-Benz.

Design

Mercedes-Benz Classe C - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Os faróis full-LEDs têm uma nova assinatura com três elementos e, embora a Mercedes-Benz não os chame de matriciais, eles são. Trabalhando em conjunto com radares, têm alcance de até 600 m e são antiofuscamento para outros carros, pessoas e o próprio motorista, facilitando a leitura de placas.

A dianteira se destaca também pela grade com pequenas estrelas brilhantes, que são parte do pacote visual AMG Line (disponível para as duas versões). Atrás da grade, estão radares com três níveis de alcance.

O carro cresceu em todas as dimensões. Está 6,5 cm mais longo, 1,2 cm mais largo e ganhou 2,5 cm de distância entre os eixos. Com isso, o capô também ficou maior e mais pronunciado.

A lateral se destaca pelas rodas de 19" com partes foscas e brilhantes. Elas têm um arco central com função aerodinâmica. Por sinal, o novo Classe C se destaca pelo coeficiente de arrasto, de apenas 0,24.

Interior

Por dentro, o carro chama atenção pela inspiração no Classe S. A tela da central multimídia, vertical, tem 11,9" e agora traz Android Auto e Apple CarPlay via Bluetooth, dispensando fios.

O modelo também traz o sistema MBUX de nível 7 - o dos modelos da linha Classe A é da geração 6,5. De acordo com a Mercedes-Benz, ficou mais interativo e rápido. O sedã médio conta com assistente de voz com inteligência artificial, que melhorou bastante em relação ao usado nos automóveis de entrada da Mercedes-Benz.

O painel virtual configurável tem tela suspensa de 12,3" e traz sete opções de personalização. Dá para ver três modos de visualização (clássico, esportivo e sutil) ou ainda outros dados em destaque, como mapa e funcionamento dos sistemas de assistências.

Outro destaque é o navegador GPS com realidade aumentada, que pode ser projetado no Head Up Display (mostra dados do painel de instrumentos no para-brisa). O C300 vem com quatro entradas USB do tipo C, duas na parte da frente do console e outras duas no porta-objetos dianteiro, para ser usada pelos ocupantes de trás. Há ainda carregador de smartphones por indução (sem fio).

No acabamento, o destaque é o material que a Mercedes-Benz chama de trama metalizada - lembra fibra de carbono. Os bancos são revestidos de couro (há três opções, inclusive bicolor) e os dianteiros trazem aquecimento e memória. O volante esportivo AMG tem base reta.

Quase tudo na cabine agora é sensível ao toque. Até os botões de ajustes elétricos do banco, que foram mantidos na porta, mas trazem um novo desenho. No volante, é preciso dar um toque mais forte, para que o motorista não corra o risco de esbarrar no comando e acionar uma função que não deseja.

Atrás, o carro é o primeiro do segmento a trazer ar-condicionado com duas zonas de temperatura, velocidade e direcionamento. Há outras duas zonas na dianteira, totalizando quatro.

O entre-eixos cresceu 2,5 cm e atrás duas pessoas ficam muito bem acomodadas tanto em relação às pernas quanto à cabeça. O túnel central extremamente alto impede o conforto de um terceiro passageiro. O porta-malas, de 455 litros, não tem vincos e caixas de rodas pronunciadas, características que poderiam atrapalhar a organização da bagagem.

Equipamentos

O C300 capricha nas tecnologias de assistência. Há controlador de velocidade adaptativo com função Stop & Go, tecnologia que é chamada pela Mercedes-Benz de Distronic. No trânsito, ele pode arrancar sem interferência do motorista quando os carros da frente começam a se movimentar.

Já o leitor de faixas tem função de correção e função que para o carro se perceber que o motorista não está reagindo. Esse é um dos primeiros modelos a trazer a tecnologia no Brasil, depois dos Volvo XC40 elétrico e XC60.

O Classe C vem ainda com sensor de ponto cego e frenagem autônoma de emergência com detecção de pedestres e ciclistas.

Desempenho

Mercedes-Benz Classe C - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

O 2.0 do C300 tem 258 cv e 40,8 mkgf. Já o propulsor elétrico alimentado por bateria de 48V traz função de overboost, e pode oferecer mais 27 cv e 20,4 mkgf. Mesmo sem usar o motor a eletricidade para movimentar as rodas, o sedã médio foi homologado como um híbrido. Isso significa que tem alguns benefícios, como não precisar cumprir rodízio municipal na cidade de São Paulo.

O motor elétrico faz função de coasting. Isso significa que, em velocidade de cruzeiro, em algumas situações, é capaz de desativar o propulsor a combustão. O resultado é um ganho considerável no consumo de combustível, especialmente na estrada.

O C300 anda demais. Com câmbio automático de nove marchas, é capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em seis segundos. As retomadas de velocidade são muito eficientes, e ficam ainda mais fortes ao acionar o modo Sport+ de condução, o mais apimentado. Ele altera respostas da direção, do câmbio e da turbina do motor. Além dessa função, há a econômica, a confortável e uma esportiva mais branda.

Quando o assunto é direção, dá para sentir bem a diferença de resposta entre os modos confortável e Sport+. No primeiro, durante a avaliação, realizada em uma pista fechada, o sedã ficou solto demais. Mas basta acionar o seletor no painel para ativar a função mais esportiva que o componente ganha firmeza, passando mais segurança em curvas e alta velocidade.

O modo Sport+ da direção até compensa a suspensão. A Mercedes-Benz escolheu para o Brasil um sistema batizado de Comfort, bem voltado ao conforto. Isso distancia o Classe C de uma aptidão mais esportiva mas, na pista, em situação extrema, ela até segurou muito bem a carroceria, que não inclina nessas condições.

No entanto, forçando bastante o Classe C nas curvas, a dianteira tende a balançar em curvas. Isso ocorre também nas frenagens muito fortes, dessas que você só vai usar em condições reais, nas ruas e estradas, em uma situação de emergência.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL